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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Obra inaugurada por Eduardo Paes há um mês não tem encanamento de gás, dizem moradores

O Bairro Carioca foi inaugurado sob a promessa de atender mais de 2 mil famílias. Apenas 20% do empreendimento ficou pronto na ocasião da inauguração.


O que era para ser uma comemoração de um mês vivendo numa nova residência, livre do esgoto a céu aberto, de mosquitos e de infiltrações, não vai ser festejado por parte das 460 famílias que receberam as chaves de apartamentos do Bairro Carioca, em Triagem, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Passados exatos 30 dias da pomposa inauguração do conjunto, com a presença do prefeito Eduardo Paes, do governador Sérgio Cabral e da presidente Dilma Rousseff, as unidades dos lotes 1 e 3 continuam sem encanamento de gás de rua. Há também reclamações da má qualidade da água e no atraso de funcionamento da escola municipal localizada dentro do bairro.

O Bairro Carioca foi inaugurado no dia 6 de julho, sob a promessa de atender mais de 2 mil famílias. Apenas 20% do empreendimento ficou pronto na ocasião da inauguração. A estimativa do secretário Jorge Bittar, responsável pela construção com aporte de Caixa Econômica, é de que todo o empreendimento fique pronto até o fim do ano. Por enquanto, apenas 460 famílias foram contempladas.

De acordo com denúncias de moradores, houve autorização da Prefeitura para o uso de botijões de gás, o que é proibido por lei estadual desde 1976. Nesta segunda-feira (6), uma equipe da Companhia Estadual de Gás (CEG) estava visitando alguns imóveis. A equipe de reportagem do Jornal do Brasil flagrou um entregador de botijões de gás que informou ser grande o número de pedidos naquele empreendimento.


"No Lote 1, onde estou morando há um mês, ninguém tem gás encanado. Segundo me informaram operários da obra, o problema foi a instalação de um cano de plástico, o que não é permitido para gás. O trabalho teve que ser totalmente refeito, o que demandou tempo. Há 30 dias que faço uso de botijão de gás, o que foi autorizado pelos responsáveis pela construção. Apesar de ter medo de me arriscar com o botijão, não posso ficar sem cozinhar", afirmou o cadeirante Thiago Cavalheiro do Nascimento, que se mudou do Engenho da Rainha para Triagem no início do mês passado sem saber que o apartamento ainda precisava de reparos.

O casal Paula e Thiago Soares, desabrigados há dois anos, se mudou há um mês da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, para o Bairro Carioca, em Triagem. A surpresa foi ter quecomprar um botijão de gás para usar na nova residência, quando a Prefeitura prometeu gás encanado.

"Depois que fiz a mudança, os responsáveis pela obra me disseram que o gás vai demorar a chegar nos apartamentos. A encanamento ainda não foi feita. Há famílias que almoçam e jantam lanche, porque não sabiam que não teria gás no apartamento e se desfizeram dos botijões que usavam antes, acreditando que a encanamento estaria pronta", queixou-se a dona de casa Paula, mãe de dois filhos. Um deles de apenas 6 meses de idade.


"Outra promessa não cumprida pela Prefeitura foi o pagamento do frete. Tiramos quase R$ 200 do próprio bolso para a mudança. A Prefeitura não tem obrigação de pagar a minha mudança, mas não precisavam prometer", disse a moradora, referindo-se a uma promessa do secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar (PT) durante a inauguração.

Ainda segundo informações de moradores, a escola municipal construída dentro do Bairro Carioca começou a funcionar com uma semana de atraso. Só foi inaugurada no último sábado (4), pelo prefeito Eduardo Paes. O mercado popular, citado diversas vezes pela presidente Dilma Rousseff durante o discurso de inauguração do bairro, ainda não está em funcionamento.

Problemas nas vistorias

Se para aqueles que já estão vivendo na nova residência existem problemas a serem resolvidos, há quem ainda não tenha conseguido sequer se mudar.

