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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Brasil tem 6 milhões de pessoas vivendo em situação de pobreza

Esse número abrange indivíduos que, além de não terem renda, vivem sem acesso a educação ou saúde ou condições de vida consideradas decentes (com água, luz e saneamento, por exemplo). Para as Nações Unidas, a pobreza deve ser medida não apenas de acordo com a renda, mas com as privações que os indivíduos enfrentam para ter qualidade de vida. No caso brasileiro, quando se considera a proporção de pessoas em situação de pobreza grave (com privação em pelo menos 5 dos 10 indicadores), mais de 14 milhões de pessoas se encontram numa situação vulnerável, ou seja, sofrem até três privações. (O Globo)

Imagem: Reprodução / O Globo

— O Estado brasileiro é, sem sombra de dúvidas, o maior inimigo da sociedade, ele tem sonegado à população saúde, transporte, educação, saneamento, segurança, habitação e tantos outros itens que, no final das contas, produzem sofrimento, dor e muita morte.

Na visão dos políticos e dos partidos, aos quais estão filiados, o Estado brasileiro não representa um instrumento para ajudar a sociedade a se organizar e trilhar um caminho de prosperidade, nunca foi. Para os partidos e para as máfias políticas, o Estado brasileiro representa apenas um duto de dinheiro. Eles não querem o poder porque o poder permite alterar a realidade e conduzir o Estado numa direção diferente, não. Eles nunca quiseram isso. Pergunto a você, ilustre contribuinte, o seguinte: Em que direção a canalhada política conduz o Estado brasileiro, independentemente, dos partidos que integrem? Em nenhuma. O jogo deles é a mera gestão do cotidiano. É a mesma porcaria.

É só olhar o que mudou nas últimas 20 eleições no Brasil. O que mudou? Diminuiu a corrupção e a violência? Melhorou a educação e a saúde? O país viveu 10 anos de absoluta prosperidade na economia. O mundo viveu até 2008 uma década de abundância total. Em contrapartida, a população vive numa situação avassaladora de indigência e miséria. É só chover pra gente ver! É só entrar no hospital público pra gente ver! Cadê o médico? Cadê o remédio? Cadê a vaga na escola? Cadê o material escolar? É isso. O país não mudou como deveria ter mudado. Em 20,30 ou 40 anos melhoramos o quanto e o que? Está de bom tamanho? Claro, que não está! Olhe pra dentro do trem, do ônibus, do metrô e da barca em que você se encontra. O contribuinte está sendo tratado com o respeito, mínimo, que seu imposto deveria comprar? Claro, que não!

A única forma de alterar essa realidade, no Brasil, não é depositando 100% das esperanças no voto que exercemos a cada 2 anos. Isto porque, as máfias político-partidárias se apropriaram do processo político-eleitoral no país, fazendo das eleições apenas momentos para legitimarem a sua sobrevivência e a sua permanência no poder. A única forma de alterarmos essa realidade, é com o crescimento, o adensamento e a radicalização do movimento popular nas ruas. Só ele os fará mudar. Notem, não se trata de um ataque à instituição, à democracia e ao princípio da representação parlamentar. Trata-se de um discurso aplicado à realidade brasileira.

É preciso fazer uma quebra na lógica e no ritmo com que as coisas acontecem no Brasil. E essa ruptura só vai acontecer se o povo for às ruas como foi em junho e julho de 2013. O movimento popular precisa radicalizar, sim. E o seu alvo tem que ser o Estado e seus agentes. Por isso, defendo a invasão da Câmara de Vereadores, da Assembléia Legislativa e do Congresso Nacional. Enfim, defendo a tentativa de invasão ordeira de qualquer palácio pelo movimento popular, porque entendo que isso é legítimo e faz parte do jogo democrático.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Jornal O Globo faz cobertura tendenciosa a favor do governo e tenta criminalizar as manifestações

O Brasil reuniu manifestantes em mais de 100 cidades que tiveram protestos expressivos com milhares e milhares de pessoas. Manifestações pacíficas, ordeiras e sem organização partidária por trás querendo se aproveitar da boa chama do povo na rua. Foram manifestações encantadoras, transformadoras e absolutamente positivas. Pois bem, aí eu pego o jornal O Globo e vejo na primeira página a manchete: "Sem controle. Em noite de conflitos, depredações e saques, Itamaraty e prefeitura do Rio são atacados". O Globo mostra o detalhe periférico do confronto envolvendo uma minoria de vândalos. É o detalhe do cara quebrando sinal de trânsito, saqueando loja, colocando fogo em carro etc. Uma ideia de que tudo que aconteceu se resumiu a isto que eles estão mostrando.


