quarta-feira, 3 de junho de 2015

Câmara dos Deputados encerra sessão após meia hora e antecipa feriado de Corpus Christi

Meia hora depois de abrir nesta terça-feira (2) uma sessão de votações, a Câmara dos Deputados encerrou os trabalhos sem apreciar nenhum projeto e, praticamente, liberou os parlamentares a iniciarem a folga prolongada do feriado de Corpus Christi, que será celebrado nesta quinta (4). O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nem sequer compareceu à sessão desta terça. Ao lado de outros deputados, o peemedebista aproveitou o feriadão para viajar a Israel e à Rússia, em missão oficial. (G1)

Imagem: Reprodução/G1

— Eles não têm vergonha! Essa gente não tem noção do que é compostura, do que é moral, do que é bom costume. Não tem nada! Lembram das manifestações de 2013 e 15 de março deste ano? Pois é, eles não aprenderam. As manifestações não foram suficientemente claras. Milhares e milhares de pessoas ocuparam ruas, pararam cidades e deram um recado à Vossas Excelências mostrando que o povo existe. Mostramos que não somos um bando de idiotas e imbecis. Mas, os políticos brasileiros insistem em viver descolados da realidade que os cercam. Vivem em outro planeta cuidando deles.

A Câmara dos Deputados assim como as casas parlamentares no Brasil são antros de indecência, de vagabundagem, de roubalheira, de empreguismo e desvios de conduta. Os inimigos reais da sociedade brasileira estão dentro do aparato do Estado. São os políticos, os governantes e os setores que eles tomaram pra si. São os privilégios que têm e seus interesses preservados dentro do Estado pelas máfias partidárias, que tomaram este mesmo Estado, há décadas.

A Câmara dos Deputados não é um ponto fora da curva, ela é a curva. Ela, assim como todas as casas parlamentares espalhadas pelo Brasil, são casas de tolerância que permitem práticas típicas daqueles ambientes que levam esse nome. Possuem regras morais e comportamentais que podem ser apresentadas dessa forma, literariamente falando. Os políticos não são o que eles dizem que são. As instituições que eles tanto defendem são conveniências de momento, valem muito quando servem e não valem nada quando não servem. Fingem que levam isso a sério e, quando querem, mostram o que verdadeiramente são.

É claro que nas casas parlamentares existem exceções. Mas, as exceções não são exceções, são álibis. Isto porque, sendo uma minoria, elas legitimam a maioria caracterizada pelos desvios de conduta, já citados anteriormente. Então, na verdade, quem dá a essas casas de tolerância a chancela de serem casas legislativas é a presença de uma minoria séria e honesta nesses ambientes. Logo, não é possível generalizar, temos que relativizar. Essa desigualdade numérica de forças permite que a realidade da maioria se imponha e seja percebida como parte da democracia, quando na verdade, é apenas parte do bacanal do qual compartilham as máfias político-partidárias no país.

Câmara dos Deputados presta homenagem à TV Globo pelos 50 anos de apoio à classe política

A Câmara dos Deputados prestou uma homenagem à TV Globo, que está completando 50 anos. A sessão solene foi aberta pelo presidente, deputado Eduardo Cunha, do PMDB. A ideia de realizar a sessão foi dos deputados Rômulo Gouveia, do PSD, e Luiz Carlos Hauly, do PSDB. Os deputados se revezaram na tribuna para falar da importância dos 50 anos da TV Globo. “O nível alcançado no telejornalismo e nas telenovelas realmente comprovam que o caminho do sucesso tem congregado nas últimas décadas paixão e talento. Paixão e talento que fazem a modernidade tecnológica dialogar de forma intensa com a singular capacidade criativa presente nas produções televisivas da homenageada Rede Globo”, diz o deputado Eduardo Cunha, PMDB-RJ, presidente da Câmara. (G1)

Imagem: Reprodução/G1

— Cuidado com a imprensa que é amada, querida e venerada pelos políticos. Cuidado com a imprensa que é admirada pelos poderosos. Eles são o alvo importante e prioritário da ação fiscalizadora e investigadora dos jornalistas. É instintivo que eles não gostem do que a imprensa faz, onde ela atua e como ela é. O que eles querem esconder, a imprensa quer mostrar. Sempre foi assim! Então, é natural que os políticos queiram fazer o possível e o impossível para mantê-la longe ou, até mesmo, cercear sua liberdade. Políticos e governantes odeiam a imprensa! Eles não gostam de jornalistas, não gostam de jornais e não gostam de jornalismo. E é muito bom que assim seja, porque isso deixa claro que a imprensa está, minimamente, fazendo o seu trabalho. Dito isso, a pergunta que faço é a seguinte: Por que os deputados fizeram esta homenagem ao jornalismo da Rede Globo? A troco de quê?

“Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. (Millôr Fernandes)

Globo, a gente manipula você

No feriadão de Corpus Christi, STF e TSE trabalham apenas em um dia da semana

Com o feriado de Corpus Christi, na quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terão apenas um dia de julgamento durante a semana. Segundo a assessoria dos órgãos, devido ao feriado, o único dia em que haverá sessões nos tribunais será nesta terça-feira. A sessão de julgamento no plenário do STF foi cancelada. Na última quarta-feira, entretanto, foi realizada uma sessão extraordinária devido ao cancelamento. (O Globo)

Imagem: Reprodução/Jornal O Globo

— Estou cada vez mais convencido de que as figuras públicas no Brasil pertencem a uma espécie diferente da nossa. Eles não são da espécie humana! Mas, as perguntas que devem ser feitas à Vossas Excelências são as seguintes: Os senhores não têm vergonha? Não sentem nada? Não carregam um sentimento de culpa? Nada? Os senhores acham que este tipo de comportamento combina com a ética pela qual tem que abraçar? É dessa forma que querem ser vistos como referência de justiça pela sociedade que estão inseridos? Os senhores não têm absolutamente nenhum constrangimento ao perceberem que estão prejudicando a sociedade por este motivo? Os senhores não tem vergonha de fazer isso em meio a contribuintes que sustentam a máquina para a qual trabalham? Contribuintes que sustentam os senhores magistrados, os seus trabalhos, seus salários, seus carros oficiais, seus gabinetes, suas equipes... enfim, tudo!
Ilustres magistrados do STF, os senhores vivem em Marte? Na Lua? Como é que pode fazer um negócio desse! Será que ninguém se pergunta se há um pouco de imoralidade nisso? Não há nenhum constrangimento?

Estou cada vez mais convencido, também, de que o Estado brasileiro se constituiu de deformação em deformação, de deturpação em deturpação e de doença em doença num Estado “independente” e soberano dentro do Estado brasileiro. Ou seja, um país dentro do Brasil. O Estado brasileiro é um “país independente” dentro do Brasil! É isso mesmo! Tudo que está na área pública em âmbito estadual, municipal ou federal virou um país com regras próprias, valores próprios, privilégios próprios, mordomias, estabilidade e por aí vai.

Temos pobres e milionários dentro deste “país independente” chamado Estado brasileiro. Os servidores da Câmara e do Senado, por exemplo, cujo os salários estão de forma imoral acima do teto permitido por lei, são os milionários. Os professores de escolas públicas e servidores da área de saúde, com salários indecentes, são os pobres do Estado brasileiro.

Mas, a média salarial deste “país independente” chamado Estado brasileiro é muito maior do que a média salarial do povo brasileiro. Essa casta é mantida e sustentada às custas do contribuinte. Temos cerca de 15 milhões de servidores neste Estado “independente” dentro do Brasil vivendo muito melhor que o brasileiro. Notem, o que estou propondo é uma reflexão coletiva sobre o tipo de país que temos e o seu maior problema. Se ficar claro que, o aparato estatal é um privilégio pra quem está dentro dele, mesmo que esse alguém não seja um figurão, precisamos ter consciência de que isso estabelece uma cultura única. E tem mais, os habitantes deste “país independente” chamado Estado brasileiro se protegem muito, não importa em que escalão estejam quando seus valores estão sendo questionados, seja pela omissão ou pela ausência. Eles viram uma casta, um povo só unido em torno de cláusulas pétreas que lhes preservam privilégios e vantagens, que a população do país que os cerca e os sustenta não tem.

Portanto, este “país independente” chamado Estado brasileiro é o maior inimigo da sociedade. Sabe por quê? Porque esse “país” trabalha pra ele, principalmente pra ele e pensando prioritariamente nele. Com um código moral dele que é diferente do nosso. Com uma ética dele que é diferente da nossa. Com privilégios maiores do que qualquer outro segmento social possa ter. Com renda média maior do que a renda da sociedade brasileira. Com imunidades maiores e até segurança maior.

Então, qual a justificativa ética que os magistrados vão fazer com relação a essa imoralidade, a essa indecência?

Prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif (PSB), declara ponto facultativo na próxima sexta

A Prefeitura de Porto Velho decretou ponto facultativo na próxima sexta-feira (5), em razão do feriado de Corpus Christi. No feriado (4) e na sexta, todos os órgãos municipais, incluindo fundações e autarquias, não funcionarão. (G1)

Imagem: Reprodução/G1

— A troco de que servidores públicos no Brasil tem essa prerrogativa, esse direito, essa mordomia chamada ponto facultativo? Até hoje não consigo entender o que é isso! Você contribuinte, sabe o que é o ponto facultativo? Gostaria de saber também o seguinte: Quem decide isso? Baseado em que tipo de valor ou princípio se concede essa mordomia que o trabalhador comum não tem? 

— Olha, isso é uma espécie de compensação pelos serviços prestados.
— Que serviços!?
— Olha, estou fazendo isso pelas horas extras não remuneradas.
— Que horas extras!?
— Olha, estou fazendo isso diante do ‘reconhecimento coletivo’ de que eles são, de fato, ‘grandes parceiros da sociedade’.
— Que reconhecimento coletivo é esse!?
— Olha, é porque eles ‘se mataram de trabalhar’.
— Ah, eles se mataram de trabalhar, é!?

Pergunto a você, ilustre contribuinte, o seguinte: Você está satisfeito com o serviço público no Brasil? Os servidores públicos estão correspondendo, em eficiência, às demandas da sociedade? Claro que não! Nunca corresponderam! Então, que história é essa de conceder dias de folga a servidores públicos em que todos os cidadãos, que sustentam essa máquina pública, estão trabalhando!

Prefeito de Porto Velho Mauro Nazif - Foto/Divulgação
Que história é essa de servidor público trabalhar menos do que o cidadão que lhe paga o salário e que depende do serviço público! Isso é um absurdo! A ausência dele faz falta! Repartição fechada cria problema pra gente! Onde já se viu fechar um posto de saúde, em pleno dia útil, por causa de um feriado no dia anterior! Diz pra mim o que é isso!

Depois os governantes ficam ofendidos porque alguns veículos de imprensa caem de pau em cima deles. A verdade é que esses políticos não têm vergonha na cara! Não vou culpar isoladamente o servidor que tira proveito dessa situação. A culpa é do prefeito Mauro Nazif que concedeu o ponto facultativo.

Se o servidor público tem 30 dias de férias como qualquer cidadão. Se ele goza de outros privilégios que trabalhadores comuns não gozam como: Estabilidade, indemissibilidade e aposentadoria integral com remuneração próxima a da ativa. Que porcaria é essa, na qual o servidor descansa mais do que um trabalhador comum descansa! É carga de trabalho a mais? Não é verdade. Servidores têm hora exata pra entrar e sair do trabalho. Aqui ou alí, você pode ter uma sobrecarga em determinado período, mas na média o expediente é tranquilo. E tem mais, se tiver uma oportunidade de chutar o balde, eles chutam mesmo. E não adianta ficar ofendido porque é uma verdade que a população conhece.

Portanto, não tem esse papo. Eu quero que o servidor trabalhe como eu trabalho! Eu quero que o servidor corresponda ao meu imposto! Eu quero que a repartição esteja funcionando quando precisar do servidor! E tem mais, que esteja com um sorriso no rosto! Nós merecemos isso!

Prefeito Mauro Nazif, já que o senhor controla a casa legislativa do município, revogue essa palhaçada de ponto facultativo. Pare com essa invenção maluca!!! Não preste esse desserviço à população!!!

Câmara dos Deputados faz homenagem à Rede Globo pelos 50 anos de serviços prestados aos políticos

A Câmara dos Deputados realizou uma sessão em homenagem aos 50 anos da Rede Globo. Fruto de um requerimento dos deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Romulo Gouveia (PSD-PB), a solenidade contou também com a presença do vice-presidente institucional do Grupo Globo, João Roberto Marinho, que fez um discurso durante a sessão. "Dentre todos os aspectos relevantes que o grupo globo construiu no nosso país durante todos esses anos eu gostaria de destacar o jornalismo da TV Globo, um jornalismo ético, independente, imparcial, que age com isenção, correção e com agilidade", disse o deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ). (O Globo) 

Imagem: Reprodução/Jornal O Globo

— Cuidado com a imprensa que é amada, querida e venerada pelos políticos. Cuidado com a imprensa que é admirada pelos poderosos. Eles são o alvo importante e prioritário da ação fiscalizadora e investigadora dos jornalistas. É instintivo que eles não gostem do que a imprensa faz, onde ela atua e como ela é. O que eles querem esconder, a imprensa quer mostrar. Sempre foi assim! Então, é natural que os políticos queiram fazer o possível e o impossível para mantê-la longe ou, até mesmo, cercear sua liberdade. Políticos e governantes odeiam a imprensa! Eles não gostam de jornalistas, não gostam de jornais e não gostam de jornalismo. E é muito bom que assim seja, porque isso deixa claro que a imprensa está, minimamente, fazendo o seu trabalho. Dito isso, a pergunta que faço é a seguinte: Por que os deputados fizeram esta homenagem ao jornalismo da Rede Globo? A troco de quê?

“Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. (Millôr Fernandes)

Globo, a gente manipula você

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Prefeita de Campos-RJ, Rosinha Garotinho, decreta ponto facultativo nesta sexta

A Prefeitura de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, divulgou nesta segunda-feira (1º), que através do decreto 124/2015, publicado na quinta-feira (28), no Diário Oficial (DO), estabeleceu ponto facultativo nas repartições públicas municipais nesta sexta-feira (5), em função do feriado nacional de Corpus Christi, celebrado na quinta-feira (4). (Portal G1)

Imagem: Reprodução/Portal G1

— Órgão público, seja ele municipal ou estadual, não precisa de folga para trabalhar melhor. Servidores têm hora exata pra entrar e sair do trabalho. E se tiver uma oportunidade de chutar o balde, eles chutam mesmo. E não adianta ficar ofendido porque é uma verdade que a população conhece. O que eu não entendo é como a ex-governadora do Rio e atual prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho (PR), consegue manter essa tradição ordinária, anacrônica e absurda de dar ao servidor público uns dias de folga, nos quais todos estão trabalhando.

Prefeita de Campos Rosinha Garotinho - Foto/Divulgação
Quer dizer, o ponto facultativo só presta para o funcionário público. Ou seja, acaba sendo um feriado a mais pra ele, porque bancos, empresas, comércio, escritórios de advocacia e contabilidade trabalham normalmente. Então, que história é essa de não deixar o servidor público trabalhar? A ausência dele faz falta! Repartição fechada cria problema pra gente! Onde já se viu fechar posto de saúde, em pleno dia útil, por causa de um feriado no dia seguinte! Diz pra mim o que é isso!

Depois os governantes ficam ofendidos porque alguns veículos de imprensa caem de pau em cima deles. A verdade é que esses políticos não têm vergonha na cara! Não vou culpar isoladamente o servidor que tira proveito dessa situação. A culpa é da prefeita que concede o ponto facultativo.

Se o servidor público tem 30 dias de férias como qualquer cidadão. Se ele goza de outros privilégios que trabalhadores comuns não gozam como: Estabilidade, indemissibilidade e aposentadoria integral com remuneração próxima a da ativa. Então, que palhaçada é essa, na qual o servidor descansa mais do que um trabalhador comum descansa! É carga de trabalho a mais? Não é verdade. Aqui ou alí, você pode ter uma sobrecarga em determinado período, mas na média o expediente é tranquilo.

Portanto, não tem esse papo. Eu quero que você trabalhe como eu trabalho! Eu quero que você corresponda ao meu imposto! Eu quero que a repartição esteja funcionando quando precisar de você! E que esteja com um sorriso no rosto! Merecemos isso!

Prefeita Rosinha Garotinho, já que a senhora controla a casa legislativa do município, revogue essa palhaçada de ponto facultativo. Pare com essa idiotice!!!

domingo, 26 de abril de 2015

Seis razões para não comemorar os 50 anos da Globo

Sem o brilho de outras épocas, a TV Globo comemora cinco décadas de existência. Nunca a sua audiência esteve tão baixa. No dia 1ª de abril ocorreram atos em prol da cassação de sua concessão em diversas cidades brasileiras. O Rio de Janeiro contou com 10 mil pessoas. Artistas globais e a falecida viúva de Roberto Marinho integram a relação de suspeitos de crimes de evasão fiscal e serão alvo de investigação pela CPI do Senado, criada para analisar o caso batizado como “Suiçalão”.

Imagem: Reprodução/Carta Capital

Ao assumir a postura pró-tucanos durante a campanha eleitoral de 2014, a emissora perdeu parte da regia publicidade oficial com que sempre foi contemplada. Os protestos contra a TV Globo vão continuar e existem muitas razões para que os setores comprometidos com a democratização da mídia no Brasil não tenham nada a comemorar neste cinquentenário.

1. Apoio à ditadura (1964-1985) - Durante quase 20 anos, TV Globo e governos militares viveram uma espécie de simbiose. Os militares, satisfeitos por verem na telinha apenas imagens e textos elogiosos ao “país que vai para a frente”, retribuíam com mais e mais benesses e privilégios para a emissora. Ela enfrentou alguns casos de censura oficial, após a edição do AI-5 em 1968, mas o que prevaleceu foi o apoio incondicional de sua direção aos militares e a autocensura por parte da maioria de seus funcionários. Some-se a isso que a TV Globo sempre se esmerou em criminalizar quaisquer movimentos populares.