"Da última vez que estive no apartamento que me foi prometido, as portas ainda não haviam sido colocadas. Inauguraram o condomínio, mas o meu apartamento nem tinha portas. E só vão me entregar as chaves quando eu der o aceite na vistoria do imóvel. Mas não posso aceitar morar num apartamento sem portas, me recuso e continuo aguardando o fim das obras", reclamou Margareth Xavier Lopes, que espera há um mês a oportunidade de se mudar na Favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, onde vive há três anos, na dependência de pagamento do aluguel social.

Morador da mesma comunidade, Daniel Barbosa dos Santos queixa-se das falhas que o impedem de ser o mais novo morador do Bairro Carioca.

"Meu apartamento não tem interfone, não tinha água nem instalação de gás. Vim fazer uma nova vistoria no imóvel hoje para verificar se corrigiram as falhas e se poderei me mudar o mais rápido possível. Acho arriscado a mudança para uma casa cheia de problemas", disse Daniel, do Lote 2 que, apesar de construído, ainda não tem nenhum morador.

Matéria originalmente publicada no Jornal do Brasil

ELEIÇÕES 2012: Ninguém mora nos prédios inaugurados por Eduardo Paes e Dilma

O primeiro dia de campanha eleitoral não passou de encenação: apartamentos ainda não têm luz, água e gás. Eleitor foi tratado como tolo: até hoje o local não recebeu nenhum desabrigado pelas chuvas de dois anos atrás na capital


Não se sabe se foi Dilma Rousseff quem caiu na armadilha de Eduardo Paes. Ou se foi Paes o iludido pela presidente, numa falsificação com participação também do governador Sérgio Cabral. O fato é que não passou de encenação a inauguração do conjunto habitacional Bairro Carioca, no primeiro dia de campanha das eleições municipais, no Rio de Janeiro, com participação dos três governantes. É certo também que o eleitor foi tratado como tolo: até hoje o local não recebeu nenhum desabrigado pelas chuvas de dois anos atrás na capital, e nem a claque que defendeu Dilma dos manifestantes, naquela sexta-feira, 6 de julho, ronda o canteiro de obras tocado com verbas do Minha Casa, Minha Vida, da União. O evento festivo, na ocasião, era a "entrega de chaves" aos moradores, como consta na convocação feita pela prefeitura.

Na manhã desta quinta-feira, 13 dias depois da inauguração, os únicos no Bairro Carioca, em Triagem, na região central do Rio, eram os operários, vestidos com capacete e botas para enfrentar a lama formada com a chuva. Se alguém caiu na esparrela e tentou se mudar para os prédios, ficou sem luz, sem gás e sem água: pela manhã, funcionários trabalhavam para fazer a ligação das instalações com os apartamentos.

No dia 6, a festa foi montada pelos governos federal e municipal com direito a presença de grande parte do secretariado de Paes e do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. Pipoca, balões e algodão doce foram espalhados pelo bairro para comemorar que moradores de áreas de risco ou desabrigados das chuvas teriam, novamente, uma casa. Primeiro, seriam entregues 460 unidades, nos blocos 1 e 3. Esses são os dois segmentos com as obras em estágio mais avançados. No entanto, ainda não têm condições de receber seus novos donos.


Paes chegou a ser advertido pelo Ministério Público Eleitoral para que não fosse às inaugurações. O prefeito, como contava com um desencontro entre o calendário eleitoral e o período de restrição a inaugurações – que só começava no sábado, um dia depois – manteve os planos. O problema, vê-se agora, não era o prefeito participar de uma inauguração, mas o fato de a presidente e o governador também apresentarem como pronto algo que não está terminado, no primeiro dia de campanha.

