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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Após omitir desprezo de Roberto a Tim, Globo apaga minissérie na web

A minissérie Tim Maia - Vale o que Vier, que troca cenas de desprezo de Roberto Carlos ao ex-colega em início de carreira por depoimentos positivos, que mostram o "Rei" como herói, está fora do ar no site da Globo. Quem acessa a página da emissora e procura o material, se depara com a seguinte frase: "Conteúdo não disponível". Vale o que Vier havia sido publicada no site da Globo imediatamente após a exibição na TV, na madrugada de sexta-feira. Ficou o dia inteiro na internet e teve 1.406 acessos. Após o Notícias da TV revelar que a edição da minissérie, a partir do filme Tim Maia (2014), tinha omitido a humilhação de Roberto Carlos, o vídeo já estava fora do ar.

Imagem: Reprodução / UOL Notícias da TV

Roberto Carlos: de vilão a herói

Uma sequência do filme em que Roberto despreza e humilha Tim Maia, entregando-lhe botas usadas e dinheiro amassado, foi trocada na minissérie por depoimentos de Nelson Motta, autor da biografia que originou o longa, e do próprio cantor. Na versão exibida pela Globo, o jornalista contradiz seu próprio livro e afirma que Roberto fez o que pôde para ajudar Tim. Já Roberto conta que indicou o futuro soulman brasileiro a uma gravadora.

"O Roberto (...) sabia o valor que o Tim tinha como cantor e compositor, tanto que levou o Tim para a Jovem Guarda. O Roberto fez o que pôde", afirmou Nelson Motta na Globo.

O episódio mostrou Tim tentando sem sucesso falar com Roberto Carlos ao voltar dos Estados Unidos, em situações diferentes. O contexto foi mais detalhado nas entrevistas de Erasmo Carlos, Nelson Motta, Fábio e do próprio Roberto".

(Texto: Reprodução/UOL Notícias da TV)

Globo, a gente manipula você

Em "Tim Maia", Globo trocou cenas de humilhação por depoimento positivo

"Aos seguidores que não viram 'Tim Maia' no cinema, sugiro que não assistam a essa versão que vai ao ar na Globo", escreveu o cineasta Mauro Lima no Instagram, em post fechado para seus seguidores. "Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei. Seria um 'director's non cut'. Sugiro esperar sair no Now ou DVD, na sua forma original. Grato", concluiu.

Imagem: Reprodução / Folha de  S.Paulo

O especial da Globo foi dirigido por Luis Felipe Sá, com a participação de Rafael Dragaud, Patrícia Andrade e Guel Arraes - coprodutor do filme. A equipe trabalhou por cerca de seis meses, coletando depoimentos e pesquisando imagens de arquivo para transformar um longa num docudrama-híbrido entre documentário e ficção.

Um dos entrevistados do programa é o cantor Roberto Carlos, retratado no filme como um desafeto de Tim. Em uma cena do longa, cortada do especial televisivo, Roberto humilha Tim Maia lhe dando uma de suas botas usadas e dinheiro amassado. No programa, por outro lado, Roberto conta como ajudou Tim, dando-lhe um contato para que gravasse na CBS.

Nelson Motta, autor da biografia "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia" (ed. Objetiva), na qual o filme é baseado, é um dos entrevistados para a televisão. À Globo ele diz que Roberto Carlos fez o que pôde para ajudar Tim.

(Texto: Reprodução/Folha de S.Paulo)

Globo, a gente manipula você

Com docudrama 'Tim Maia', Rede Globo limpa barra de Roberto Carlos

A Globo levou ao ar uma versão diferente de Tim Maia, cinebiografia do “síndico da MPB”, daquela que estreou nos cinemas em outubro. Em formato de docudrama, o longa-metragem de Mauro Lima foi remontado com depoimentos e imagens de arquivo, em dois capítulos. Controverso, como se espera da biografia de um personagem como Tim Maia, o filme apresentou nos cinemas um jovem Roberto Carlos (George Sauma) um tanto desleal e afetado pela fama. Numa cena, quando Tim (Robson Nunes) finalmente fura o cerco de seguranças em torno do amigo para oferecer uma música, um dos assessores joga algumas notas no chão: “Aqui, Tião”, diz, com soberba.

