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sábado, 19 de novembro de 2011

OMISSÃO!!! Ministério Público denuncia Prefeitura por explosão em restaurante no Centro do Rio

Pena para fiscais de Eduardo Paespalhão pode chegar a 20 anos

O Globo

RIO - A explosão do restaurante Filé Carioca, na Praça Tiradentes, levou o Ministério Público estadual a denunciar na sexta-feira dez pessoas — entre elas o dono do estabelecimento, representantes da fornecedora de gás, o síndico do Edifício Riqueza e cinco fiscais da prefeitura —, acusadas de responsabilidade no acidente. Se elas foram condenadas, a pena pode chegar a 20 anos de prisão. Na explosão, em 13 de outubro, quatro pessoas morreram e 17 ficaram feridas.

A denúncia, assinada pelas promotoras Christiane Monnerat e Cláudia Condack, cita o dono do restaurante, Carlos Rogério do Amaral; os demais cúmplices e cinco fiscais da prefeitura, que trabalham na concessão de alvarás de funcionamento.

Acusação a "fiscais da prefeitura" inclui omissão

Os cinco fiscais da prefeitura denunciados trabalhavam na vistoria e concessão de alvarás para estabelecimentos comerciais. Leonardo de Macedo Caldas Mendonça é acusado de dar autorização provisória para o Filé Carioca em 2008 e de despachar o processo em 2011, quando não estava mais lotado na inspetoria do Centro. Alexandre Thomé da Silva e Jorge Gustavo Friedenberg de Brito são acusados de prorrogar o alvará a despeito das pendências com o Corpo de Bombeiros.
Já Maria Augusta Alves Giordano e Regina Araújo Lauria são acusadas de omissão. A primeira por não ter feito relatório fiscal da situação do restaurante e a segunda por ter "dado por esquecido processo de denúncias de irregularidades", alegando acúmulo de serviço.


Polícia: dono sabia que uso de gás era proibido

Segundo Christiane Monnerat, todos foram denunciados por expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio mediante explosão. O artigos 251 e 258 do Código Penal preveem pena de um a quatro anos de prisão e multa. Mas a pena pode ser aumentada em até 50% se o crime resulta em lesão corporal de natureza grave, ou ainda ser aplicada em dobro se ocorre morte:

— Os denunciados terão, por isso, as penas multiplicadas por quatro mortes e 17 lesões corporais — disse Christiane.

De acordo com a denúncia, os acusados agiram de forma consciente e voluntária, adotando "condutas de inegável relevância para a cadeia causal, que culminou com a explosão". A denúncia se baseou no relatório de indiciamento feito pelo delegado Antônio Bonfim, da 5 DP (Gomes Freire). O texto diz que o dono do Filé Carioca sabia que não era permitido o uso de gás naquele ponto da Praça Tiradentes, mas "autorizou e articulou com a firma SHV a instalação de seis cilindros em local inadequado e inseguro, expondo conscientemente a perigo de explosão ou envenenamento, situação que sabidamente levaria à morte de funcionários, fregueses e passantes".
Já o síndico José Carlos Nogueira é acusado de ter se omitido do dever de notificar o restaurante e informar as autoridades "sobre a alarmante situação que culminou com a explosão". O texto ressalta que José Carlos tinha pleno conhecimento da proibição de uso de gás no edifício, tanto que salientava a regra nas atas de reunião do condomínio: "É inquestionável e relevante a omissão do síndico", conclui a denúncia.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

terça-feira, 18 de outubro de 2011

DESCASO!!! Prefeito Eduardo Paes diz que não sabe quantos imóveis funcionam com alvarás provisórios

R7.com

RIO - A prefeitura do Rio de Janeiro não tem ainda um levantamento de quantos estabelecimentos comerciais funcionam com alvarás provisórios, de acordo com a Seop (Secretaria Especial de Ordem pública). Segundo a secretaria, o levantamento das permissões provisórias começou a ser feito nesta terça-feira (18), cinco dias após a explosão do restaurante Filé Carioca, no centro da cidade, “e pode levar semanas”, conforme informou a assessoria.


O prefeito Eduardo Paes (PMDB) mudou as regras para autorização de alvarás, por meio de decreto publicado no Diário Oficial do Município nesta terça-feira (18). O acidente deixou três mortos e 17 feridos, sendo três em estado grave. O restaurante funcionava comalvará provisório desde 2008, e foi renovado por cinco vezes.

O órgão disse ainda que é necessário fazer uma busca nas 19 IRLF (Inspetorias Regionais de Licenciamento e Fiscalização) para determinar quais são os estabelecimentos que estão nessas condições e, posteriormente, notificá-los.
Os donos de comércio que funcionarem com licença provisória terão até dez dias, após notificação, para conseguir aprovação do Corpo de Bombeiros, que vistoriam a segurança do estabelecimento.

A partir da publicação, todos os estabelecimentos que produzirem ou servirem comida precisarão de aprovação dos Bombeiros. Segundo a secretaria de ordem pública, apenas restaurantes com mais de 80 m2 precisavam do documento antes.

No entanto, não será fácil para os bombeiros iniciarem a fiscalização, como prometido pelo secretário de Defesa Civil, Sérgio Simões, que afirmou que já está em planejamento ações para intensificar a fiscalização nos comércios da cidade.
A corporação informou que ainda aguarda o envio da prefeitura de uma lista com o número de estabelecimentos que funcionam com alvarás provisórios para que possam iniciar as fiscalizações.

Ausência da Defesa Civil

Comerciantes que possuem lojas no prédio que explodiu na última quinta-feira (13) reclamam da ausência constante da Defesa Civil, que pode autorizar a entrada deles no edifício para a retirada de pertences.


Comerciantes que têm loja no prédio disseram que apenas um deles, que tinha uma loja de discos e CDs raros teve prejuízo estimado em R$ 600 mil.

A Defesa Civil informou na semana passada que continuaria no local da explosão até o fim dos trabalhos e que todos os comerciantes teriam a oportunidade de entrar no prédio aos poucos para a retirada dos pertences. Dezenas conseguiram recuperar alguns objetos após a explosão. O R7 tenta contato com órgão para que comente as reclamações citadas acima.

O edifício permanece interditado e a retirada de entulhos, prevista para acabar domingo (16), deve continuar até o fim da semana. As ruas que estavam interditadas há cinco dias foram liberadas às 6h30. Apenas a rua da Carioca, em frente ao restaurante, está com uma faixa de rolamento interditada. O tráfego flui sem problemas na região.

Matéria originalmente publicada no R7.com