No Bloco 1 do Bairro Carioca, por exemplo, falta colocar azulejo em algumas partes, como nas escadas. O entulho precisa ser retirado, principalmente do térreo. Os móveis ainda têm de ocupar os espaços vazios, como as salas dos apartamentos. Operários que vão e vem não cessam de listar coisas ainda por fazer no Bairro Carioca, sobretudo nos blocos vizinhos. “Estamos no arremate final”. “Estou colocando a textura nas paredes”. “Farei a ligação do gás com as casas”. “Precisa tirar a terra da frente dos prédios”, dizem os trabalhadores.

Do lado de fora, mas ainda dentro do conjunto habitacional, parte da grama que enfeita a entrada dos blocos está sendo colocada. Uma quantidade de terra no entorno dos prédios denuncia que o Bairro Carioca ainda não está apto a receber seus moradores. Pias e privadas empacotadas foram posicionadas à frente dos primeiros blocos. Em uma andança pelo local, se esbarra também com poças d’água, janelas com tinta nos vidros e buracos para a criação de bueiros.

O bloco 5, cuja inauguração não estava prevista para o dia 6, fica próximo aos apartamentos que deveriam ter sido entregues. Na frente desse módulo, uma barreira de terra dificulta a passagem. Dentro, um amontoado de entulho e de material. Em todos os blocos onde o formato de uma casa está próximo, a fiação fica à mostra. Serão os novos moradores os responsáveis por colocar luz e chuveiro.

Por enquanto, o som do Bairro Carioca é de batidas dentro dos apartamentos, conversa entre os operários e, às vezes, de um pagode cantado pelos trabalhadores. Quem está lá todos os dias relata que os novos moradores passam no local para saber como estão suas casas. Por enquanto, nem é preciso entrar para perceber que a obra continua.

Segundo a prefeitura, não há nada fora do previsto e a ida dos moradores ocorrerá ainda este mês. No dia 12 houve uma reunião entre o executivo municipal e os novos habitantes do Bairro Carioca para acertar detalhes da mudança.

Matéria originalmente publicada na Revista Veja Online

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Desabamento no Rio: Por trás da tragédia, erros e negligência


Em O Globo: Negligência. Uma única palavra pode ser o ponto de partida para explicar a tragédia que se abateu sobre o Centro, na quarta-feira à noite, quando três prédios desabaram, matando seis pessoas e deixando seis feridos. Há ainda 20 desaparecidos que mobilizam equipes de resgate no coração da cidade. Mal começa a baixar, a cortina de poeira revela um cenário de destruição, mas também os primeiros indícios de que a lei foi, mais uma vez, ignorada. No Edifício Liberdade, no número 44 da Avenida Treze de Maio, que foi o primeiro a ruir, estavam sendo realizadas duas reformas de grande porte no terceiro e no nono andares, mas nenhuma delas tinha registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ). A última obra de que se tem notícia por ali é de 2008. “São obras irregulares, com certeza”, disse o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea, o engenheiro Luiz Antonio Cosenza. “Já entramos em contato com a empresa para que informe quem eram os engenheiros responsáveis e que obras eram essas.”

Os dois andares em questão eram ocupados pela empresa TO Tecnologia Organizacional. Sem o conhecimento de órgãos técnicos, a empresa só poderia fazer discretas intervenções. Não é o que estaria acontecendo. Há relatos de que quase todas as paredes de um dos andares haviam sido retiradas, o que pode ter sido crucial para o abalo estrutural. Porém, o advogado da TO, Jorge Willians Soares, garante que os serviços executados se limitavam à troca de carpetes antigos e à pintura de paredes. Ele prometeu entregar documentos comprovando sua versão na 5ª DP (Gomes Freire), onde já foi aberto um inquérito. O delegado Alcides Alves de Moura já ouviu o depoimento de seis pessoas, entre testemunhas e donos de imóveis no Edifício Liberdade.

