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quarta-feira, 17 de junho de 2015

HSBC: Globo sacrifica seus artistas para poupar seus políticos

A primeira desculpa de Fernando Rodrigues para não divulgar nomes da lista do HSBC é que não queria cometer injustiças. Por isso, selecionou poucas centenas de nomes – entre quase 8 mil – e remeteu para a Receita Federal, aguardando que ela escrevesse a reportagem, provavelmente. (!).

Imagem: Reprodução/Jornal GGN

Na verdade, amarelou ao se deparar com nomes delicados e suas limitações jornalísticas impedirem de montar uma estratégia de divulgação politicamente palatável para os veículos de mídia.

Aí entra O Globo, que faz jornalismo enviesado mas, enfim, sabe fazer jornalismo.

O que interessa na lista é o embricamento entre crime organizado, lavagem de dinheiro e sistema político e financeiro brasileiro – os políticos e financistas que se aliaram no sistema de caixa 2 desde as incursões pioneiras de Marcelo Alencar com o Garantia, ainda nos anos 80, ou do Opportunity nos anos 90. É por aí que se levantará a aliança financistas-políticos-doleiros.

O resto é perfumaria.

O que O Globo vem fazendo – com Rodrigues a reboque – é aplicar o princípio do biquíni – de mostrar tudo, menos o essencial. Divulga com estardalhaço nomes ligados ao grupo ou à mídia, mostrando com isso isenção, aliás uma falsa isenção porque não há nada de mais significativo nas informações divulgadas, a não ser contas abertas e fechadas há décadas.

A primeira leva de nomes é de jornalistas e proprietários de veículos flagrados em contas não comprometedoras. Até Horácio de Carvalho – dono do Diário Carioca – falecido há décadas, foi lembrado. Os demais eram titulares de contas já fechadas, muitos deles já falecidos. De novo, apenas Luiz Frias.

A segunda rodada foi com personagens de grandes golpes com dinheiro público.

Na terceira rodada, enfia na relação de suspeitos seus artistas, usando como álibi para esse carnaval o fato de terem captado recursos através da Lei Rouanet. O que as denúncias insinuam? Que o dinheiro foi desviado para paraísos fiscais? A prestação de contas é tão severa que dois artistas que não deram conta do recado – Norma Bengell e Guilherme Fontes – tiveram suas vidas quase liquidadas.

Recorrendo ao álibi inicial de Rodrigues – de poupar inocentes -, qual a justificativa para colocar Tom Jobim, Jorge Amado e Paulo Coelho na lista de suspeitos, sabendo-se que são autores que recebem direitos autorais de todos os países do mundo? Ou então expor suas próprias estrelas à suspeita?

Se sonegaram, que paguem.

Mas o jornal os está remetendo ao altar de sacrifícios, com a suspeita de terem se apropriado indevidamente de dinheiro público, apenas para desviar o foco de personagens políticos e financeiros que certamente compõem a lista – já que existe uma relação ampla entre os nomes até agora divulgados e aqueles que constavam da CPI do Banestado.

(Texto: Reprodução/Jornal GGN)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Artistas que apoiam Eduardo Paes fizeram shows pagos pela Prefeitura do Rio

Cadê o Ministério Público e o TRE-RJ?


Artistas que declararam voto e gravaram mensagens de apoio à campanha pela reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB) fizeram shows e até tiveram CD e festa de aniversário patrocinados pela Prefeitura do Rio na gestão do peemedebista.

Os sambistas Dudu Nobre, Diogo Nogueira, Alcione, Monarco, da Velha Guarda da Portela, e o cantor Buchecha foram os primeiros "garotos-propaganda" usados pela equipe de Paes no site da campanha, que entrou no ar no início do mês.

Um show de Alcione, por exemplo, custou R$ 210 mil.



Em comum, além da música e do apoio ao prefeito carioca, eles já foram contratados, sem licitação, pela RioTur (Empresa de Turismo do Rio de Janeiro) para fazerem shows gratuitos na cidade, como Terreirão do Samba, Homenagem a São Jorge, Dia do Trabalho e o Réveillon de Copacabana.

O cantor Dudu Nobre, que gravou o jingle da campanha de Paes e um clipe para o site da coligação do prefeito, foi um dos mais requisitados pela RioTur. Só neste ano, ele foi contratado por R$ 40 mil para cantar no Terreião do Samba, durante o Carnaval, e para a 49ª Caminhada em Homenagem a São Jorge, em abril, que reuniu mais dois grupos musicais e custou R$ 333 mil.


Em 2011, Dudu Nobre foi contratado para os shows públicos da Homenagem a São Pedro, em junho, que custaram R$ 84,8 mil, e para o show do Saint George em Paris, em abril, por R$ 42 mil. Em 2010, ele já havia cantado no Terreião do Samba por R$ 25 mil.

Para a edição deste ano do Terreirão do Samba, a RioTur contratou os sambistas Diogo Nogueira e Alcione, que também gravaram mensagens de apoio a Eduardo Paes. Os shows custaram, respectivamente, cerca de R$ 75 mil e R$ 85 mil.

Alcione também figurou entre os artistas contratados pela Prefeitura do Rio para show no Réveillon de Copacabana no dia 31 de dezembro de 2010. O show da cantora custou R$ 210 mil, segundo contrato publicado no Diário Oficial.

Diogo Nogueira, que declarou ao site da campanha que 'quando Eduardo Paes entrou eu falei agora a coisa vai andar", também foi contratado pela RioTur em 2011 para o evento "Méier 122 anos", show de aniversário do bairro da zona norte carioca feito em maio e que custou R$ 173,6 mil.

Naquele mesmo mês, o cantor Buchecha, que também gravou depoimento à campanha de Paes, foi contratado junto com o cantor Naldo por cerca de R$ 50 mil para o show do Dia do Trabalho no campo do INSS na Ilha do Governador (zona norte).


CD e show de aniversário

Já Monarco, sambista da Velha Guarda da Portela, além de shows como o Terreirão do Samba e o Baile na Cinelândia deste ano, teve projetos pessoais patrocinados pela Prefeitura do Rio.

Em agosto de 2011, por exemplo, a RioTur investiu R$ 100 mil para o evento "Show de aniversário de Monarco e convidados", realizado na quadra da Portelinha, em Madureira (zona norte).

Já em setembro de 2010, a Secretaria Municipal da Casa Civil fechou um convênio de R$ 396,4 mil com a Oficina do Parque para o projeto "Monarco, a memória do samba", que incluiu a produção de CD e DVD ao vivo, mais documentário musical e almanaque.

Ao site de campanha de Paes, Monarco elogiou a gestão Paes. "Ele revitalizou o nosso subúrbio, a nossa zona norte. Tô com ele e não abro. Tenho certeza de que minha Portela também tá e que outras escolas vão apoiar ele [sic]".

A reportagem do UOL entrou em contato com as assessorias de imprensa e empresários dos músicos. Apenas a assessoria da cantora Alcione respondeu dizendo que não foi a primeira vez que a ela fez shows no Réveillon e no Terreirão do Samba.


Matéria originalmente publicada no UOL Notícias