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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Clube Militar critica e desmente editorial d'O Globo

Por meio da nota oficial intitulada "Nossa Opinião - Equívoco, uma ova!",  publicada no site da instituição, os militares não só desmentiram, como também, repudiaram o editorial mea culpa "Apoio ao golpe de 64 foi um erro", divulgado pelas Organizações Globo, no qual afirma que parceria com militares não passou de um equívoco: “Declarar agora que se tratou de um 'equívoco' é mentira deslavada”, diz entidade que reúne oficiais da ativa e ex-militares.

Nota oficial do Clube Militar - Clique aqui e leia na íntegra

Segundo o Clube Militar, o apoio incondicional do jornal O Globo ao golpe de 64, foi uma decisão política adotada por Roberto Marinho, e não um equívoco, como querem mostrar no editorial: “... o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango; em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época”.

Os militares dizem ainda na nota oficial que, a parceria entre o jornal e o regime repressor durou duas décadas: “... não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes.”


Leia abaixo um trecho da nota oficial do Clube Militar



NOSSA OPINIÃO - EQUÍVOCO, UMA OVA!

Numa mudança de posição drástica, o jornal O Globo acaba de denunciar seu apoio histórico à Revolução de 1964. Alega, como justificativa para renegar sua posição de décadas, que se tratou de um “equívoco redacional”.

Muitos puderam ler o que foi publicado na década de 60 pelo jornalão, e por certo ficaram surpresos pelo apoio irrestrito e entusiasta que o mesmo prestou à derrubada do governo Goulart e aos governos dos militares. Nisso, aliás, era acompanhado pela grande maioria da população e dos órgãos de imprensa.

Pressionado pelo poder político e econômico do governo, sob a constante ameaça do “controle social da mídia” – no jargão politicamente correto que encobre as diversas tentativas petistas de censurar a imprensa – o periódico sucumbiu e renega, hoje, o que defendeu ardorosamente ontem.

Alega, assim, que sua posição naqueles dias difíceis foi resultado de um equívoco da redação, talvez desorientada pela rapidez dos acontecimentos e pela variedade de versões que corriam sobre a situação do país.

Dupla mentira: em primeiro lugar, o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango; em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época; não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes.

Declarar agora que se tratou de um “equívoco da redação” é mentira deslavada.

Equívoco, uma ova! Trata-se de revisionismo, adesismo e covardia do último grande jornal carioca.

Nossos pêsames aos leitores.

(Reprodução: Clube Militar)

50 anos depois, O GLOBO reconhece que apoiou o golpe de 64 e a ditadura militar

Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares e reconhece que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco. (O Globo)

 Imagem: Reprodução / O Globo

— Finalmente, O Globo admite ter dado apoio incondicional aos 21 anos de governo repressor no Brasil. Antes tarde do que nunca. Tenho duas observações a fazer sobre isso. Primeira, é ridículo esse reconhecimento meio século depois de algo que todo mundo já sabia. Ninguém tinha dúvida, nem mesmo o mais ignorante dos brasileiros que, O Globo foi um importante suporte das teses da ditadura militar brasileira na mídia.

O que talvez precisa ser dito, é que toda grande imprensa apoiou o golpe militar. Não foi só O Globo. No entanto, o que precisa ser discutido, em relação ao papel do Globo, é o quanto ele tirou de vantagem dessa relação. Mas, isso apenas indicaria uma habilidade maior das Organizações Globo de negociar com os militares, em comparação aos outros empresários do setor. Roberto Marinho foi muito mais visionário na exploração dessas alianças políticas na ditadura e na longevidade desse apoio. Talvez, O Globo tenha sido o último, dos grandes jornais, a desembarcar do apoio à ditadura militar.

                               Jornal apoiou a chegada dos militares ao poder (Imagem: Arquivo O Globo)

Então, esse reconhecimento 50 anos depois, soa meio caricato e ridículo. É como se a Alemanha só reconhecesse agora as atrocidades que cometeu na Segunda Guerra Mundial. Meio século depois, me desculpe. Eu já sabia!!!

A segunda observação a ser feita, está em saber se O Globo apoiou mais do que toda grande imprensa. E mais, avaliar em quanto tempo durou esse apoio à ditadura e quanto lucrou cada veículo de comunicação. A Folha de São Paulo apoiou muito a repressão e a tortura. Segundo o relato de vários perseguidos políticos, a Folha ajudava a financiar a Oban (Operação Bandeirante), um dos braços mais truculentos da repressão política no Brasil durante a ditadura. Mas, enfim, toda a grande imprensa apoiou o golpe militar e a ditadura, assim como parte da sociedade civil brasileira.

Agora, o mais importante é saber o seguinte: Nos momentos em que foi preciso denunciar o regime, o veículo A, B ou C denunciou? Se posicionou criticamente? Independentemente? - Essa, é a análise que deveria ser feita. A questão é: Quando O Globo desembarcou desse apoio incondicional? 

Essa história de dizer que o apoio ao golpe de 64 foi um equívoco da redação, não cola. O Globo apoiou e lucrou por muito tempo, sim, com a ditadura. Sem dúvida, foi quem mais ganhou empresarialmente com isso. Esse é um fato histórico. Pare de dizer que foi culpa da redação!!! Coitada da redação!!!


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