Mostrando postagens com marcador contas secretas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contas secretas. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de junho de 2015

Atores, diretores e cineastas da Rede Globo estão na lista de contas secretas do HSBC na Suíça

Rio - Celebridades e nomes da cultura nacional estão na lista dos 86.667 brasileiros identificados por um código em contas numeradas na agência de "private bank" do HSBC em Genebra, na Suíça. Artistas como Claudia Raia, Edson Celulari, Marília Pêra, Maitê Proença, Francisco Cuoco, Tom Jobim, Jorge Amado e família integram a lista. Assim como o apresentador Jô Soares, os cineastastas e diretores da Globo Andrucha e Ricardo Waddington, o também cineasta Hector Babenco e o publicitário e idealizador do Rock in Rio Roberto Medina.


A investigação, conhecida como SwissLeaks, mostra que nos últimos anos há casos de personalidades que receberam dinheiro público atrávés da Lei Rouanet e o Fundo Nacional de Cultura. Mas não é possível estabelecer nenhuma conexão entre essa verba com o dinheiro que circulou em contas bancárias na Suíça.

A Lei Rouanet permite a empresas financiarem projetos culturais e deduzir 100% do valor gasto do seu Imposto de Renda, até o limite de 4% do imposto devido.

Segundo o HSBC, Claudia Raia foi correntista na agência de Genebra (n°34738 ZES) de 3 de maio de 2004 a 5 de novembro de 2006, com o então marido, o também ator Edson Celulari, os dois se separaram em 2010. A última retirada do banco foi em 2006/2007, a conta tinha um saldo de US$ 135 mil (cerca de R$ 430 mil).

Cláudia Raia, Edson Celulari, Jô Soares, Tom Jobim, Maitê Proença e Jorge Amado estão entre os citados

O apresentador Jô Soares aparece relacionado a quatro contas encerradas também entre 2006 e 2007 no HSBC de Genebra. Ele está no acervo de dados vazado do HSBC às publicações identificado como "ator, jornalista, escritor e animador de televisão em canais de TV no Brasil".

Segundo a reportagem, a atriz Maitê Proença está nos arquivos do SwissLeaks vinculada à conta 15869 HP, aberta em 17 de abril de 1990. Ela aparece ativa em 2006/2007 e na época em que os dados foram extraídos do HSBC o saldo era de US$ 585 mil (cerca de R$ 2 mi).

HSBC: Organizações Globo, Grupo Folha e Rede Bandeirantes abriram contas secretas na suíça

Os nomes de 22 donos de empresas de mídia e sete jornalistas aparecem na lista de clientes do banco HSBC em Genebra, na Suíça, até 2007 - algumas das contas foram fechadas antes desta data. A relação foi vazada por um ex-funcionário da instituição financeira. As informações foram divulgadas na edição de sábado do jornal Folha de S. Paulo. Entre os empresários estão Lily de Carvalho, falecida em 2011, viúva do jornalista Roberto Marinho (1904-2003), dono das Organizações Globo.

Imagem: Reprodução/Terra Notícias

Alguns dos donos do Grupo Folha também constam na lista. Octávio Frias de Oliveira (1912 - 2007), Carlos Caldeira Filho (1913-1993) e Luiz Frias mantiveram conta na instituição Membros da família Saad, proprietária da Rede Bandeirantes, também transferiram dinheiro para a Suíça, como o fundador João Jorge Saad (1919 - 1999).

O Grupo Folha e a família Frias afirmaram ao jornal "não ter registro da referida conta bancária e manifestam sua convicção de que, se ela existiu, era regular e conforme à lei". Ter conta em bancos na Suíça não é crime, desde que o dinheiro tenha sido declarado para a Receita Federal e somas acima de US$ 100 mil declaradas ao Banco Central.

(Reprodução: Terra Notícias)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

HSBC: Globo sacrifica seus artistas para poupar seus políticos

A primeira desculpa de Fernando Rodrigues para não divulgar nomes da lista do HSBC é que não queria cometer injustiças. Por isso, selecionou poucas centenas de nomes – entre quase 8 mil – e remeteu para a Receita Federal, aguardando que ela escrevesse a reportagem, provavelmente. (!).

