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domingo, 21 de junho de 2015

'A urna é a sua melhor panela', diz Tiririca na TV

Ao contrário do que disse o deputado federal Tiririca (PR), as eleições não são a oportunidade de mudar a realidade do país. Não é depositando 100% das esperanças no voto que exercemos a cada 2 anos, que vamos alterar essa realidade no Brasil. O voto obrigatório no Brasil só serve para o cidadão eleger, não serve para interferir, mudar ou atender as demandas da sociedade. Isto porque, as máfias político-partidárias se apropriaram do processo político-eleitoral no país, fazendo das eleições apenas momentos para legitimarem a sua sobrevivência e a sua permanência no poder. O voto no Brasil só serve pra isso e mais nada.

Nas grandes democracias como França, Inglaterra e EUA a atitude de votar, além de ser facultativa, serve também para decidir incontáveis demandas sociais, simultaneamente, no mesmo processo eleitoral. Até na Venezuela do ditador Nicolás Maduro é assim. Aqui, o voto só serve para eleger os candidatos que, uma vez eleitos, se tornam intocáveis. Tornam-se uma casta na qual ninguém pode chegar perto, ninguém pode prender, ninguém pode tirar do poder etc e tal.

É claro que nós não temos alternativa à política como meio de equilibrar nossas relações e evitar que nos devoremos, porque é a política que faz com que a gente organize o caminho coletivo. Mas, nós temos alternativa à essa política praticada no Brasil. Nós não temos, também, alternativa aos políticos como sociedade e aos partidos dos quais afloram. Mas, nós temos alternativa a esses políticos e a esses partidos que temos aqui. Partidos que foram transformados em máfias que disputam, única e exclusivamente, o controle do Estado. Não para transformá-lo, direcioná-lo e torná-lo num instrumento cada vez mais eficaz de atendimento ao cidadão, não. Mas, para ser o lugar do qual eles tiram a grana, a corrupção, a propina do empreiteiro, o jatinho da FAB pra implantar cabelo. A boca pra nomear o ministro amigo, o genro ladrão, a amante pelancuda e por aí vai.

Nós não temos alternativa à política como sociedade, mas temos alternativa a esta política que fazem no Brasil. Não temos alternativa aos políticos e aos partidos, mas temos alternativa ao que os políticos e os partidos se transformaram no Brasil. Pra isso, claro, precisamos pensar utopicamente. É preciso que a legislação política seja modificada para que eles percam poder e imunidades, fazendo com que o poder da sociedade se torne mais efetivo nas casas legislativas, criando mecanismos que permitam ao cidadão intervir diretamente em seus mandatos. Mecanismos que permitam aos eleitores retirarem do poder políticos corruptos, incompetentes e vagabundos. "Esse aí nos enganou, não presta, rua!!!"

Vários países têm legislações que permitem esse tipo de depuração do processo político-partidário das casas parlamentares. Aqui no Brasil isso não existe, aqui os políticos e os partidos são cidadelas blindadas ao poder da população e do próprio voto. O voto aqui só serve para elegê-los.

Nós não exercemos a cidadania no Brasil votando, somos apenas votantes, não participamos de nada que modifique, para melhor, o nosso cotidiano. Temos apenas o direito de exercer a nossa ‘votatania’. Essa incapacidade de interferir no processo, faz com que sejamos meros revalidadores desta política ineficiente, sem controle e sem vigilância. Os políticos só fazem o que querem e quando querem, eles não sofrem nenhum tipo de cobrança ou condenação quando erram.

É preciso mudar a legislação política. É preciso diminuir o poder dos políticos e aumentar a capacidade efetiva de interferência do eleitor no mandato do parlamentar e nas casas legislativas. Enquanto não subordinarmos essa gente à vontade popular, nada vai mudar. O modelo político-eleitoral brasileiro não corresponde aos direitos e aos anseios do povo. As eleições, no Brasil, não mudam a realidade, apenas legitimam o atual processo corrupto da política brasileira.

É só olhar o que mudou nas últimas 20 eleições no Brasil. O que mudou? Diminuiu a corrupção e a violência? Melhorou a educação e a saúde? O país viveu 10 anos de absoluta prosperidade na economia. Agora, pergunto o seguinte: A realidade social da população brasileira melhorou na proporção, mínima, que deveria se houvesse esse desejo político? Claro, que não! Esses programas sociais do governo são migalhas da riqueza nacional. A população vive numa situação avassaladora de indigência e miséria. É só chover pra gente ver! É só entrar no hospital público pra gente ver! Cadê o médico? Cadê o remédio? Cadê a vaga na escola? Cadê o material escolar? É isso. O país não mudou como deveria ter mudado. Em 30 anos melhoramos o quanto e o que? Está de bom tamanho? Claro, que não está!