Isso é uma distorção, uma manipulação dos fatos. Querer colocar o detalhe do confronto como uma manchete. Querer colocar a ação de uma minoria de vândalos como o fato sem controle é um absurdo. "Sem controle" o que O Globo? O que está "Sem controle"? O desejo de fazer ou cobrar uma mudança de um Estado que você mais apoia do que critica? De um sistema político que você mais apoia do que critica? 

A essência da relação da grande imprensa com o sistema político brasileiro é de parceria, de cumplicidade e de mútua conivência. É até uma relação de razoável proteção e blindagem. Quando a coisa começa a ferver, na mesma hora tem o espera aí e tal. Não é bem assim e tal. Entendeu? Acho que a tentativa de criminalizar o que está acontecendo é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo.

Na soma do caldeirão que sai de controle, você tem: Os marginais que não tem nada a ver com a manifestação, mas estão lá sempre. O radical que vai para o confronto por opção política, porque ele quer invadir o prédio, ele quer invadir o palácio. O radical que vandaliza por vandalizar e que se aproxima mais do criminoso do que o cara que tem uma ideologia. É o cara que quebra uma placa, às vezes, não é nem um criminoso, mas acha que isso é um ato político.

O radical também é um agente político, você pode não gostar dele, você pode combatê-lo politicamente, pode até usar a lei pra tentar enfrentá-lo. Mas ele é um ente do jogo e do espírito político. Igual ao conservador, igual a direita e igual a esquerda. Enfim, igual em tudo. 

Para não dizer que foi incompetência profissional, vou admitir que foi por falta de competência e de olhos para enxergar o que aconteceu. Competência e olhos que não faltaram ao jornal Extra na sua edição impecável de primeira página, que veio com a seguinte manchete: "Não foi passageiro. Um dia depois de governos no país inteiro baixarem o valor das passagens, manifestantes dão demonstração de força em cem cidades e acenam que os protestos com novas reivindicações devem prosseguir". Perfeito, sensacional, uma primeira página maravilhosa.


O Extra, feito pelo mesmo grupo editorial e empresarial, estampou na primeira página o verdadeiro sentimento das manifestações com texto e imagem perfeitos. Ele publicou corretamente o que foi a notícia. O fato desta massa na rua não ter uma lista de reivindicações com princípio, meio e fim não significa que o seu grito não seja decodificável. Que seu clamor não seja compreensível e traduzível.

Ninguém está contra a democracia. Ninguém está atacando a ideia das instituições existirem. Não é por aí, não adianta a imprensa passar uma imagem esquizofrênica dos fatos com o intuito de proteger interesses promíscuos e escusos. Não é por aí. A tentativa de criminalizar o que está acontecendo é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo. Os jornais precisam ter mais cuidado pela forma como estão lidando com isso.

domingo, 21 de julho de 2013

Mais de 300 mil pessoas vão às ruas do Centro do Rio para exigir mais investimentos em saúde, educação, segurança e transporte

Mais um dia histórico e emblemático com milhares e milhares de pessoas que se concentraram inicialmente na Candelária e depois saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas em direção à Prefeitura do Rio. Um mar não apenas de pessoas, mas um mar de esperança. De querer um futuro melhor, de querer governos melhores, de querer políticos e parlamentares melhores. Esse mar não era apenas de seres humanos, de estudantes, de trabalhadores, de chefes de família e de idosos. Mas sim, um verdadeiro mar de cidadania demonstrado pelo Rio no dia 21/06. 


O Brasil reuniu manifestantes em mais de 100 cidades que tiveram protestos expressivos com milhares e milhares de pessoas. Manifestações pacíficas, ordeiras e sem organização partidária por trás querendo se aproveitar da boa chama do povo na rua. Foram manifestações encantadoras, transformadoras e absolutamente positivas. Graças a elas, tivemos a redução do preço das passagens de ônibus e de outros transportes em algumas cidades do país.

Os manifestantes não estão pedindo nesse clamor nada que já não exista em nações muito menos ricas que a nossa. A Argentina, o Uruguai e o Chile tem coisas que nós pedimos aqui há muito tempo e muito melhores. Não estamos pedindo nada que seja inalcançável. Estamos pedindo coisas que já estão aí no mundo, na sociedade moderna como: Escolas que eduquem nossos filhos; Hospitais que nos curem; Transporte que nos leve e que nos traga com preço que possamos pagar; Polícias que nos deem segurança; Políticos que não nos roubem etc. Será que estamos pedindo tanta coisa assim meu Deus? Será que é tão difícil perceber isso? 

Estamos pedindo um país mais sério, um Estado mais sério, agentes públicos mais sérios. Repartições que funcionem, filas que sejam menores, tempo de atendimento que seja menor. Enfim, RESPEITO. Queremos também a compreensão, por parte dos políticos, de que nós somos os patrões. São valores e conquistas que já estão consolidadas em vários países do mundo, e que nós não podemos ter. Como assim não podemos ter? Nós pagamos a maior taxa tributária do mundo. Nossas passagens de ônibus são umas das mais caras do mundo e o nosso transporte "público" é um dos piores do mundo. Por que? A troco de que? Pra dar lucro a quem?

Então, esse basta é um basta geral. Essa radicalização dos movimentos populares é por RESPEITO. É um movimento por coisas básicas e primárias que o governo e os agentes públicos têm que conceder. Os movimentos sociais querem apenas ajustes de comportamento por parte do Estado, dos governantes e de seus agentes públicos.

Aí, eu compro e comparo as edições dos jornais Extra e O Globo do dia 21/06. Ambos feitos pelo mesmo grupo editorial e empresarial. Enquanto o Extra estampa na primeira página o verdadeiro sentimento das manifestações, com texto e imagem perfeitos. O jornal O Globo mostra o detalhe periférico do confronto, envolvendo uma minoria radical de ATOS POLÍTICOS e de vândalos. Uma ideia de que tudo que aconteceu se resume a isto que eles estão mostrando. 


Lembrando que os ataques ao Itamaraty e à prefeitura do Rio são ATOS POLÍTICOS. A radicalização dos movimentos populares é um ATO POLÍTICO, você pode ser a favor ou contra, mas ela é POLÍTICA. A Revolução Francesa se deu pela radicalização do movimento popular francês. A Revolução Soviética se deu pela radicalização do movimento popular soviético. A Revolução Cubana se deu pela radicalização do movimento popular cubano. Então, a radicalização dos movimentos populares é POLÍTICA, embora não estejamos num processo revolucionário.

Estou muito orgulhoso. Este foi o momento que uma geração inteira despertou, foi para as ruas, rompeu a inércia, a acomodação, a alienação e a despolitização. Essa juventude foi mobilizada por sua própria iniciativa, seu próprio espírito de nacionalidade e civilidade. Aí, a sociedade inteira veio atrás.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mais de 100 mil pessoas vão às ruas do Centro do Rio protestar contra o aumento da passagem de ônibus

Há um mês, o Rio de Janeiro viveu um dia histórico com milhares de pessoas que se concentraram inicialmente na Candelária e depois saíram em passeata pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. Hoje, como em poucas vezes, encho o peito pra dizer: Que orgulho de ser carioca! Que orgulho de ser brasileiro! Parabéns, cidade leal e heroica de São Sebastião por esse momento emblemático! Leal, pelos princípios que construíram essa cidade, aos valores que uniram este povo em torno de um ambiente coletivo e urbano que é motivo de alegria e orgulho pra todos nós. 


O Rio fez uma manifestação que se impôs pela coragem. O protesto foi pacífico porque a polícia foi pacífica, o Estado percebeu que não podia enfrentar porque pacífica ela sempre foi. A essência, a natureza, o propósito e o desejo dos manifestantes sempre foi esse. Houve um desequilíbrio aqui ou alí, pontualmente, como a depredação da Alerj e lojas saqueadas. Mas a essência, a espinha dorsal do que aconteceu no dia 17/06, estava na Av. Rio Branco, estava Cinelândia, estava na Candelária e estava na paz com que transcorreu essa manifestação para exigir RESPEITO. Basicamente e essencialmente RESPEITO. Um grupo grande e significativo que se mobilizou em prol da redução do preço das passagens de ônibus. 

Segundo um ex-funcionário do setor de transportes, as frotas de ônibus possuem planilhas que são verdadeiras caixas-pretas apresentadas como justificativas para a reivindicação de reajustes que são aceitos, historicamente, pelo poder público através do forte lobby que essas empresas têm junto às Câmaras de Vereadores. Lobbys mantidos por relações marcadas pela promiscuidade, pelo dinheiro, pelas doações de campanha, pelos subornos, pela grana por fora, pelas malas de dinheiro etc.

Várias coisas nessas planilhas são absolutamente derrubáveis. A reposição de peças, por exemplo, os empresários lançam custos de novas peças, quando fazem na verdade, apenas o recondicionamento e a revitalização das mesmas. Logo, este aumento no preço das passagens não se justifica porque o governo promoveu também a desoneração de impostos federais e uma série de vantagens concedidas às empresas de ônibus. Então, essa caixa-preta tem que ser aberta, a população não conhece em que bases são concedidos esses aumentos. Os empresários ficam com esse papo de inflação, mas o setor de transportes não viveu a inflação na mesma intensidade.

Cerca de 100 mil manifestantes ocuparam toda a extensão da Av. Rio Branco

Não foi apenas por 20 centavos. A manifestação foi um sentimento geral de se querer RESPEITO, embora a reivindicação de um grupo fosse, predominantemente, a redução das tarifas. Esse foi um movimento embrião de tudo que vivemos no Brasil. Essa demanda por RESPEITO e por mudança de postura dos governantes, fez com que o Rio mostrasse esse exemplo de mobilização de massa.

Pobre país este em que o povo não protesta, em que as multidões só se reúnem pra cantar em shows, pro futebol, pra rezar em eventos, pra reivindicar direitos específicos como a Marcha da Maconha etc. De fato é uma vitória, mas é coisa de um segmento, de um grupo. Ainda que seja defensável, não é uma reivindicação geral, no sentido geral.

Mas no dia 17/06, esse povo todo da bíblia, do futebol e das reivindicações de grupo foi pra rua. Eles perceberam que há um sentimento em comum que une todos como povo e como sociedade. O sentimento de dizer aos governantes, ao Estado e à máquina pública que nós não queremos mais essa relação, esse tratamento desrespeitoso e essa afronta com que nos tratam o tempo todo nos hospitais, nas escolas, na falta de segurança, na corrupção etc. Bandeiras que foram colocadas no coração de todos os brasileiros. O Rio captou, sintetizou e expressou em um grito único.

Os ataques à Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) foram lamentáveis no sentido de que não levará a nada esse tipo de ação. Mas quero deixar bem claro que entendo a razão dos ataques. A Alerj, assim como as casas parlamentares no Brasil, são a expressão de tudo que a população brasileira odeia. O que ela faz, a maneira como age, a maneira como se relaciona com a sociedade, a prepotência, a corrupção etc. Tudo isso está expresso naquele prédio. O que se atacou e se "vandalizou" foi o que a Alerj simboliza.

Manifestantes tentam invadir a Alerj

A radicalização dos movimentos populares é um ATO POLÍTICO, você pode ser a favor ou contra, mas ela é POLÍTICA. A Revolução Francesa se deu pela radicalização do movimento popular francês. A Revolução Soviética se deu pela radicalização do movimento popular soviético. A Revolução Cubana se deu pela radicalização do movimento popular cubano. Então, a radicalização dos movimentos populares é POLÍTICA, embora não estejamos num processo revolucionário. O que há aqui são manifestações pro cara não passar a mão na sua bunda, pra não roubar na sua cara, pro Renan Calheiros não escancarar a picaretagem dele e continuar sendo senador, pro Collor não voltar pra política. Entendeu?

O que está se pedindo aqui não é a mudança de regime e nem a queda do governo. O que está se dizendo ao governante, ao político e ao agente público é que ele ATUE MAIS, RESPEITE MAIS, ROUBE MENOS, PRODUZA MAIS e GANHE MENOS no sentido de acumular riqueza. Como é que pode, figuras que passaram a vida inteira na área pública serem milionários. Tem político que acumulou um patrimônio impressionante "trabalhando" a vida inteira na área pública. Como é que pode? Então, o que está se pedindo nas ruas do Brasil é RESPEITO. O povo cansou de ser desrespeitado, cansou de ser afrontado, cansou de ser violentado pela conduta dos governantes, dos políticos e dos agentes públicos de uma maneira geral.

A Alerj representa a política que está aí. A depredação é o que resta as pessoas pra que os políticos às ouçam. Mas essa gente é tão canalha, esses políticos são tão canalhas que são capazes de fazer de conta que não são com eles. Um exemplo disso aconteceu no dia seguinte aos protestos quando o presidente da Alerj, Paulo Melo, foi dar uma entrevista na porta da assembléia e bateu em retirada quando viu que a população estava começando a vaiar. 

Compreendo as razões que levaram alguns manifestantes a fazer o que fizeram na Alerj. Lamento profundamente que alguns marginais tenham se aproveitado desse momento para saquiar lojas e destruir negócios de outros trabalhadores.

Cerca de 100 mil manifestantes ocuparam toda a extensão da Av. Rio Branco

Um movimento sem rosto, sem líder e sem pauta específica. Mas unido por um sentimento, por um estado de espírito. Isso me parece até mais importante do que ter uma causa específica. Com todo respeito ao movimento dos caras-pintadas que deram início à remoção de toda quadrilha do Collor da Presidência da República. Mas os caras-pintadas integraram um movimento histórico de forças que caminhava na mesma direção. Todos queriam a queda do Collor.

A imprensa queria a queda do Collor. Os partidos queriam a queda do Collor. Grandes grupos políticos comprometidos com a corrupção também queriam a queda do Collor. Antônio Carlos Magalhães (ACM) queria a queda do Collor. Sarney queria a queda do Collor. A bandidagem política que não estava no esquemão do Collor também queria. Então, eu diria que o movimento dos caras-pintadas deu uma legitimidade de rua a um momento histórico que inevitavelmente aconteceria, mas que aconteceu num mesmo curso, na mesma direção de forças políticas.

Este movimento do dia 17/06/2013, não me parece tanto com o movimento dos caras-pintadas. Ele me pareceu mais com as manifestações de massa da Ditadura Militar, porque nestas manifestações  as pessoas tomaram porrada da polícia, foram reprimidas, foram tratadas de forma abominável pela grande imprensa como a Folha de S. Paulo, o Estadão, O Globo , a Veja etc. No começo chamavam os manifestantes de vândalos. A imprensa estava trabalhando na linha da criminalização do movimento, até o momento em que alguns repórteres foram atingidos por balas de borracha disparadas pela polícia. Depois disso, a cobertura dos fatos mudou. 

Enfim, essa manifestação de massa foi o ápice de uma sequência de pequenos protestos que começaram muito mais semelhante às manifestações realizadas pela juventude da Ditadura Militar, e que eram duramente reprimidas e criminalizadas pela imprensa. É notória a semelhança desse corte histórico. Vimos no dia 17/06, o que não víamos desde a Ditadura Militar, do ponto de vista do protesto de massa e de reação de massa. Hoje você tem mais que um nome, um lema ou uma palavra de ordem. Você tem um sentimento único, e esse sentimento é o RESPEITO. O recado das ruas aos políticos foi o seguinte: - Pare de passar a mão na minha bunda! Pare de cuspir na minha cara e achar que sou otário! Pare de pegar o meu imposto e fazer o que bem estende! 

Rio leva 100 mil pessoas às ruas

Se esses políticos canalhas perceberem que esse negócio de votar a cada 4 anos para mantê-los lá na ROUBALHEIRA e na SACANAGEM, não engana mais a gente. Se eles perceberem que esse é um povo que se aproximou um pouco do chileno, do argentino, do espanhol e do francês o negócio vai mudar. O povo na rua faz a realidade nua. Quando tivermos essa identidade de propósitos, vamos ocupar as ruas. Não o tempo todo e a vida inteira por qualquer coisa, porque nós precisamos que as cidades vivam e funcionem. O que muda a realidade é o povo roncando com bafo quente no cangote da CANALHA POLÍTICA, da CANALHA GOVERNAMENTAL. No cangote do Estado e de seus agentes, da repartição pública que não atende, não respeita e atrasa. Da justiça que não funciona, das suas Excelências com suas togas e seus carros oficiais. 

Essa gente tem que sentir esse BAFO NO CANGOTE do povo mais vezes para aprender a nos respeitar. Espero que esse movimento conquiste isso.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Presidente Dilma e Ministro da Educação Aloízio Mercadante participam da Expozebu, em Minas Gerais

O que o Ministro da Educação estava fazendo na Expozebu? Ah, poque a Dilma estava lá! Agora ele está sendo convocado pela presidente para ser o seu conselheiro. Tá bom, então faz o seguinte: Exonera ele do Ministério da Educação, onde o seu trabalho é um desastre por falta de dedicação e de tempo, e bota ele como assessor ou conselheiro especial da Dilma. Esse Aloísio Mercadante é uma piada. Esse cara está mais preocupado em fazer a política partidária do PT e da Dilma do que em cuidar da educação. Só querem saber de coquetel e fazer oba-oba. Só cuidam disso, o resto é abobrinha pra eles.

 Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

Enquanto professores fazem protesto nas ruas por melhores condições de ensino, de trabalho e melhor remuneração. As autoridades ficam surfando nos problemas como se não lhes dissessem respeito. Um país que investe porcamente em educação como o nosso investe, é um país que não pode olhar pra frente com algum tipo de esperança. Não há esperança pra quem não investe em educação. Aqui, pra você tirar um pentelho de benefício dos governantes pra educação é um inferno.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A qualidade da política brasileira

A política praticada neste país está muito abaixo da qualidade que a sociedade já tem. Você pode dizer que a qualidade da imprensa brasileira não é a melhor de todas, de fato, não é. A qualidade de várias instituições e meios de representação também não, mas poderíamos dizer que essa qualidade, seja ela qual for, está mais ou menos de acordo com aquilo que nós chamaríamos de qualidade da sociedade brasileira.

O Brasil com as suas carências e deficiências, tem uma imprensa com carências e deficiências, tem um judiciário com carências e deficiências. Enfim, tem várias instituições, várias representações da própria sociedade cuja qualidade oscila mais ou menos no nível que oscila a qualidade da sociedade brasileira. No caso da política, a sua qualidade está muito abaixo da qualidade do povo brasileiro. É disparado o pior segmento de todos que nós temos organizados no país.

A saúde no Brasil é uma bomba, mas ela é melhor que a política brasileira. A educação pública brasileira é uma bomba, mas ela é melhor que a política brasileira. O judiciário é uma bomba, é lento, é injusto, é amarrado e tem muita corrupção. Mesmo com tudo isso, ele ainda é melhor que a política brasileira. O pior do Brasil está na política brasileira.

Há exceções? Sim, há exceções. Aí, você vai lá e pega como algo menos pior Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Mas eles não mudam a realidade da política brasileira, nenhum deles mudam. Quando chegam ao poder, se acumpliciam com aqueles negócios, com aquelas figuras, com aquelas práticas e tal. Ou pecam por omissão ou pecam pela parceria e pela sociedade entre eles. No Congresso, as exceções são minorias que servem apenas para legitimar os atos da maioria corrupta e preservar a imagem da instituição pública.

O fato é o seguinte, enquanto eles não tiverem a coragem de virar a mesa em Brasília pra dizer aos políticos corruptos que: Acabou!!! Chega!!! Não vai mudar nada. E aí, pra mim, são todos iguais.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes desvia dinheiro da educação para pagar contas de escolas de samba


Rio - Um total de R$ 46 milhões que deveria ter sido investido nas escolas do município do Rio foi usado para pagar dívidas de água e esgoto de seis escolas de samba, da Liga Independente (Liesa), do Sindicato de Empresas de Ônibus (Rio Ônibus), do Riocentro e da própria Prefeitura.

A constatação está na avaliação feita pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre a gestão do prefeito Eduardo Paes no ano de 2011.

A confusão começou quando o governo estadual deixou de pagar R$ 57,6 milhões pelo uso de 292 escolas do município entre maio de 2004 e abril de 2009. O espaço era usado para cursos noturnos e, pelo acordo, o Estado deveria ressarcir a Prefeitura das despesas com conservação, preservação, segurança, água e esgoto das unidades emprestadas.

Paes participa da bateria da Portela
Por outro lado, a Cedae era credora de contas de água e esgoto de escolas de samba, do Rio Ônibus e do Riocentro. Essas contas estariam em nome da Prefeitura, titular de imóveis ocupados por essas instituições.

Ao assumir as “dívidas” com a Cedae, o Estado acabou usando o dinheiro que deveria ter investido nas escolas municipais para pagar contas da Beija-flor, Grande Rio, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Portela e União da Ilha, além da Liesa, Rio ônibus e Riocentro.

Os nomes aparecem na lista que a Cedae encaminhou ao TCM como débitos do município. A prefeitura esclareceu que enviou à Cedae ofício informando que as matrículas do Riocentro e do Rio Ônibus não são dela. Em março, fez o mesmo em relação às agremiações carnavalescas. A Cedae prometeu mudar a titularidade.

Dinheiro pode voltar para o município

O dinheiro que foi usado para pagar as contas de escolas de samba, do Riocentro, Rio Ônibus e da Liesa podem voltar para o município.

Nesta terça-feira, O DIA mostrou que o TCM questionou o uso do dinheiro arrecadado com a taxa de Contribuição para Custeio de Serviços de Iluminação (Cosip).

A verba foi empregada para manutenção do ar condicionado edifício da RioLuz e para fazer reparo nos planos inclinados. A Prefeitura disse que está verificando os procedimentos adotados para realizar, se necessário, os devidos ajustes ou correções.