Imagem: Reprodução/Jornal GGN

Na verdade, amarelou ao se deparar com nomes delicados e suas limitações jornalísticas impedirem de montar uma estratégia de divulgação politicamente palatável para os veículos de mídia.

Aí entra O Globo, que faz jornalismo enviesado mas, enfim, sabe fazer jornalismo.

O que interessa na lista é o embricamento entre crime organizado, lavagem de dinheiro e sistema político e financeiro brasileiro – os políticos e financistas que se aliaram no sistema de caixa 2 desde as incursões pioneiras de Marcelo Alencar com o Garantia, ainda nos anos 80, ou do Opportunity nos anos 90. É por aí que se levantará a aliança financistas-políticos-doleiros.

O resto é perfumaria.

O que O Globo vem fazendo – com Rodrigues a reboque – é aplicar o princípio do biquíni – de mostrar tudo, menos o essencial. Divulga com estardalhaço nomes ligados ao grupo ou à mídia, mostrando com isso isenção, aliás uma falsa isenção porque não há nada de mais significativo nas informações divulgadas, a não ser contas abertas e fechadas há décadas.

A primeira leva de nomes é de jornalistas e proprietários de veículos flagrados em contas não comprometedoras. Até Horácio de Carvalho – dono do Diário Carioca – falecido há décadas, foi lembrado. Os demais eram titulares de contas já fechadas, muitos deles já falecidos. De novo, apenas Luiz Frias.

A segunda rodada foi com personagens de grandes golpes com dinheiro público.

Na terceira rodada, enfia na relação de suspeitos seus artistas, usando como álibi para esse carnaval o fato de terem captado recursos através da Lei Rouanet. O que as denúncias insinuam? Que o dinheiro foi desviado para paraísos fiscais? A prestação de contas é tão severa que dois artistas que não deram conta do recado – Norma Bengell e Guilherme Fontes – tiveram suas vidas quase liquidadas.

Recorrendo ao álibi inicial de Rodrigues – de poupar inocentes -, qual a justificativa para colocar Tom Jobim, Jorge Amado e Paulo Coelho na lista de suspeitos, sabendo-se que são autores que recebem direitos autorais de todos os países do mundo? Ou então expor suas próprias estrelas à suspeita?

Se sonegaram, que paguem.

Mas o jornal os está remetendo ao altar de sacrifícios, com a suspeita de terem se apropriado indevidamente de dinheiro público, apenas para desviar o foco de personagens políticos e financeiros que certamente compõem a lista – já que existe uma relação ampla entre os nomes até agora divulgados e aqueles que constavam da CPI do Banestado.

(Texto: Reprodução/Jornal GGN)

domingo, 29 de março de 2015

HSBC: Vazamentos suíços, canalhices brasileiras no caso Swissleaks

Imagem: Reprodução/Observatório da Imprensa

Por Alberto Dines

Para mostrar-se isento, imparcial, impecável e imaginando que fazia história, a edição de sábado (14/3) de O Globo resolveu escancarar suas culpas e revelar os nomes dos empresários de mídia, herdeiros, cônjuges e jornalistas que mantinham contas secretas na Suíça.

Entre os sete profissionais vivos estão os quatro filhos deste observador agrupados como “Família Dines”. Embora classificados como “jornalistas independentes”, adultos e efetivamente independentes, aparecem identificados pelo nome do pai que apenas se prontificou a prestar esclarecimentos ao repórter já que três deles vivem no exterior há cerca de 30 anos, não têm conta bancária nem declaram rendimentos no Brasil.

O mesmo e perverso sistema que consiste em identificar as proles pelo nome dos pais não foi usado ao mencionar a conta secreta da falecida Lily de Carvalho, viúva do também falecido Roberto Marinho, cujos três filhos comandam o mais poderoso grupo de mídia da América Latina.