O Estado brasileiro na visão dos políticos e dos partidos, aos quais estão filiados, não representa um instrumento para ajudar a sociedade a se organizar e trilhar um caminho de prosperidade, nunca foi. Para os partidos e para as máfias políticas, o Estado brasileiro representa apenas um duto de dinheiro. Eles não querem o poder porque o poder permite alterar a realidade e conduzir o Estado numa direção diferente, não. Eles nunca quiseram isso. Pergunto a você o seguinte: Em que direção a canalhada política conduz o Estado brasileiro, independentemente, dos partidos que integrem? Em nenhuma. O jogo deles é a mera gestão do cotidiano. É a mesma porcaria.

Neste país, os partidos fingem ser sérios antes de chegar ao poder. Enquanto fazem parte da oposição, todos são politicamente corretos. Depois que chegam lá, se acumpliciam com aquelas práticas e com aqueles esquemas corruptos da máquina pública, pecando pela omissão ou pela parceria promíscua. Assim foi com o PT antes de ser governo, e assim será com todos os outros partidos, porque neste modelo político vigente é assim que a banda toca.

Os políticos fazem com o Estado brasileiro aquilo que fazem com as prostitutas que, eventualmente, levam em suas viagens oficiais camufladamente. O Estado serve pra eles como coito cotidiano. Os enriquece, enriquece seus sócios, seus parceiros, seus parentes, seus genros, seus filhos, suas amantes e por aí vai. Vossas Excelências querem, através das eleições, é permanecer no poder, só isso. Porque é do aparato estatal que brotam, aos milhões, os recursos públicos que servem para alimentar essas máfias que os deixam cada dia mais ricos, ousados e prepotentes.

É preciso fazer uma quebra na lógica e no ritmo com que as coisas acontecem no Brasil. E essa ruptura só vai acontecer se o povo for às ruas como foi em junho e julho de 2013. O movimento popular precisa radicalizar, sim. E o seu alvo tem que ser o Estado e seus agentes. Por isso, defendo a invasão da Câmara de Vereadores, da Assembléia Legislativa e do Congresso Nacional. Enfim, defendo a tentativa de invasão ordeira de qualquer palácio pelo movimento popular, porque entendo que isso é legítimo e faz parte do jogo democrático.

A única forma de alterarmos essa realidade, é com o crescimento, o adensamento e a radicalização do movimento popular nas ruas. Só ele os fará mudar. Notem, não se trata de um ataque à instituição, à democracia e ao princípio da representação parlamentar. Trata-se de um discurso aplicado à realidade brasileira.

domingo, 9 de novembro de 2014

Eleições 2014: Com mais de 56% dos votos válidos, Pezão é eleito governador do Rio

Estamos vivendo a segunda semana de uma "nova era". A segunda semana de um Rio de Janeiro novo, segunda semana de um Rio de Janeiro que vai mudar, segunda semana do Rio de Janeiro paraíso, segunda semana do Rio de Janeiro solução dos problemas, segunda semana do Rio de Janeiro consciente e por aí vai. Estamos vivendo, portanto, nesta segunda semana uma "nova realidade". Até o dia 26 de outubro vivíamos a expectativa de saber quem conduziria essa "nova realidade" prometida pelos candidatos durante toda a campanha eleitoral.

Imagem: Reprodução / Jornal do Brasil

Tenho a impressão de que não vai acontecer nada. Não é por causa do Pezão, acho que não aconteceria nada também se fosse o Crivella. Tenho sérias dúvidas se fosse Garotinho ou Lindberg. Sabe porquê? Porque acho que não é pela via eleitoral, como está colocada aqui no Brasil, que nós vamos conseguir as mudanças que queremos. Mas sim pelo crescimento dos movimentos populares de massa nas ruas. É pelo bafo no cangote da classe política. Não é seu partido contra o meu, não sou eu contra você. Somos nós dois entendendo que os políticos são a mesma coisa, representam os mesmos valores, o mesmo jogo e a mesma lógica. Somos nós dois entendendo que isso não nos interessa mais.

Tenho pouca esperança de que Pezão representará uma mudança nesse status que tanto nos aflige. Como não creio que Crivella pudesse fazê-lo ou quisesse fazê-lo.

domingo, 26 de outubro de 2014

Eleições 2014: Saiba quais serão os desafios para o presidente que será eleito neste domingo

Domingo é dia de eleição. No primeiro turno, 28% dos eleitores resolveram não comparecer, anular ou votar em branco. Mas, para a grande maioria da população é dia de escolher o candidato que pode preencher as expectativas de um Brasil melhor. Aqueles que acham que nenhum dos dois preenchem essa possibilidade, e eu estou entre eles, simplesmente podem se dar ao conforto de não comparecerem às urnas, assim como eu não comparecerei também. Paga-se depois as multas etc e tal. É um ato político tão consciente quanto o de votar.