O Globo apoia a chegada do militar Castelo Branco ao poder (1964-1967)

2. O acordo que feriu os interesses nacionais - A TV Globo começou a operar de forma discreta em 26 de abril de 1965 e seus primeiros meses foram um fracasso de audiência. Sua operação só foi possível graças aos milhares de dólares que recebeu do gigante da mídia norte-americana Time-Life, apesar da emissora ainda hoje sustentar que se tratou apenas de “um contrato de cooperação técnica”. A realidade, fartamente documentada por Daniel Herz, no já clássico A história secreta da Rede Globo (1995) prova o contrário. Roberto Marinho e o grupo Time-Life contraíram um vínculo institucional de tal monta que os tornou sócios, o que era vedado pela Constituição brasileira. Foi este vínculo que assegurou à Globo o impulso financeiro, técnico e administrativo para alcançar o poderio que veio a ter.

3. O caso Proconsult - Leonel Brizola foi um dos políticos brasileiros mais combatidos pela TV Globo. Marinho nunca o perdoou por ter comandado a “rede da legalidade”, emissoras de rádio pró João Goulart, quando da renúncia de Jânio Quadros à presidência da República, em 1961. Com a vitória do golpe civil-militar de 1964, Brizola foi para o exílio e só pode retornar ao Brasil com a anistia, em 1979.

O Caso Proconsult foi uma tentativa de fraude nas eleições de 1982 para inviabilizar a vitória de Brizola para o governo do Rio de Janeiro. A fraude foi denunciada pelo Jornal do Brasil,então o principal concorrente de O Globo e relatada pelos jornalistas Paulo Henrique Amorim, Maria Helena Passos e Eliakim Araújo no livro Plim Plim, a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral (Conrad, 2005). Devido à participação de Marinho no caso, a tentativa de fraude é analisada no documentário britânico Beyond Citizen Kane, de 1993. A TV Globo defendeu-se argumentando que não havia contratado a Proconsult e que baseava a totalização dos votos em apuração própria. Em 15 de março de 1994, Brizola, como governador, voltou a vencer a TV Globo ao obter, na Justiça, direito de resposta na emissora contra críticas de que era vítima.

4. Ignorou as Diretas Já - O primeiro grande comício das “Diretas-Já” aconteceu em São Paulo, em 25 de março de 1984 e coincidiu com o 430º aniversário da cidade. A TV Globo tratou o comício da Sé como um dos eventos comemorativos do aniversário da cidade, diminuindo deliberadamente sua relevância política. Omissões semelhantes repetiram-se em outras capitais. De acordo com o ex-vice-presidente das Organizações Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, em entrevista ao jornalista Roberto Dávila, na TV Cultura, em dezembro de 2005, foi o próprio Roberto Marinho, quem determinou a censura daquele comício, impedindo que manifestantes fossem ouvidos e proibindo o aparecimento do slogan "Diretas Já".

A versão de Boni é diferente da que aparece no livro Jornal Nacional - A Notícia Faz História (Zahar, 2004), e que representa a versão da Globo. Aliás, a emissora vem tentando reescrever a sua história e, ao mesmo tempo, reescrever a própria história brasileira. A partir das Diretas-Já teve início a utilização, pelos movimentos populares, do bordão “O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo”.

5. Contra a democratização da mídia - Todos os países democráticos possuem regulação para rádio e televisão. No Reino Unido, por exemplo, a mídia e sua regulação caminharam juntas. Quando, em 2004, o governo Lula enviou ao Congresso Nacional projeto de lei criando o Conselho Nacional de Jornalismo, uma espécie de primeiro passo para esta regulação, foi duramente criticado pela mídia comercial, TV Globo à frente. Desde sempre, as Organizações Globo foram contrárias a qualquer medida que restrinja o poder absoluto que a mídia desfruta no Brasil. Prova disso é que o Capítulo V da Constituição brasileira, que trata da Comunicação Social, até hoje não saiu do papel.

Os compromissos dos mais diversos movimentos sociais brasileiros com a regulação da mídia foram reafirmados durante o 2º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, de 10 a 12 de abril em Belo Horizonte. Sua carta final, “Regula Já! Por mais democracia e mais direitos”, conclama movimentos sociais e ativistas a unirem forças para pressionar o governo a abrir o diálogo com a sociedade sobre a necessidade de se regular democraticamente a mídia.