Imagem: Reprodução / VEJA.com

Na TV, a cena foi suprimida e o caminho de Tim até Roberto, consideravelmente encurtado – até a paz retomada da amizade com o lançamento da música Não Vou Ficar, em 1969. “Tudo o que ele cantou ele valorizou”, disse Roberto. “Ninguém nunca deixou de estender a mão pra ele”, reforçou Erasmo. Nelson Motta, autor de Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia (Ed. Objetiva, 2007), livro que originou o filme, Erasmo Carlos e Roberto Carlos falam sobre a amizade e o temperamento difícil de Tim. “Existe a lenda, mas a gente sabe, internamente, que havia uma amizade”, sublinhou Erasmo.

Mas é uma pena que bons momentos do longa, como a passagem de Tim pelos Estados Unidos e tudo o que fez para chegar até lá, tenham sido reduzidos ao limite. No novo formato, vale ainda dizer, o longa se aproximou dos episódios de Por Toda Minha Vida, que homenageou Tim Maia em 2007.

(Texto: Reprodução/VEJA.com)

Globo, a gente manipula você

Diretor do longa "Tim Maia" pediu que fãs não vissem minissérie da Globo

O cineasta Mauro Lima, diretor do filme "Tim Maia", em cartaz em São Paulo, pediu em sua conta do Instagram que seus seguidores na rede social não assistissem a "Tim Maia - Vale o que Vier", minissérie exibida pela Globo. "Aos seguidores que não viram 'Tim Maia' no cinema sugiro que não assistam essa versão que vai ao ar hoje e amanhã na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei", escreveu o cineasta.

Imagem: Reprodução / Folha de S.Paulo

Mauricio Stycer, colunista da "Ilustrada", diz em seu blog no Uol que Mauro Lima não comentou as alterações feitas pela TV. "Irônico, apenas disse que a série é uma versão que não tem relação nenhuma com o seu trabalho." A emissora fez cortes no original e incluiu cenas de arquivo e de depoimentos de músicos e pessoas que conviveram com Tim Maia.

Nas redes sociais fãs reclamam dos cortes e de como a relação entre Roberto Carlos e Tim foi retratada pela Globo, que teria excluído cenas em que o Rei destratou o cantor em início de carreira.

(Texto: Reprodução/Folha de S.Paulo)
 
Globo, a gente manipula você

Diretor do filme 'Tim Maia' critica adaptação feita pela Rede Globo

"Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei. Aos seguidores que não viram Tim Maia no cinema sugiro que não assistam essa versão da Globo", recomendou Mauro Lima.

Imagem: Reprodução / Terra Notícias

Muitos que leram o livro Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia (2007) ou assistiram ao filme Tim Maia (2014) nos cinemas, que é inspirado na biografia escrita por Nelson Motta, não gostaram da versão global, exibida em dois capítulos, com o nome Tim Maia - Vale o Que Vier. Transformando o longa em documentário, a Globo incluiu depoimentos inéditos, cortou cenas importantes e até modificou ordem dos acontecimentos para favorecer o ponto de vista proposto pela emissora.

A maneira como a história de Tim foi exibida na minissérie gerou reclamações de diversos espectadores, especialmente dos que leram o livro de Nelson Motta. O principal alvo foi a relação de Tim com Roberto Carlos. No livro escrito por Motta, o "Síndico" é ignorado por Roberto, que na época estourava em todo o Brasil, quando vai atrás dele pedir ajuda para chegar ao sucesso. Já no filme, um depoimento inédito foi incluído, onde o ator Babu Santana, na pele de Tim, diz que "foi assim que Roberto Carlos lançou o gordo mais querido do Brasil", além de cenas importantes em que o Rei esnoba seu ex-companheiro na banda Sputniks terem sido cortadas.