Matéria originalmente publicada no jornal O Dia Online

domingo, 22 de julho de 2012

DÁ NOJO! Governo Sérgio Cabral firmou R$ 139 milhões em contratos irregulares, diz TCE

Tribunal de Contas do Estado pode levar até oito anos para concluir a análise dos contratos


O governo do Rio, sob gestão de Sérgio Cabral (PMDB), firmou mais de cem contratos e aditivos considerados irregulares pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), no valor total de R$ 139 milhões.

A maior parte se refere à terceirização de serviços na rede pública, principalmente na Educação.

Os dados foram obtidos pela Folha com base na Lei de Acesso à Informação.

De acordo com o tribunal, são 102 os contratos e aditivos firmados desde 2007 julgados irregulares. Eles resultaram em 13 multas a autoridades, no total de R$ 105 mil.

O TCE pode levar até oito anos para concluir a análise de contratos. Segundo o tribunal, a primeira avaliação ocorre em menos de um ano, mas o julgamento final pode se estender para ouvir a defesa ou para corrigir eventuais irregularidades.

Do total rejeitado pelo TCE, R$ 75 milhões referem-se a contratos da Secretaria Estadual de Educação. O tribunal considerou ilegal a contratação de nove empresas para serviços de limpeza, segurança e apoio educacional.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CAOS NO RIO: Eduardo Paes e o desgovernador parisiense Sérgio Cabral não se cansam de falar e fazer bobagens

O desgovernador parisiense não se cansa de falar e fazer bobagens. O alcaide carioca o segue religiosamente. O grau de irresponsabilidade e incompetência atingido pelas administrações estadual e municipal excedeu o limite máximo suportável no Estado e no município do Rio de Janeiro.

O parisiense finge ignorar os graves problemas das áreas de educação, saúde e segurança, que tanto atormentam os fluminenses. Os profissionais dos respectivos campos são pessimamente remunerados, trabalham em precárias condições e não possuem perspectiva de ascensão profissional.

Na saúde, estão sendo progressivamente chefiados e substituídos porterceirizados, que ganham o dobro, indicados por padrinhos políticos, quando não cooptados, trocando sua estabilidade por dinheiro, através da subordinação a fundações.

Na educação, os professores não têm mais condições de cumprir com sua antes respeitada missão. Mestres são agredidos por alunos ou pelos seus "(ir)responsáveis" . Quando tentam cobrar mais estudo de seus pupilos são até denunciados aos conselhos tutelares, por terem cometido "abusos". Passa a ser regra de sobrevivência o professor fingir que ensina e o aluno fingir que aprende. O importante é receber o diploma de aprovação, reforçar as estatísticas das autoridades e sair analfabeto funcional.

Na segurança, até greve de policiais civis e militares ocorre. O desgovernador age com mão de ferro, mandando prender mais de uma centena de policiais e bombeiros militares, preventivamente. A mídia amestrada age despudoradamente fazendo a sua blindagem e procurando jogar o povo contra os descontentes.

Acaba a greve, por enquanto, mas as sequelas permanecem. A população, que já foi desarmada, permanece indefesa, sem poder exercer seu legítimo direito de defesa própria, a mercê da misericórdia dos marginais. Se a polícia, normalmente, já não cumpre com eficácia sua missão, imagine em uma conjuntura como esta. Persiste o "jeitinho" tradicional, onde a polícia finge que garante a segurança e o povo finge que acredita, sendo obrigado a contratar segurança particular, paga a parte.

As obras suntuárias continuam a ser feitas, em nome do sucesso da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. O absurdo do "prolongamento" da já congestionada linha existente de metrô para a Barra é mantido. É óbvio que isto não vai dar certo. Ignoram o exemplo de metrópoles civilizadas como a Paris e Nova York, que eles tanto visitam e adoram, possuidoras de inúmeras linhas independentes de metrô.

Não são capazes de, ao menos, aproveitar as experiências positivas vivenciadas no exterior. Mas, quando o caos recrudescer, os atuais governantes estarão usufruindo seu rico patrimônio no exterior, enquanto seus atuais súditospermanecem no caos.

O alcaide repete os graves erros cometidos pelo seu mentor. Na área de saúde é só trocar as fundações pelas OS (organizações sociais). Possuem os mesmos propósitos. Na educação, a situação é agravada, pois a indevida interferência de pais irresponsáveis, com o equivocado apoio de alguns conselhos tutelares, afetaa relação professor-aluno.

Alguns absurdos são perpetrados, como, por exemplo, o caso de uma professora que aconselhou seus alunos a terem cuidado com sua alimentação, a fim de evitar sérios problemas de saúde, devido à obesidade, e foi denunciada pela mãe obesade um aluno também obeso por discriminação (bullying). É evidente que fica muito difícil para um educador cumprir seu dever nesta situação.