6. Manipulação - Na eleição de 1989, a TV Globo manipulou o último e decisivo debate entre o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva e o do PRN, Fernando Collor. No telejornal da hora do almoço, a emissora fez uma edição equilibrada do debate. Para o Jornal Nacional, houve instruções para mudar tudo e detonar Lula, editando-se os seus piores momentos e os melhores de Collor. Desde então, pesquisas e estudos sobre este “caso” têm sido feitas, destacando-se as realizadas por Venício A. Lima, professor aposentado da Universidade de Brasília.

Nas redes sociais, internautas repudiaram a cobertura feita pela TV Globo e alcançaram, durante 48 horas ininterruptas, para a hashtag #Globogolpista, a primeira posição entre os assuntos mais comentados do Twitter. Novos protestos estão previstos.

Este já é o pior aniversário da TV Globo em toda a sua história.

*Ângela Carrato é jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG. Este artigo foi publicado no blog Estação Liberdade

(Texto: Reprodução/Carta Capital)

terça-feira, 7 de abril de 2015

Semana Santa no Supremo Tribunal Federal começou na segunda-feira

Oficialmente, o feriado da Semana Santa foi só na sexta-feira. Para a cúpula do Judiciário, porém, a festividade cristã foi mais longa e começou antes. No Supremo Tribunal Federal (STF), não houve julgamentos durante a semana inteira. Todas as sessões foram canceladas nesta semana. E não é por falta de trabalho: existem 449 processos prontos para serem julgados em plenário, faltando apenas serem agendados. A fila do tribunal tem 57.808 processos. (O Globo)

Imagem: Reprodução/O Globo

— Estou cada vez mais convencido de que as figuras públicas no Brasil pertencem a uma "espécie diferente da nossa. Eles não são da espécie humana!" Mas, as perguntas que devem ser feitas à Vossas Excelências são as seguintes: Os senhores não têm vergonha? Não sentem nada? Não carregam um sentimento de culpa? Nada? Os senhores acham que este tipo de comportamento combina com a ética pela qual tem que abraçar? É dessa forma que querem ser vistos como referência de justiça pela sociedade que estão inseridos? Os senhores não têm absolutamente nenhum constrangimento ao perceberem que estão prejudicando a sociedade por este motivo? Os senhores não tem vergonha de fazer isso em meio a contribuintes que sustentam a máquina para a qual trabalham? Contribuintes que sustentam os senhores magistrados, os seus trabalhos, seus salários, seus carros oficiais, seus gabinetes, suas equipes... enfim, tudo!

Ilustres magistrados do STF, os senhores vivem em Marte? Na Lua? Como é que pode fazer um negócio desse! Será que ninguém se pergunta se há um pouco de imoralidade nisso? Não há nenhum constrangimento?

Estou cada vez mais convencido, também, de que o Estado brasileiro se constituiu de deformação em deformação, de deturpação em deturpação e de doença em doença num Estado “independente” e soberano dentro do Estado brasileiro. Ou seja, um país dentro do Brasil. O Estado brasileiro é um “país independente” dentro do Brasil! É isso mesmo! Tudo que está na área pública em âmbito estadual, municipal ou federal virou um país com regras próprias, valores próprios, privilégios próprios, mordomias, estabilidade e por aí vai.

Temos pobres e milionários dentro deste “país independente” chamado Estado brasileiro. Os servidores da Câmara e do Senado, por exemplo, cujo os salários estão de forma imoral acima do teto permitido por lei, são os milionários. Os professores de escolas públicas e servidores da área de saúde, com salários indecentes, são os pobres do Estado brasileiro.

Mas, a média salarial deste “país independente” chamado Estado brasileiro é muito maior do que a média salarial do povo brasileiro. Essa casta é mantida e sustentada às custas do contribuinte. Temos cerca de 15 milhões de servidores neste Estado “independente” dentro do Brasil vivendo muito melhor que o brasileiro. Notem, o que estou propondo é uma reflexão coletiva sobre o tipo de país que temos e o seu maior problema. Se ficar claro que, o aparato estatal é um privilégio pra quem está dentro dele, mesmo que esse alguém não seja um figurão, precisamos ter consciência de que isso estabelece uma cultura única. E tem mais, os habitantes deste “país independente” chamado Estado brasileiro se protegem muito, não importa em que escalão estejam quando seus valores estão sendo questionados, seja pela omissão ou pela ausência. Eles viram uma casta, um povo só unido em torno de cláusulas pétreas que lhes preservam privilégios e vantagens, que a população do país que os cerca e os sustenta não tem.

Portanto, este “país independente” chamado Estado brasileiro é o maior inimigo da sociedade. Sabe por quê? Porque esse “país” trabalha pra ele, principalmente pra ele e pensando prioritariamente nele. Com um código moral dele que é diferente do nosso. Com uma ética dele que é diferente da nossa. Com privilégios maiores do que qualquer outro segmento social possa ter. Com renda média maior do que a renda da sociedade brasileira. Com imunidades maiores e até segurança maior.

Então, qual a justificativa ética que os magistrados vão fazer com relação a essa imoralidade, a essa indecência?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Feriadão de Páscoa começou terça-feira na Câmara dos Deputados

O feriado de Páscoa começa na noite de terça-feira (31) para os 513 deputados federais. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), defendeu a folga prolongada sob o argumento de que as viagens nesse período ficarem mais difíceis e caras. (Folha de S.Paulo)


Imagem: Reprodução/Folha de S.Paulo 

— Eles não têm vergonha! Essa gente não tem noção do que é compostura, do que é moral, do que é bom costume. Não tem nada! Lembram das manifestações de 2013 e 15 de março deste ano? Pois é, elas não aprenderam. As manifestações não foram suficientemente claras Milhares e milhares de pessoas ocuparam ruas, pararam cidades e deram um recado à Vossas Excelências mostrando que o povo existe. Mostramos que não somos um bando de idiotas e imbecis. Mas, os políticos brasileiros insistem em viver descolados da realidade que os cercam. Vivem em outro planeta cuidando deles.

A Câmara dos Deputados assim como as casas parlamentares no Brasil são antros de indecência, de vagabundagem, de roubalheira, de empreguismo e desvios de conduta. Os inimigos reais da sociedade brasileira estão dentro do aparato do Estado. São os políticos, os governantes e os setores que eles tomaram pra si. São os privilégios que têm e seus interesses preservados dentro do Estado pelas máfias partidárias, que tomaram este mesmo Estado, há décadas.

A Câmara dos Deputados não é um ponto fora da curva, ela é a curva. Ela, assim como todas as casas parlamentares espalhadas pelo Brasil, são casas de tolerância que permitem práticas típicas daqueles ambientes que levam esse nome. Possuem regras morais e comportamentais que podem ser apresentadas dessa forma, literariamente falando. Os políticos não são o que eles dizem que são. As instituições que eles tanto defendem são conveniências de momento, valem muito quando servem e não valem nada quando não servem. Fingem que levam isso a sério e, quando querem, mostram o que verdadeiramente são.

É claro que nas casas parlamentares existem exceções. Mas, as exceções não são exceções, são álibis. Isto porque, sendo uma minoria, elas legitimam a maioria caracterizada pelos desvios de conduta, já citados anteriormente. Então, na verdade, quem dá a essas casas de tolerância a chancela de serem casas legislativas é a presença de uma minoria séria e honesta nesses ambientes. Logo, não é possível generalizar, temos que relativizar. Essa desigualdade numérica de forças permite que a realidade da maioria se imponha e seja percebida como parte da democracia, quando na verdade, é apenas parte do bacanal do qual compartilham as máfias político-partidárias no país.

Quem não faz 'negociata' leva a pior, diz conselheiro da Receita investigado em fraude de R$ 19 bilhões

Em conversa interceptada pela Polícia Federal, um dos integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de "tribunal" que avalia recursos de contribuintes em débito com a Receita, afirma que o órgão se tornou um "balcão de negócios" e, no cotidiano de julgamentos, quem não faz "negociata" leva a pior. Na escuta, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, um dos investigados por participação no esquema para favorecer grandes empresas, afirma ainda que só "coitadinhos" têm de pagar impostos. "Quem não pode fazer acordo, acerto - não é acordo, é negociata - se fode", continua ele. "Eles estão mantendo absurdos contra os pequenininhos e esses grandões estão passando tudo livre, isento de imposto. É só pagar taxa", continua Cortez. (O Estado de S.Paulo)

Imagem: Reprodução/O Estado de S.Paulo

— Muita gente acha que o resultado da bandalheira no Brasil é culpa apenas da cúpula ocupada fisicamente pelos políticos e seus protegidos diretos. Infelizmente, não é. Quem dera que a nossa tragédia fosse apenas essa. Na verdade, o que está corrompido, poluído e podre é a máquina pública inteira. Da portaria à presidência! O corpo funcional do setor público, salvo raríssimas exceções, está impregnado de desvios de conduta. Minha gente, esse é o Estado brasileiro, um Estado ladrão, um Estado caro, um Estado corrupto, um Estado ineficiente, um Estado que cuida apenas de si mesmo. Esse, pra mim, sempre foi e continua sendo o grande inimigo da sociedade brasileira.