Seguindo a infame lógica que levou o jornal a colocar este observador no meio de supostos infratores, também os filhos de Roberto Marinho – o primogênito Roberto Irineu Marinho, o filho do meio João Roberto Marinho e o caçula, José Roberto Marinho (ou um deles em nome dos demais) – deveriam ter sido nomeados e feito declarações para explicar os negócios da madrasta.

O certo seria dar voz a João Roberto Marinho (que fala em nome da empresa e dos acionistas majoritários, além de comandar o segmento da mídia impressa) para dar as explicações que o Globo generosamente preferiu encampar no próprio texto da matéria para não macular a imagem do grande chefe.

João Roberto Marinho é uma figura decente, este observador assim se considera igualmente. João Roberto Marinho foi poupado pelos subordinados; já este observador foi incluído numa relação precária, suspeita, e que, além disso, diz respeito apenas a correntistas e/ou beneficiários.

História suja

Onde está a equidade, a isonomia? Ficou no aquário da redação alimentando a hipocrisia e a onipotência dos que se sentem senhores do mundo e da verdade. Ao jornalista profissional, crítico da mídia, persona non grata para os barões da imprensa e seus apaniguados, o rigor deste insólito código que se serve de um sobrenome para avacalhar todos os que também o usam. Nos cálculos deste observador há no Brasil outros oito membros da honrada família Dines que nada têm a ver com o caso HSBC. Ao falar de Roberto Marinho ou Octavio Frias de Oliveira, suas respectivas proles – por cavalheirismo – foram poupadas.

Este observador vive do seu salário de jornalista há 63 anos. Numa idade em que outros vivem dos direitos autorais, poupança ou investimentos, este profissional vive dos rendimentos de um PJ (pessoa jurídica) sem direito a férias, plano de saúde e outras regalias dos celetistas. Há 17 anos consecutivos é obrigado a passar dois dias por semana no Rio e nos demais trabalhando dez ou doze horas diárias para obter o suficiente para viver com algum conforto.

Se os meus filhos fossem “laranjas” como alguns idiotas das redes sociais tuitaram, as obras de sua casa no Rio – único bem que possuo –, paradas há mais de um ano, já estariam terminadas e o estresse das viagens, eliminado. Meus filhos são adultos, com mais de 50 anos, solteiros, independentes. Nunca perguntei quanto herdaram, quanto guardavam, nem onde. Não tenho conta na Suíça, não tenho poupança, CBDs, ações, investimentos nem no Brasil nem em lugar algum.

Meus filhos têm mais de 50 anos, vivem no exterior há cerca de 30 anos (exceto o caçula, no Rio, beneficiário dos irmãos). Os valores foram herdados da mãe, com quem fui casado em regime de total separação de bens, e de quem me separei em 1975. Eles estão pagando por causa das trapalhadas dos parentes maternos (a família Bloch) e o pai, que deles se orgulha, envolvido numa história suja armada por empresas jornalísticas que, para limpar o seu nome, não se importam em macular a vida, carreira, escrúpulos e sacrifícios de outros.

Pretendo continuar a viver da minha profissão, renda ela o que render, porque para mim jornalismo não é apenas sobrevivência. É opção de vida limpa, digna, honesta.

Em Tempo – O que significa ‘jornalista independente’?

Na relação das “contas secretas” no HSBC suíço divulgadas no sábado (14/3) pelo Globo e pelo blog de Fernando Rodrigues no UOL há 22 empresários de mídia e sete jornalistas: quatro deles classificados como “jornalistas independentes” e com o sobrenome Dines. Qual o critério que norteou esta classificação profissional se apenas dois deles têm diploma de jornalismo, mas deixaram o seu exercício há pelo menos 15 anos?

A explicação é simples: se arrolados em outra relação, a lista dos profissionais sairia ainda mais mirrada e a dos empresários ganharia ainda mais relevância.

Para equilibrar e mostrar que empresários e jornalistas são farinha do mesmo saco foi preciso forçar uma qualificação profissional enganosa só porque com o mesmo sobrenome há um conhecido jornalista na ativa.

(Texto: Reprodução/Observatório da Imprensa)