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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O Globo faz cobertura tendenciosa a favor do governo e tenta criminalizar protesto de professores grevistas

Segundo o jornal, os professores teriam dado "apoio incondicional" aos Black Blocs, grupos radicais que protagonizam cenas de vandalismo na cidade em meio aos protestos. Isso é mentira. O que o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) quis dizer, é que os Black Blocs são bem-vindos quando agem de forma pacífica em apoio às manifestações. Como aconteceu na expulsão dos professores da Câmara de Vereadores, onde Black Blocs ajudaram a defender os docentes da truculência da Polícia Militar, agindo como bons aliados numa ação colaborativa. Como podemos ver, O Globo, mais uma vez, tenta manipular a opinião pública em prol do governo e contra os interesses da população.

Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

Para quem não sabe, apoio incondicional quer dizer o seguinte: Se os Black Blocs fizerem uma manifestação pacífica, serão apoiados. Se os Black Blocs botarem pra quebrar, depredando e vandalizando, também serão apoiados. Isso é apoio incondicional.

Portanto, O Globo está exagerando e sendo tendencioso ao dizer que os professores grevistas apoiam de forma incondicional os Black Blocs. Isso é mentira. Até porque, o que os professores querem é que o movimento seja percebido e suas reivindicações sejam discutidas pela sociedade. É isso que eles querem. Os professores não querem ficar discutindo Black Blocs. Viu, O Globo!!!

De acordo com o Sepe-RJ, os Black Blocs são bem-vindos apenas quando agem como força legítima da sociedade, para exigir dos governantes melhores condutas diante dos interesses sociais. E não para deturpar com ações que esse movimento dos professores não aceita e não endossa. Então, nesse sentido, não teve apoio incondicional nenhum.

O fato é que a manipulação da notícia, sempre feita pelo jornal O Globo, para produzir um efeito criminalizante dos fatos, não pode se estender aos professores. Acho perigoso e nocivo sugerir que o movimento dos professores e os Black Blocs estejam irmanados incondicionalmente.

#diadoprofessor

Jornal O Globo tenta desqualificar manifestação de professores grevistas

Segundo a publicação, a liderança do movimento grevista dos professores teria ligação político-partidária com o PSOL e o PSTU. Ora, não tenho nenhuma dúvida sobre a existência de um possível apoio partidário ao movimento. Aliás, não conheço nenhuma organização popular que não tenha suas identificações no mundo da política. Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Dilma Rousseff são políticos profissionais, tudo que eles fizeram na vida esteve ligado a um projeto político. As pessoas que ocupam o comando do Estado brasileiro estão lá, porque fizeram o caminho da política-partidária.

Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

Então, me parece caricato quando alguém tenta desqualificar um movimento popular legítimo por conta disso. Não entendo o porquê desta reação criminalizante do eventual caráter político-partidário da liderança dos professores. Essa tentativa de dar um caráter criminoso ao movimento, por este motivo, não altera em nada a legitimidade das manifestações. Viu, O Globo!!!

As pessoas estão nas ruas para cobrar mudanças no comportamento de um Estado que você, O Globo, mais apoia do que critica. De um sistema político que você mais apoia do que critica. Que a Band, a Record e o SBT mais apoiam do que criticam. Enfim, a essência da relação da grande imprensa com o Estado brasileiro é de parceria, cumplicidade e mútua conveniência. Chega a ser uma relação de razoável proteção e blindagem.

Portanto, O Globo, a tentativa de criminalizar o que está acontecendo, é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo. 

#diadoprofessor

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dilma Rousseff é alvo de protesto no Rio, e segurança abafa manifestantes

No primeiro dia de campanha eleitoral, Dilma acompanhou o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, em dois eventos


DO RIO - A presidente Dilma Rousseff foi alvo, pelo segundo dia consecutivo, de protestos de estudantes e professores de universidades federais, em greve há mais de um mês.

Seguranças da Presidência empurraram manifestantes e rasgaram um cartaz.


No primeiro dia de campanha eleitoral, Dilma acompanhou o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, em dois eventos.

No primeiro deles, a entrega de 460 unidades do Minha Casa, Minha Vida, na zona norte, cerca de 20 estudantes protestaram durante o discurso da presidente. Pediam a aprovação de projeto que destina 10% do PIB para a educação.

Por duas vezes, Dilma teve que parar. Na segunda, disse ao prefeito: "Meu querido, não vou brigar com eles".

Nesse momento, Paes -que não falou durante o evento- levantou-se e batendo palmas, puxou o coro "olê, olá, Dilma" para abafar os manifestantes.

Ela foi, depois, inaugurar ala do hospital municipal Miguel Couto, na zona sul. Encontrou cerca de 50 professores federais, contidos sem confusão.

Paes contrariou recomendação do Ministério Público para que não participasse de eventos. Aproveitou brecha na legislação que autorizou, neste ano, a presença de candidatos em inaugurações no primeiro dia de campanha. Ele teve aval do Tribunal Regional Eleitoral.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sérgio Cabral admite incompetência, mente e diz que a educação no Rio está um lixo


Sem querer criar arestas com PT e PSDB, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), dá nota dez ao primeiro ano da presidente Dilma Rousseff e defende as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.
"Qualquer discurso caricato antiprivatização eu rejeito preliminarmente", declara.
Cabral, 48, que teve suas ligações pessoais com os empresários Eike Batista (EBX) e Fernando Cavendish (Construtora Delta) escancaradas após acidente na Bahia em junho, se defende: "Nunca misturei relações pessoais com decisões públicas".
Em entrevista no Palácio Laranjeiras, ladeado por seus homens fortes -o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o secretário da Casa Civil, Regis Fichtner-, Cabral faz um balanço do seu governo (sem dar nota).
Diz que a corrupção policial e o tráfico de drogas diminuíram. Reconhece a "situação vexatória" na educação, mas promete melhora. E avisa que José Mariano Beltrame é "candidato a secretário de Segurança até 2014".

