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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Na Cabralândia - Só 8 das 170 áreas de risco do Rio passaram por obras


Por Cecília Ritto, na VEJA Online:
“O planejamento não inclui apenas fazer o diagnóstico. Também é necessário fazer o tratamento. E foi a parte do tratamento que não foi feita durante esse um ano”, afirma o presidente do Crea-RJ

Após a tragédia que matou quase mil pessoas na Região Serrana, em 2011, foram detectadas 170 áreas com alto risco de deslizamento de encostas. Passado um ano, em apenas oito desses lugares as obras de recuperação do talude foram iniciadas - e não necessariamente terminadas. A informação consta no relatório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de janeiro de Janeiro (Crea -RJ), divulgado nesta quarta-feira. Segundo o presidente da entidade, Agostinho Guerreiro, essas obras deveriam ter sido finalizadas no período de estiagem, que foi até outubro de 2011.

“O planejamento não inclui apenas o diagnóstico. Também é necessário fazer o tratamento. E foi a parte do tratamento que não foi feita durante esse um ano”, afirma Guerreiro. Um dos responsáveis pelo relatório foi o assessor de Meio Ambiente do Crea e engenheiro civil sanitarista Adacto Ottoni. Ele foi à Região Serrana na semana passada para elaborar o balanço do que foi feito e do que precisa ser executado. Conclusão: “Basta cair metade da chuva que atingiu a serra no ano passado para se ter uma nova tragédia”, disse Ottoni.

O relatório lista medidas que deveriam ser adotadas, mas que foram negligenciadas pelo poder público. Uma delas é a falta de providências em relação aos deslizamentos e às enchentes. A conseqüência é o entupimento do sistema de drenagem na parte baixa das encostas, o assoreamento e a poluição. A desocupação desordenada do solo também foi ponto de destaque. São desmatadas áreas de preservação permanente para que famílias morem ou para a execução de atividades agrícolas e de pecuária. A ocupação de topos de morros, taludes de encostas com inclinação acima de 45º e faixas marginais de proteção de rios vai contra o próprio Código Florestal. “É um total descumprimento da lei”, diz Guerreiro.

Já é o terceiro estudo feito pelo Crea sobre os riscos que assombram a serra. Os três apontam saídas possíveis, mas, até o momento, o documento pouco foi usado pelos órgãos públicos. O Conselho afirma ainda que o poder público só executou medidas de curto prazo, e deixou de lado obras estruturais, de médio e longo prazo, que devem ser postas em prática logo após o período das chuvas.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

sábado, 12 de novembro de 2011

CASO NEM: "Advogados" presos com traficante responderão por corrupção e formação de quadrilha

RIO - A tentativa de fuga do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, é mais um capítulo de uma longa história de advogados cúmplices de seus clientes. Os três homens que abrigavam o traficante no porta-malas do Toyota Corolla preto na noite de quarta-feira têm registro na Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ). São eles: André Luis Soares Cruz, Demóstenes Armando Dantas Cruz e Luiz Carlos Cavalcanti Azenha.

André Luis Soares Cruz e Demóstenes Armando Dantas, que disseram ser, respectivamente, cônsul honorário da República do Congo e funcionário do consulado, têm o mesmo número comercial no arquivo da OAB. Trabalham no mesmo escritório. Eles transportavam Nem quando foram abordados por policiais militares que desconfiaram na traseira rebaixada do carro. Eles chegaram a oferecer um milhão aos PMs em troca da liberação do veículo. Os militares recusaram e, na presença da Polícia Federal, conforme o trio ocupante do Corolla solicitara, o carro foi vistoriado e Nem foi, enfim, encontrado.

Os defensores de Nem serão julgados pelo tribunal de ética e disciplina da OAB, responsável por processar advogados acusados de desvio de conduta. Após o julgamento, eles poderão ter como penalidade a exclusão da Ordem. “Se de fato no primeiro exame a ser feito configurar as condutas erradas, eles poderão vir a ser suspensos até o final da conclusão do processo”, disse o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous.

No momento, no entanto, a perda da carteira da OAB deve ser a menor das preocupações dos três ocupantes do Corolla. Por sua conduta, eles podem vir a responder por formação de quadrilha, corrupção e outros crimes.

Damous afirma que a regulamentação da atividade do advogado é minuciosa, e quem faz a confusão entre a defesa do cliente e uma ajuda que extrapola a legalidade é, na verdade, um criminoso. “Aqueles que descumprem os preceitos da advocacia não cumprem a profissão. Estão exercendo um crime”, afirma o presidente da OAB-RJ.

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