Se o Plano Diretor da Cidade tivesse sido cumprido, a obra no Edifício Liberdade deveria ter sido licenciada pela Secretaria municipal de Urbanismo. Por meio de nota, o município alegou que o artigo 57 do Plano Diretor dispensa a licença prévia quando as reformas não envolvem aumento da área construída. Mas o mesmo artigo da lei prevê exceções: o licenciamento é obrigatório se a obra estiver no entorno de um bem tombado.

O Edifício Liberdade ficava ao lado do Teatro Municipal, tombado pelo Iphan desde 1973. Tão próximo que teve sua bilheteria, num prédio anexo, atingida por destroços. Não bastasse o vizinho mais próximo, ainda ficam nos arredores, que integram o Corredor Cultural do Centro, imóveis igualmente ilustres, como o Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara de Vereadores, o Museu de Belas Artes e a Biblioteca Nacional.

O subsecretário de Patrimônio Cultural, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design, Washington Fajardo, tem outro entendimento da legislação. Segundo ele, a lei não pode ser aplicada de forma genérica. “Esse item diz respeito apenas à ambiência no entorno dos prédios, mas não às partes internas de imóveis. Essa sempre foi a regra adotada pela prefeitura. Uma agência bancária que funcionava num dos prédios alterou a fachada e por isso precisou de licença prévia do Patrimônio. Se alguém quiser instalar um letreiro, isso interfere na observação do imóvel tombado e por isso terá que ser analisado”, argumentou Fajardo.

O Iphan preferiu não se manifestar por ser um órgão federal e as licenças de obras serem da alçada da prefeitura. Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, Sidney Menezes, o grande problema está na própria legislação urbanística. “As regras são confusas e dão margem a interpretações distintas. Realmente há décadas a prefeitura dispensou licenças para reformas. Mas, se existe uma outra interpretação, isso nem é uma questão para os arquitetos. Tem que ser resolvida pelos juristas”, opinou.

Foi decretado luto oficial na cidade do Rio por três dias. Se o pior se confirmar - e não forem encontrados sobreviventes sob os escombros - , terá sido um desabamento tão trágico quanto o pior deles já registrado no Rio. Em 1971, uma falha estrutural levou ao chão 122 metros do Elevado Paulo de Frontin. Na época, 26 pessoas morreram.

(…)Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Crea-RJ: Prefeito Eduardo Paes não pode mais ser omisso. Tem que fiscalizar os prédios

Desabamento de três prédios no Centro do Rio deixou 17 mortos e cinco desaparecidos

RIO - Não bastasse o jogo de empurra entre o síndico do Edifício Liberdade e a empresa Tecnologia Organizacional (TO) sobre as responsabilidades da execução de obras irregulares no prédio que desabou sobre outros dois, na Avenida Treze de Maio, na última quarta-feira (25), a Prefeitura também nega as responsabilidades de fiscalizar as modificações feitas no condomínio. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo, a Prefeitura deve fiscalizar apenas as intervenções externas, que tenham acréscimo de área, e alega que este não teria sido o caso do Edifício Liberdade.

Para o engenheiro civil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ), o argumento da Prefeitura de que a responsabilidade de fiscalização é apenas de obras externas pode ser facilmente refutado. O motivo, segundo ele, é que muitas modificações externas também foram feitas como a abertura de janelas e o aumento de área da cobertura. Em nenhumas destas mudanças a Prefeitura interveio, tampouco notificou o condomínio.

"A Prefeitura não fiscaliza os prédios do Rio de Janeiro porque não tem interesse. Não tem competência, por falta de profissionais especializados: temos uma secretaria de Urbanismo cheia de arquitetos e com pouquíssimos engenheiros especializados em estrutura", afirmou Eulálio.

Para ele, a causa da tragédia no Centro do Rio não foi apenas a empresa TO não ter apresentado laudos para obras no 3º e 9º andares, mas também o fato da Prefeitura não notificar nenhum prédio que cometa irregularidades. "Não dá para a Prefeitura continuar sendo omissa. Ela tem que assumir a tarefa de fiscalizar os prédios da cidade. É uma tarefa que lhe cabe", acusou o especialista.