Folha - Qual a sua avaliação política do governo Dilma?

SÉRGIO CABRAL - Confesso a minha total felicidade com o governo, como gestor. Uma pessoa como a Dilma, uma mulher, que milhões de brasileiros passaram a conhecer durante o processo eleitoral, era uma incógnita.

Ela soube impor o estilo dela, avaliar o quadro internacional com muita serenidade, fazer o país avançar. Manter os fundamentos macroeconômicos, fazer uma política fiscal dura como fez é de muita competência. O primeiro ano da Dilmaé nota 10.

Como o sr. enxerga a questão político-partidária de uma forma mais ampla? Como o sr., que já foi do PSDB, analisa o impacto desse "Privataria Tucana" [livro que trata de supostos desvios de recursos durante privatizações do governo FHC]?

"Privataria". Acho uma bobagem esse discurso.

O presidente Fernando Henrique fez muito bem ao Brasil ao abri-lo para investidores nacionais e estrangeiros, ao permitir, no caso da exploração do petróleo e do gás, a entrada de empresas nacionais e multinacionais, acabando com o monopólio da Petrobras e com o monopólio da Telebras e abrindo para investidores nacionais e as telecomunicações.

Qualquer discurso caricato antiprivatização eu rejeito preliminarmente. Esse momento internacional permite um discurso falso, demagógico e arriscado, de que o Estado é capaz de tudo. Pelo contrário, o Estado precisa cada vez mais das parcerias público-privadas.

A aliança PT-PMDB é muito positiva para o Brasil, para a governabilidade.

O que o sr. vai fazer em 2014?

Cuidar de reeleger a Dilma, o Michel Temer, e ajudar a eleger o Pezão, porque acho que essas conquistas do Rio são muito importantes de terem continuidade. Antes, em 2012, eleger o Eduardo Paes [prefeito do Rio].

Mas qual o seu futuro político?

Terminar o dever de casa. Tem três anos ainda. Termino com um Rio muito melhor do que o que encontrei em 2006 e sem nenhuma ansiedade do processo político.

Não tenho nenhum pensamento esquizofrênico de ocupar nem o lugar do Temer nem o da Dilma. Falo isso para os meus aliados. Imagina eu ficar vislumbrando a hipótese de ocupar o lugar de pessoas que eu apoiei, que estão no primeiro mandato e que eu quero que dê certo. Não faz sentido isso.

Um dos pontos polêmicos do ano foi a sua relação com empresários que tiveram incentivos, foram doadores de campanha, a sua vida privada e a pública entremeadas nos casos com Eike Batista e a Construtora Delta. Essa relação é inevitável?

Nunca misturei relações pessoais com decisões públicas. Nunca.

O sr. não acha que viajar num jatinho de um empresário que tem relações com o Estado...

Não tem relações com o Estado.

Eike Batista não tem relações com o Estado, não recebe incentivos?


Mas várias empresas [recebem]. Me dói falar sobre isso porque tem um lado pessoal, emocional forte. Nunca misturei qualquer decisão pública minha com o fato de ter relações pessoais.

Eike Batista é um empresário, um dos maiores empreendedores do planeta, que não deixou de estar ao lado do Rio. Os incentivos que dei para a Nissan vir para o Rio, os que dou para a EBX ou para a Michelin são incentivos de políticas públicas.

E no caso da Delta?

A mesma coisa.

Essas empresas são doadores de campanha. O que o sr. acha do financiamento público?

Sou favorável ao financiamento público. Ele dá maior transparência e maior visibilidade aos recursos que vêm para os partidos.

Por que entrar no Supremo contra os pedidos de informações que os deputados fazem ao Executivo?

Qualquer ação exige procedimentos, porque senão anarquiza, desorganiza. Solicitamos a organização do processo. Pedidos têm que passar pela comissão [da Assembleia], como acontece na Câmara dos Deputados e no Senado.

A polícia do Rio está menos corrupta?

Conseguimos acabar com a politização da segurança. Foi um choque cultural e de gestão. Deputado não nomeia mais comandante do batalhão, delegado. Uma felicidade enorme ter escolhido um policial honesto, sério, e trabalhador.

Há um permanente combate à má conduta, à milícia, por exemplo. No governo da minha antecessora foram presos menos de 40 milicianos. Já prendemos mais de 600, 700, mil.

O secretário José Mariano Beltrame vai ser candidato?

É candidato a secretário de Segurança até 2014. Ele não é político, ele é um policial.

O tráfico de drogas diminuiu?

Diminuiu. Foi um jogo de ganha-ganha. Escasseou a droga, escasseou a arma e aumentou o valor imobiliário das residências.

O sr. elegeu educação como prioridade, mas o Rio vai muito mal em educação. Está em penúltimo no Brasil.

Na educação eu errei no primeiro mandato: mantive a politização na ponta, nascoordenadorias. [O secretário Wilson] Risolia está fazendo um trabalho emocionante. É vexatória a situação. Vigésimo sexto no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] me envergonhou profundamente. Meu compromisso é estar entre os cinco do Ideb em 2014.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo