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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CAOS NA SAÚDE: Pacientes reclamam de más condições da emergência do Hospital Cardoso Fontes
JB Online

RIO - Superlotação, falta de médicos e até escassez de material hospitalar. Estas são algumas das queixas de funcionários e familiares de pacientes do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá (Zona Oeste do Rio). A situação da unidade, que já era ruim, chegando a ter centros cirúrgicos e emergência pediátrica fechados, ficou ainda pior nesta segunda-feira, quando funcionários fizeram uma paralisação de 24 horas, e apenas pacientes em estado grave foram atendidos.

Profissionais da saúde cruzaram os braços e pediram melhorias na unidade
Depois de quase três horas de viagem, a aposentada Ivanir Andrade, 69 anos, moradora de Campo Grande, não conseguiu atendimento para urologia. A consulta estava marcada há um mês, e ela precisa agendar uma cirurgia para retirada dos cálculos que obstroem seu canal urinário.

"Não aguento as dores fortes, e preciso desta consulta. Não sabia da paralisação e espero que eu possa ser atendida o quanto antes. A minha cirurgia é urgente", desesperou-se.

De acordo com o diretor da unidade, Pedro Fernandes, a maior carência é por pediatras e anestesistas. Nesta segunda-feira (24), o hospital dispunha apenas de nove anestesistas. Para que todos os centros cirúrgicos voltem a funcionar, no entanto, é necessário que este número chegue a 40. "O Ministério da Saúde já aprovou a convocação de 17 médicos anestesistas habilitados no concurso público de 2010 para lotação neste hospital. Não somos um hospital fantasma. Estão fantando médicos, sim, é inegável. Precisamos de concursos públicos. Este é o nosso problema", afirmou o diretor da unidade. Para Araci Moreira, 80 anos, o atendimento está cada dia pior.

"Este é um hospital de referência. Já tive um neto que ficou curado de água na pleura na emergência pediátrica. Agora, por falta de médicos, fecharam a emergência das crianças. Não adianta ter aparelhosmodernos, um Copa e uma Olimpíada. É preciso ter médicos", reclamou a mulher.

Apesar da assessoria de imprensa do hospital alegar que a emergência funcionou sem transtornos nesta segunda-feira, pacientes ouvidos pelo JB contaram que apenas um médico prestava atendimento no setor. Para averiguar a denúncia, o JB tentou visitar a emergência, mas foi impedido de entrar.

"Jornalista não pode entrar na emergência, apenas os pacientes", disse uma assessora de imprensa, ao ser questionada sobre as reclamações dos pacientes.

Emergência foi fechada depois de grande reforma

Enquanto alguns hospitais padecem de infraestrutura, a emergência pediátrica do Hospital Federal Cardoso Fontes lembra uma unidade de saúde particular de luxo. Com uma grande reforma há cerca de 1 ano, o setor teve as portas fechadas devido à falta de médicos.

"Muitos médicos, inclusive estatutários, pediram demissão. Outros, com idade avançada, se aposentaram. Precisamos repor estes profissionais. Hoje, contamos com cerca de 30 pediatras. Precisamos dobrar este número para reabrir a emergência pediátrica", analisou o diretor da unidade, Paulo Fernandes.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sobe para 30 nº de presos em operação contra fraude no Detran-RJ
JB Online

RIO - O número de presos na Operação Contramão II, cujo objetivo é desarticular uma quadrilha que agia há pelo menos dois anos fraudando os processos de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, já tem 30 presos.

Quadrilha desarticulada tinha lucro anual de R$ 10 milhões
A partir de informações passadas pela Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em conjunto com o órgão, o Ministério Público e a Corregedoria Geral Unificada (CGU), desmantelou a quadrilha.

A "Operação Contramão II" visa cumprir 42 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão em todo o estado do Rio de Janeiro.

As investigações começaram em 2009, a partir de irregularidades constatadas pela Corregedoria do Detran, que passou as informações à Delegacia de Defraudações (DDEF),responsável pela coordenação da ação desta sexta-feira. Segundo o subchefe operacional da Polícia Civil, Fernando Veloso, os criminosos cobravam de R$ 800 a R$ 4 mil para aprovarem os candidatos no exame de habilitação.

Os valores cobrados dependiam do nível de exigência para a obtenção da CNH. Ao candidato totalmente incapaz, era cobrada uma quantia mais elevada, enquanto os que simplesmente queriam conseguir os documentos sem se submeter aos exames obrigatórios, pagavam menos. Em média, 200 pessoas por mês se beneficiavam dos serviços dos fraudadores, o que significava um lucro anual estimado em R$ 10 milhões.

Mais de 300 agentes, da Polícia Civil, do Detran e do Ministério Público, se reuniram na Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol) no fim da madrugada para receberem os endereços onde iriam cumprir os mandados de prisão e busca e apreensão. A operação abrangeu onze municípios e 37 bairros do estado. Vinte e uma auto-escolas estão envolvidas na fraude. As buscas também aconteceram em algumas dependências do Detran, ondetrabalhavam funcionários e prestadores de serviços envolvidos no esquema.

Além da apreensão de documentos, os agentes também resgataram CPUs, telefones celulares, anotações e cheques, além de R$ 145 mil em espécie.
O delegado titular da DDEF, Gabriel Ferrando, afirmou que o material apreendido será usado para o aprofundamento das investigações. "Esse material será usado para identificar pessoas que adquiriram a Carteira Nacional de Habilitação de maneira ilegal", afirmou o delegado.

Segundo o corregedor do Detran, David Anthony, essas pessoas sendo identificadas perderão suas carteiras e responderão criminalmente. O corregedor lembrou ainda que a corregedoria fez um trabalho pró-ativo, levantando todos indícios, sem aplicar medidas disciplinares, que pudessem atrapalhar as investigações, encaminhando o material para a Delegacia de Defraudações.

O promotor de Justiça, Homero das Neves, ressaltou que a ação foi inédita. "Estamos em uma fase nova. A integração de todos os órgãos envolvidos fez com que o trabalho pudesse ser realizado", afirmou.
Os presos responderão pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e inserção de dados falsos no sistema de informações.