(Texto: Reprodução/Terra Notícias)

Globo, a gente manipula você

Globo protege Roberto Carlos e corta desprezo a Tim Maia em minissérie

Vilão no filme Tim Maia (2014), Roberto Carlos virou herói na minissérie exibida pela Globo a partir do próprio longa-metragem, que foi reeditado e transformado numa mistura de ficção com documentário. No filme, Roberto Carlos, no auge da juventude e já famoso, esnoba Tim Maia, então em início de carreira. Na minissérie, Roberto Carlos é apresentado como o artista que lançou Tim Maia.

Imagem: Reprodução / UOL Notícias da TV

Uma sequência do filme em que Roberto despreza e humilha Tim Maia (1942-1998), entregando-lhe botas usadas e dinheiro amassado, foi trocada por depoimentos de Nelson Motta, autor da biografia que originou o longa, e do próprio cantor. Na versão exibida pela Globo na quinta (1º) e ontem (2), Nelson Motta contradiz seu próprio livro e afirma que Roberto fez o que pôde para ajudar Tim. Já Roberto conta que indicou o futuro soulman brasileiro a uma gravadora.

Tim Maia e Roberto Carlos conviveram desde os anos 1950 e tiveram uma banda, Os Sputiniks, que se desfez quando Roberto decidiu seguir carreira solo. Após a dissolução da banda, Tim Maia se mudou para os Estados Unidos e foi preso. Deportado para o Brasil, procurou Roberto Carlos, que tinha um programa na Record, e pediu ajuda.

No filme, Roberto Carlos é retratado como mesquinho e aproveitador. Tim Maia (Robson Nunes) invade o camarim de Roberto (George Sauma), em meados dos anos 1960, mas o cantor não lhe dá ouvidos e entrega uma "bota que sobrou" ao ver os sapatos velhos do colega. Em seguida, Roberto é chamado para ir ao estúdio e pede para Tim esperá-lo.

Tim Maia aguarda o astro pacientemente. Tempos depois, Roberto Carlos passa pelo corredor e o ignora. Após o final do programa, ele corre para sair, mas Tim o alcança, pede ajuda e diz não ter dinheiro para voltar para casa. Roberto mais uma vez o esnoba e manda alguém dar dinheiro ao ex-colega. O produtor do programa amassa as notas antes de entregar a Tim.

Globo, a gente manipula você

No primeiro capítulo da minissérie da Globo, toda a sequência descrita acima foi cortada, e a história foi contada de outra forma. No lugar, entraram depoimentos do jornalista Nelson Motta e de Roberto Carlos, que disse ter dado oportunidade a Tim Maia, sem mencionar o caso do camarim, em que Tim se sentiu humilhado pelo antigo companheiro.

"O Roberto, acho que era tranquilo com ele, porque sabia o valor que o Tim tinha como cantor e compositor, tanto que levou o Tim para a Jovem Guarda. O Roberto fez o que pôde", afirmou Nelson Motta na Globo.

"'Tim, vou te apresentar à CBS. Vou arrumar para você gravar lá. Fique tranquilo'. E a Nice [Cleonice Rossi, primeira mulher de Roberto Carlos] virou e disse assim: 'Ajuda ele'. E ele sempre achou na vida dele que eu tinha feito isso porque a Nice tinha feito esse pedido e não foi, foi uma iniciativa realmente minha", disse Roberto Carlos na minissérie.

O que chama a atenção é que Nelson Motta, ao tentar preservar a imagem de Roberto Carlos na minissérie, desmente seu próprio livro, Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia (2007), que originou o filme. Na apresentação do longa à imprensa, em outubro, o diretor Mauro Lima afirmou que "tudo foi baseado na biografia de Nelson Motta", incluindo as cenas em que Roberto esnoba Tim Maia. Na última quinta-feira, o cineasta pediu a seus seguidores no Instagram que não assistissem à versão da Globo.

Para reforçar ainda mais o bom-mocismo de Roberto Carlos, a Globo escalou Babu Santana, que interpretou Tim Maia no filme. Além de narrar a história, ele se caracterizou novamente para a minissérie e apareceu dando o crédito a Roberto: "E foi assim, rapaziada, que o Roberto Carlos lançou o gordo mais querido do Brasil".

(Texto: Reprodução/UOL Notícias da TV)