domingo, 29 de março de 2015

Operação da PF apura desvios de R$ 19 bilhões na Receita Federal

As investigações iniciadas em 2013 apontaram que grupos de servidores estariam manipulando o trâmite de processos e o resultado de julgamentos no conselho. A Operação Zelotes pode ser maior que a Lava Jato, que apura desvios da ordem de R$ 10 bilhões. A organização atuava no órgão patrocinando interesses privados, buscando influenciar e corromper conselheiros com o objetivo de conseguir a anulação ou diminuir os valores dos autos de infração e da Receita, o que resultaria em milhões de reais economizados pelas empresas autuadas em detrimento do erário da União. (O Estado de S.Paulo)

Imagem: Reprodução/O Estado de S.Paulo

— Minha gente, o Estado brasileiro existe, única e exclusivamente, para roubar a sociedade brasileira. Ele é o maior inimigo da sociedade. Vejam que, a roubalheira no Brasil não é só culpa das máfias político-partidárias. Quiséramos nós que fossem apenas as máfias políticas a face corrupta do Estado brasileiro, infelizmente não é. A máquina pública, institucional e funcional, está profundamente comprometida com a corrupção. O tamanho, a abrangência e a disseminação dos casos mostra que nós temos um inimigo sério a enfrentar, que é o Estado brasileiro e seu vício em roubar a sociedade. Ele está para o roubo assim como os zumbis da cracolândia estão para o crack. O Estado brasileiro e seus agentes, públicos e políticos, são dependentes químicos da roubalheira.

A voz das ruas pelo Brasil, contra Dilma Rousseff

A população foi às ruas contra os políticos, contra o Estado e contra o desrespeito que os governantes e seus agentes manifestam sistematicamente contra a população. Estamos num país onde as coisas acontecem pra esculachar o cidadão, pra nos tratar como se fossemos um povo de quinta categoria. Nos tratam assim o tempo todo. Onde podem nos tratar dessa forma, eles tratam mesmo. Notem, ninguém está contra a democracia, ninguém está atacando a ideia das instituições existirem. Não é por aí. Ninguém está pedindo a mudança de regime!

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Os manifestantes não estão pedindo nesse clamor nada que já não exista em nações muito menos ricas que a nossa. A Argentina, o Uruguai e o Chile tem coisas que nós pedimos aqui há muito tempo e muito melhores. Não estamos pedindo nada que seja inalcançável. Estamos pedindo coisas que já estão aí no mundo, na sociedade moderna como: Escolas que eduquem nossos filhos; Hospitais que nos curem; Transporte que nos leve e que nos traga com preço que possamos pagar; Polícias que nos deem segurança; Políticos que não nos roubem etc. Será que estamos pedindo tanta coisa assim meu Deus? Será que é tão difícil perceber isso? 

Estamos pedindo um país mais sério, um Estado mais sério, agentes públicos mais sérios. Repartições que funcionem, filas que sejam menores, tempo de atendimento que seja menor. Enfim, RESPEITO. Queremos também a compreensão, por parte dos políticos, de que nós somos os patrões. São valores e conquistas que já estão consolidadas em vários países do mundo, e que nós não podemos ter. Como assim não podemos ter? Nós pagamos a maior taxa tributária do mundo. Nossas passagens de ônibus são umas das mais caras do mundo e o nosso transporte "público" é um dos piores do mundo. Por que? A troco de que? Pra dar lucro a quem?

Então, esse basta é um basta geral. É um movimento por coisas básicas e primárias que o governo e os agentes públicos têm que conceder. Os movimentos sociais querem apenas ajustes de comportamento por parte do Estado, dos governantes e de seus agentes públicos.

Em vez de vir a público apenas pra dizer que as manifestações fazem parte da democracia, a presidente Dilma tem que dizer o seguinte: “Vamos atender o pedido das ruas! Vamos resolver! Isso vai mudar! A Assembléia que custa R$ 2 milhões, vai custar R$ 800 mil. Mordomias de deputados serão cortadas e verbas de gabinetes também”. É isso! O Estado tem que apertar o cinto dele e não o nosso para garantir a sobrevivência e a mordomia dele. Tem muita coisa que dá pra fazer e não é preciso que a rua diga o que é, a rua já disse o que quer: RESPEITO, RESPEITO, RESPEITO!

Parabéns, ao povo brasileiro! Parabéns por estar discutindo política, parabéns por estar se mobilizando e entendendo a importância de se intervir no processo político. É fundamental que, o país e nós brasileiros, tenhamos cada vez mais vontade de tomar a política em nossas mãos e conduzi-la para onde queremos que ela vá. E não deixá-la nas mãos dessas quadrilhas político-partidárias que a dominam há décadas.