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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Instituto de Segurança Pública desmente Sérgio Cabral e diz que casos de estupro cresceram 9,4% no Rio de Janeiro

E aí, Governador? Vai me dizer que o ISP está mentindo? Cruzados os dados do mês de fevereiro deste ano com o do mesmo período de 2012, houve 22 casos a mais de estupro e atentado violento ao pudor. A quantidade de vítimas passou de 475 para 497 – um crescimento de 4,6%.


Os casos de estupro e atentado violento ao pudor no Rio de Janeiro aumentaram 9,4% de dezembro a fevereiro de 2013 no comparativo com o mesmo período de 2012. Em números absolutos, houve 1.494 registros, ante 1.366 no ano passado. As informações constam nas estatísticas de criminalidade divulgadas mensalmente pelo Instituto de Segurança Pública do estado do Rio (ISP). Os dados foram divulgados em meio à repercussão sobre o caso da americana violentada por três criminosos dentro de uma van, no último dia 30. O grupo foi denunciado na segunda-feira pelo Ministério Público.

Um dos problemas do estupro é a subnotificação. Especialistas ouvidos pelo site de VEJA estimam que, no Brasil e no mundo, só 10% das vítimas comuniquem esse tipo de crime à polícia. “Há uma cultura machista e patriarcal no mundo de que o lugar da mulher é na cozinha, dentro de casa. Ao saber que a mulher foi estuprada, as pessoas se questionam com que roupa a vítima estava e o que fazia de madrugada na rua. Isso intimida a mulher”, afirma a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM).

No Brasil, a falta de informações precisas também dificulta o combate ao crime e a prisão dos estupradores. Os dados das delegacias de polícia não são comparados ou ligados aos dos sistemas de saúde, local de atendimento às mulheres e onde é possível detectar um crime sexual, mesmo sem que a vítima tenha procurado a polícia. Um projeto da secretaria tentará unificar a base para, em três anos, melhorar o quadro de informações sobre esse tipo de delito. Em março, foi lançado o programa Mulher: Viver sem violência, do Governo Federal, que, entre diversas ações de combate à violência contra a mulher, prevê a integração do atendimento do sistema de saúde com o do Instituto Médico Legal (IML). A mulher que sofreu um estupro, quando estiver no hospital, será atendida pelo mesmo médico que fará a coleta de provas para a perícia.

A secretaria também quer unificar os dados de cada estado, que repassarão as informações para a União. É um processo que demandará tempo porque muitas unidades da federação sequer têm o sistema informatizado. “Às vezes, quando peço informação sobre algum dado de violência contra mulher em algum estado, o sistema é manual. A Secretaria Nacional de Segurança Pública está investindo para que todo o país conheça essas informações”, explica Aparecida.

A secretaria também pretende reforçar a estrutura de atendimento do serviço telefônico 180. A ideia é que ele se transforme em uma espécie de disque-denúncia. Hoje, o número funciona como uma Central de Atendimento à Mulher, mas, no futuro, servirá de base para um banco de dados da secretaria. As mudanças propostas pela SPM incluem conectar o 180 às polícias estaduais e à Casa da Mulher – local onde serão integrados os serviços de promotoria, defensoria, juizado e delegacias especializadas no atendimento à mulher, além do serviço de transporte para levar a vítima ao hospital. A primeira dessas instituições ficará pronta em 90 dias.

Matéria originalmente publicada na Revista Veja

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Obra inaugurada por Eduardo Paes há um mês não tem encanamento de gás, dizem moradores

O Bairro Carioca foi inaugurado sob a promessa de atender mais de 2 mil famílias. Apenas 20% do empreendimento ficou pronto na ocasião da inauguração.


O que era para ser uma comemoração de um mês vivendo numa nova residência, livre do esgoto a céu aberto, de mosquitos e de infiltrações, não vai ser festejado por parte das 460 famílias que receberam as chaves de apartamentos do Bairro Carioca, em Triagem, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Passados exatos 30 dias da pomposa inauguração do conjunto, com a presença do prefeito Eduardo Paes, do governador Sérgio Cabral e da presidente Dilma Rousseff, as unidades dos lotes 1 e 3 continuam sem encanamento de gás de rua. Há também reclamações da má qualidade da água e no atraso de funcionamento da escola municipal localizada dentro do bairro.