Imagem: Reprodução / O Globo

Vamos torcer para que o eleito possa cumprir, pelo menos, um pedacinho das promessas feitas ao longo dessa, interminável, campanha eleitoral, e que, acima de tudo, possa tratar de um assunto fundamental para o Brasil poder respirar melhor: É preciso fazer uma reforma política, pra valer, que coloque a classe política subordinada à sociedade brasileira.

No mundo inteiro, o voto não é apenas mais uma manifestação para renovar mandatos, manter ou tirar partidos do poder. O voto faz isso, mas também define várias políticas nacionais no próprio processo de eleição. Os uruguaios, por exemplo, vão fazer hoje o 1º turno da eleição presidencial. Mas, junto com o 1º turno, os eleitores uruguaios, aqui do lado, vão decidir se querem, no mesmo voto e na mesma urna, a redução da maioridade penal ou não.

Há vários temas aqui no Brasil que poderiam ser decididos no mesmo processo eleitoral, inclusive a redução da maioridade penal. Mas, não são decididos porque a classe política brasileira só quer saber do voto para efeito de renovação do seu poder e de sua permanência no controle do Estado.

Então, espero que a escolha feita neste domingo, por cada um de vocês, possa ser vitoriosa no sentido de fazer com que seu candidato cumpra, ao menos, uma pequena parte do paraíso que nos prometeu ao longo da campanha eleitoral. Fique certo de uma coisa eleitor, a partir de segunda-feira a sua vida não mudará, escolha quem quiser escolher, resulte no que resultar esta eleição, a sua vida continuará a mesma. O pais precisará de muitas outras coisas, providências e lideranças para colocar nos trilhos tudo que está fora deles. Temos muitos problemas urgentes para resolver e nós não vamos resolvê-los num prazo visível, com esta classe política e a legislação eleitoral que aí está, seja qual for o candidato escolhido.

A nossa vida não vai mudar a partir de segunda-feira! Vida que segue! Tenham um bom domingo eleitoral!

Eleições 2014: Brasileiros vão às urnas neste domingo escolher o presidente e 14 governadores

Domingo é dia de eleição. No primeiro turno, 28% dos eleitores resolveram não comparecer, anular ou votar em branco. Mas, para a grande maioria da população é dia de escolher o candidato que pode preencher as expectativas de um Brasil melhor. Aqueles que acham que nenhum dos dois preenchem essa possibilidade, e eu estou entre eles, simplesmente podem se dar ao conforto de não comparecerem às urnas, assim como eu não comparecerei também. Paga-se depois as multas etc e tal. É um ato político tão consciente quanto o de votar.

Imagem: Reprodução / O Globo

Vamos torcer para que o eleito possa cumprir, pelo menos, um pedacinho das promessas feitas ao longo dessa, interminável, campanha eleitoral, e que, acima de tudo, possa tratar de um assunto fundamental para o Brasil poder respirar melhor: É preciso fazer uma reforma política, pra valer, que coloque a classe política subordinada à sociedade brasileira.

No mundo inteiro, o voto não é apenas mais uma manifestação para renovar mandatos, manter ou tirar partidos do poder. O voto faz isso, mas também define várias políticas nacionais no próprio processo de eleição. Os uruguaios, por exemplo, vão fazer hoje o 1º turno da eleição presidencial. Mas, junto com o 1º turno, os eleitores uruguaios, aqui do lado, vão decidir se querem, no mesmo voto e na mesma urna, a redução da maioridade penal ou não.

Há vários temas aqui no Brasil que poderiam ser decididos no mesmo processo eleitoral, inclusive a redução da maioridade penal. Mas, não são decididos porque a classe política brasileira só quer saber do voto para efeito de renovação do seu poder e de sua permanência no controle do Estado.

Então, espero que a escolha feita neste domingo, por cada um de vocês, possa ser vitoriosa no sentido de fazer com que seu candidato cumpra, ao menos, uma pequena parte do paraíso que nos prometeu ao longo da campanha eleitoral. Fique certo de uma coisa eleitor, a partir de segunda-feira a sua vida não mudará, escolha quem quiser escolher, resulte no que resultar esta eleição, a sua vida continuará a mesma. O pais precisará de muitas outras coisas, providências e lideranças para colocar nos trilhos tudo que está fora deles. Temos muitos problemas urgentes para resolver e nós não vamos resolvê-los num prazo visível, com esta classe política e a legislação eleitoral que aí está, seja qual for o candidato escolhido.

A nossa vida não vai mudar a partir de segunda-feira! Vida que segue! Tenham um bom domingo eleitoral!