Eulálio explicou ainda que no caso de realização de uma obra em quaisquer residências, o procedimento correto consiste em o proprietário contratar um engenheiro responsável para fazer o documento conhecido como Anotação de Responsabilidade Técnica e encaminhá-lo ao Crea. Depois, o proprietário deve procurar a Prefeitura, que emitirá o alvará da obra.

Advogado de síndico culpa empresa

De acordo com o advogado do síndico Paulo Renha, Geraldo Beire Simões, as obras aconteciam irregularmente desde novembro do ano passado. "No dia 4 de novembro houve uma notificação formal do condomínio à empresa TO. No dia 30 do mesmo mês a empresa apresentou um laudo alegando que o peso dos materiais de construção não representavam riscos ao prédio, mas não apresentaram ART. As irregularidades nos dois andares de obras - 0 3º e o 9º", explicou.

Matéria originalmente publicada no Jornal do Brasil

Charge - Aroeira

Por que Sérgio Cabral viaja tanto ao exterior? E por que a maioria de suas viagens quase sempre é cercada de mistério?

Blog do jornal O Globo

sábado, 28 de janeiro de 2012

Charge - Aroeira


Charge - Aroeira


DESCASO COM O POVO: Sérgio Cabral ainda não visitou o local da tragédia

TRAGÉDIA NO RIO: Imprensa mundial questiona capacidade do Rio de sediar Copa em 2014 e Olimpíadas em 2016 após desabamentos

Jornais chamam a atenção para problemas de infraestrutura e explosões recentes no Rio


RIO - O desabamento de três prédios no coração do Rio de Janeiro foi notícia no mundo inteiro, provocando questionamentos sobre a cidade que vai sediar nos próximos anos a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Em matéria sobre o caso, o "Wall Street Journal" afirma que a tragédia chama a atenção "para ainfraestrutura caindo aos pedaços da cidade que se prepara para abrigar dois eventos esportivos internacionais":

"Os aeroportos, avenidas e outras infraestruturas da cidade estão envelhecidos, e sofreram com a falta de cuidados durante as décadas de fraco crescimentoeconômico. As autoridades esperam que, com os eventos esportivos e o boom da economia, possam dar uma revitalizada na cidade litorânea", diz o jornal, lembrando ainda que o Rio vem sofrendo uma série de explosões ligadas a vazamento de gás.

O site internacional da BBC aposta no mesmo tom, mostrando preocupação pelo "estado da infraestrutura do Rio, enquanto o Brasil se prepara para receber dois eventos esportivos de grande porte".
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Matéria originalmente publicada no Globo Online

TRAGÉDIA NO RIO: Especialistas alertam que falhas na fiscalização da Prefeitura deixam população em risco

Jornal do Brasil

RIO - Uma obra ilegal seria a mais provável causa do desabamento que levou ao chão três prédios no centro histórico do Rio de Janeiro, na última quarta-feira (25). Entre mortos e feridos, fica a triste lembrança de mais um desastre que se origina em irregularidades e falta de fiscalização. Desastres como este, infelizmente, estão deixando a categoria da exceção. Em outubro do ano passado, a explosão no restaurante Filé Carioca, também no Centro do Rio, deixou três mortos e 17 feridos; em agosto, um acidente em um parque de diversões em Vargem Grande, em que um dos brinquedos se desprendeu e atingiu o público, fez dois mortos e vários feridos. No fim do ano passado, mais um susto: um pedalinho em mau estado de conservação afundou na Lagoa Rodrigo de Freitas, deixando em pânico o casal que o usava. Tudo isso deixa evidente uma grave constatação: a fiscalização, que deveria impedir práticas irregulares, não vem cumprindo sua missão, deixando a população exposta a riscos.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, observa que este não é um problema específico do Rio.

“Não temos um sistema de fiscalização moderno. Lamentavelmente, há mais de 50 anos, a fiscalização vem sempre ligada a problemas de corrupção.