O Bairro Carioca foi inaugurado no dia 6 de julho, sob a promessa de atender mais de 2 mil famílias. Apenas 20% do empreendimento ficou pronto na ocasião da inauguração. A estimativa do secretário Jorge Bittar, responsável pela construção com aporte de Caixa Econômica, é de que todo o empreendimento fique pronto até o fim do ano. Por enquanto, apenas 460 famílias foram contempladas.

De acordo com denúncias de moradores, houve autorização da Prefeitura para o uso de botijões de gás, o que é proibido por lei estadual desde 1976. Nesta segunda-feira (6), uma equipe da Companhia Estadual de Gás (CEG) estava visitando alguns imóveis. A equipe de reportagem do Jornal do Brasil flagrou um entregador de botijões de gás que informou ser grande o número de pedidos naquele empreendimento.


"No Lote 1, onde estou morando há um mês, ninguém tem gás encanado. Segundo me informaram operários da obra, o problema foi a instalação de um cano de plástico, o que não é permitido para gás. O trabalho teve que ser totalmente refeito, o que demandou tempo. Há 30 dias que faço uso de botijão de gás, o que foi autorizado pelos responsáveis pela construção. Apesar de ter medo de me arriscar com o botijão, não posso ficar sem cozinhar", afirmou o cadeirante Thiago Cavalheiro do Nascimento, que se mudou do Engenho da Rainha para Triagem no início do mês passado sem saber que o apartamento ainda precisava de reparos.

O casal Paula e Thiago Soares, desabrigados há dois anos, se mudou há um mês da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, para o Bairro Carioca, em Triagem. A surpresa foi ter quecomprar um botijão de gás para usar na nova residência, quando a Prefeitura prometeu gás encanado.

"Depois que fiz a mudança, os responsáveis pela obra me disseram que o gás vai demorar a chegar nos apartamentos. A encanamento ainda não foi feita. Há famílias que almoçam e jantam lanche, porque não sabiam que não teria gás no apartamento e se desfizeram dos botijões que usavam antes, acreditando que a encanamento estaria pronta", queixou-se a dona de casa Paula, mãe de dois filhos. Um deles de apenas 6 meses de idade.


"Outra promessa não cumprida pela Prefeitura foi o pagamento do frete. Tiramos quase R$ 200 do próprio bolso para a mudança. A Prefeitura não tem obrigação de pagar a minha mudança, mas não precisavam prometer", disse a moradora, referindo-se a uma promessa do secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar (PT) durante a inauguração.

Ainda segundo informações de moradores, a escola municipal construída dentro do Bairro Carioca começou a funcionar com uma semana de atraso. Só foi inaugurada no último sábado (4), pelo prefeito Eduardo Paes. O mercado popular, citado diversas vezes pela presidente Dilma Rousseff durante o discurso de inauguração do bairro, ainda não está em funcionamento.

Problemas nas vistorias

Se para aqueles que já estão vivendo na nova residência existem problemas a serem resolvidos, há quem ainda não tenha conseguido sequer se mudar.

"Da última vez que estive no apartamento que me foi prometido, as portas ainda não haviam sido colocadas. Inauguraram o condomínio, mas o meu apartamento nem tinha portas. E só vão me entregar as chaves quando eu der o aceite na vistoria do imóvel. Mas não posso aceitar morar num apartamento sem portas, me recuso e continuo aguardando o fim das obras", reclamou Margareth Xavier Lopes, que espera há um mês a oportunidade de se mudar na Favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, onde vive há três anos, na dependência de pagamento do aluguel social.

Morador da mesma comunidade, Daniel Barbosa dos Santos queixa-se das falhas que o impedem de ser o mais novo morador do Bairro Carioca.

"Meu apartamento não tem interfone, não tinha água nem instalação de gás. Vim fazer uma nova vistoria no imóvel hoje para verificar se corrigiram as falhas e se poderei me mudar o mais rápido possível. Acho arriscado a mudança para uma casa cheia de problemas", disse Daniel, do Lote 2 que, apesar de construído, ainda não tem nenhum morador.

Matéria originalmente publicada no Jornal do Brasil

ELEIÇÕES 2012: Ninguém mora nos prédios inaugurados por Eduardo Paes e Dilma

O primeiro dia de campanha eleitoral não passou de encenação: apartamentos ainda não têm luz, água e gás. Eleitor foi tratado como tolo: até hoje o local não recebeu nenhum desabrigado pelas chuvas de dois anos atrás na capital


Não se sabe se foi Dilma Rousseff quem caiu na armadilha de Eduardo Paes. Ou se foi Paes o iludido pela presidente, numa falsificação com participação também do governador Sérgio Cabral. O fato é que não passou de encenação a inauguração do conjunto habitacional Bairro Carioca, no primeiro dia de campanha das eleições municipais, no Rio de Janeiro, com participação dos três governantes. É certo também que o eleitor foi tratado como tolo: até hoje o local não recebeu nenhum desabrigado pelas chuvas de dois anos atrás na capital, e nem a claque que defendeu Dilma dos manifestantes, naquela sexta-feira, 6 de julho, ronda o canteiro de obras tocado com verbas do Minha Casa, Minha Vida, da União. O evento festivo, na ocasião, era a "entrega de chaves" aos moradores, como consta na convocação feita pela prefeitura.

Na manhã desta quinta-feira, 13 dias depois da inauguração, os únicos no Bairro Carioca, em Triagem, na região central do Rio, eram os operários, vestidos com capacete e botas para enfrentar a lama formada com a chuva. Se alguém caiu na esparrela e tentou se mudar para os prédios, ficou sem luz, sem gás e sem água: pela manhã, funcionários trabalhavam para fazer a ligação das instalações com os apartamentos.

No dia 6, a festa foi montada pelos governos federal e municipal com direito a presença de grande parte do secretariado de Paes e do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. Pipoca, balões e algodão doce foram espalhados pelo bairro para comemorar que moradores de áreas de risco ou desabrigados das chuvas teriam, novamente, uma casa. Primeiro, seriam entregues 460 unidades, nos blocos 1 e 3. Esses são os dois segmentos com as obras em estágio mais avançados. No entanto, ainda não têm condições de receber seus novos donos.


Paes chegou a ser advertido pelo Ministério Público Eleitoral para que não fosse às inaugurações. O prefeito, como contava com um desencontro entre o calendário eleitoral e o período de restrição a inaugurações – que só começava no sábado, um dia depois – manteve os planos. O problema, vê-se agora, não era o prefeito participar de uma inauguração, mas o fato de a presidente e o governador também apresentarem como pronto algo que não está terminado, no primeiro dia de campanha.

No Bloco 1 do Bairro Carioca, por exemplo, falta colocar azulejo em algumas partes, como nas escadas. O entulho precisa ser retirado, principalmente do térreo. Os móveis ainda têm de ocupar os espaços vazios, como as salas dos apartamentos. Operários que vão e vem não cessam de listar coisas ainda por fazer no Bairro Carioca, sobretudo nos blocos vizinhos. “Estamos no arremate final”. “Estou colocando a textura nas paredes”. “Farei a ligação do gás com as casas”. “Precisa tirar a terra da frente dos prédios”, dizem os trabalhadores.

Do lado de fora, mas ainda dentro do conjunto habitacional, parte da grama que enfeita a entrada dos blocos está sendo colocada. Uma quantidade de terra no entorno dos prédios denuncia que o Bairro Carioca ainda não está apto a receber seus moradores. Pias e privadas empacotadas foram posicionadas à frente dos primeiros blocos. Em uma andança pelo local, se esbarra também com poças d’água, janelas com tinta nos vidros e buracos para a criação de bueiros.

O bloco 5, cuja inauguração não estava prevista para o dia 6, fica próximo aos apartamentos que deveriam ter sido entregues. Na frente desse módulo, uma barreira de terra dificulta a passagem. Dentro, um amontoado de entulho e de material. Em todos os blocos onde o formato de uma casa está próximo, a fiação fica à mostra. Serão os novos moradores os responsáveis por colocar luz e chuveiro.

Por enquanto, o som do Bairro Carioca é de batidas dentro dos apartamentos, conversa entre os operários e, às vezes, de um pagode cantado pelos trabalhadores. Quem está lá todos os dias relata que os novos moradores passam no local para saber como estão suas casas. Por enquanto, nem é preciso entrar para perceber que a obra continua.

Segundo a prefeitura, não há nada fora do previsto e a ida dos moradores ocorrerá ainda este mês. No dia 12 houve uma reunião entre o executivo municipal e os novos habitantes do Bairro Carioca para acertar detalhes da mudança.

Matéria originalmente publicada na Revista Veja Online