Por outro lado, Guerreiro destaca o papel da parte fiscalizada, que tem uma cultura de enganar, com o famoso “jeitinho brasileiro”.

“Fiscalizar de forma presencial é quase impossível, porque tem muita coisa para ser fiscalizada. Por outro lado, a nossa cultura é aquela de tentar enganar, sobretudo o poder público, e isso acontece desde as coisas mais banais até coisas mais perigosas, como obras feitas irregularmente”, diz ele.

O presidente do Clube de Engenharia, Manoel Lapa, acredita na força da fiscalização coletiva, e acha que ela deve ser estimulada. Manoel, no entanto, condena a falta de fiscalização em obras particulares. “O Brasil está muito atrasado em relação a fiscalização de obras particulares. O poder público deveria fiscalizar as obras sob o ponto de vista da estrutura, das instalações, da vizinhança, como acontece em grandes cidades como Londres e Paris”, analisa Manoel, que lembra que, com os próximos eventos esportivos, serão feitas cada vez mais obras no país.

Perguntado sobre o assunto, o prefeito Eduardo Paes garantiu que a Defesa Civil Municipal fiscaliza sistematicamente lugares que apresentam risco.

Matéria originalmente publicada no Jornal do Brasil

A vagabundagem maldita de Sérgio Cabral em Paris


Seja por coincidência ou pelo apego ao exterior, o governador Sérgio Cabral parece amaldiçoado pelos ares do exterior. Nos últimos dois anos, as principais tragédias de cada janeiro foram marcadas pelo silêncio do mandatário. Em 2012, as más vibrações vieram de Paris. O Cabral voltou da França com a família na véspera do desabamento dos prédios no Centro do Rio.

Déjà vu

No ano passado, a situação foi a mesma na tragédia que abalou a Região Serrana. Na ocasião, Cabral só chegou ao Brasil dois dias após os deslizamentos, já que aproveitava Paris com seus seus familiares.

Déjà vu II

Em janeiro de 2010, quando deslizamentos assolaram Angra dos Reis, também surgiram rumores de que o governador estava fora do país. No entanto, ele logo esclareceu que estava em Mangaratiba, a 30 quilômetros do local da tragédia. Mesmo assim, ele manteve a controversa postura do silêncio.

Seis meses fora

Coincidência ou não, Sérgio Cabral passou seis meses do seu primeiro mandato em viagens ao exterior. A média é maior do que a do ex-presidente FHC, que ficou famoso pelo apelido de "Viajando Henrique Cardoso".

TRAGÉDIA NO RIO: Cabral chegou de Paris na véspera

Blog do jornal O Globo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eduardo Paes não assume a culpa e diz que é cedo para apontar causa de desabamentos no Centro


RIO - Em entrevista à GloboNews, na manhã desta quinta-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, reafirmou que ainda é cedo para apontar as causas dos desabamentos de três prédios no Centro da cidade. No entanto, ele afastou a possibilidade de ter ocorrido uma explosão.

"Pode ter havido falha estrutural, mas ainda é cedo para avaliar. Vamos buscar salvar vidas. As informações de que haveria obras em um andar, são apenas especulações e não dá para dizer se as obras são as causas do desabamento", afirmou Paes.

TRAGÉDIA NO RIO: Descaso e falta de fiscalização da prefeitura podem ter causado desabamento


Capas dos jornais

Desabamentos no Centro do Rio são destaque na imprensa internacional



Rio - Os desabamentos de três prédios na Avenida Treze de Maio, no Centro, são destaque em diversos jornais do mundo. O site em espanhol da rede CNN colocou a notícia da quedra na capa. O espanhol El País também noticiou o fato, assim como o argentino La Nacion, que ainda citou os possíveis danos causados ao prédio anexo do Theatro Municipal.

Tragédia: Três prédios desabam no Centro do Rio



Capas dos jornais