Na segurança, os guardas parecem perseguir metas de multa por infração e no combate a ambulantes, de modo irregular. Apreendem as mercadorias e ninguém sabe seu destino. Mas o alcaide se agiganta é no setor de transportes. Os equívocos são tão flagrantes que é impossível passarem despercebidos. Apersistência na tresloucada idéia de derrubar o viaduto da Perimetral, apesar do protesto unânime dos cidadãos, atinge as raias do absurdo. O alcaide possui a certeza da reeleição, pois apesar das eleições municipais deste ano, não liga para a repercussão negativa do verdadeiro atentado contra a população carioca.

E não é somente esta loucura. A implantação do BRS (Bus Rapid Sytstem) atende aos interesses dos empresários de ônibus, mas não aos da população. O caos foi definitivamente instalado no município do Rio de Janeiro. Os engarrafamentos acontecem em qualquer local, em qualquer horário. As vias estão em péssimas condições, coalhadas de buracos. As calçadas, idem. A "indústria de multas" funciona a pleno vapor. As ruas estão cheias de mendigos, pedintes e "descuidistas".

Confia na incompetência da "oposição", incapaz de se organizar e se unir para lançar candidato competitivo, capaz de derrotar nas urnas o atual alcaide. Torçamos para que um milagre aconteça e não passemos por mais quatro anos de incúria.

Marcos Coimbra

Membro do Conselho Diretor do Cebres, titular da Academia Brasileira de Defesa e da Academia Nacional de Economia e autor do livro Brasil Soberano.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sérgio Cabral admite incompetência, mente e diz que a educação no Rio está um lixo


Sem querer criar arestas com PT e PSDB, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), dá nota dez ao primeiro ano da presidente Dilma Rousseff e defende as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso.
"Qualquer discurso caricato antiprivatização eu rejeito preliminarmente", declara.
Cabral, 48, que teve suas ligações pessoais com os empresários Eike Batista (EBX) e Fernando Cavendish (Construtora Delta) escancaradas após acidente na Bahia em junho, se defende: "Nunca misturei relações pessoais com decisões públicas".
Em entrevista no Palácio Laranjeiras, ladeado por seus homens fortes -o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o secretário da Casa Civil, Regis Fichtner-, Cabral faz um balanço do seu governo (sem dar nota).
Diz que a corrupção policial e o tráfico de drogas diminuíram. Reconhece a "situação vexatória" na educação, mas promete melhora. E avisa que José Mariano Beltrame é "candidato a secretário de Segurança até 2014".

Folha - Qual a sua avaliação política do governo Dilma?

SÉRGIO CABRAL - Confesso a minha total felicidade com o governo, como gestor. Uma pessoa como a Dilma, uma mulher, que milhões de brasileiros passaram a conhecer durante o processo eleitoral, era uma incógnita.

Ela soube impor o estilo dela, avaliar o quadro internacional com muita serenidade, fazer o país avançar. Manter os fundamentos macroeconômicos, fazer uma política fiscal dura como fez é de muita competência. O primeiro ano da Dilmaé nota 10.

Como o sr. enxerga a questão político-partidária de uma forma mais ampla? Como o sr., que já foi do PSDB, analisa o impacto desse "Privataria Tucana" [livro que trata de supostos desvios de recursos durante privatizações do governo FHC]?

"Privataria". Acho uma bobagem esse discurso.

O presidente Fernando Henrique fez muito bem ao Brasil ao abri-lo para investidores nacionais e estrangeiros, ao permitir, no caso da exploração do petróleo e do gás, a entrada de empresas nacionais e multinacionais, acabando com o monopólio da Petrobras e com o monopólio da Telebras e abrindo para investidores nacionais e as telecomunicações.

Qualquer discurso caricato antiprivatização eu rejeito preliminarmente. Esse momento internacional permite um discurso falso, demagógico e arriscado, de que o Estado é capaz de tudo. Pelo contrário, o Estado precisa cada vez mais das parcerias público-privadas.

A aliança PT-PMDB é muito positiva para o Brasil, para a governabilidade.

O que o sr. vai fazer em 2014?

Cuidar de reeleger a Dilma, o Michel Temer, e ajudar a eleger o Pezão, porque acho que essas conquistas do Rio são muito importantes de terem continuidade. Antes, em 2012, eleger o Eduardo Paes [prefeito do Rio].

Mas qual o seu futuro político?

Terminar o dever de casa. Tem três anos ainda. Termino com um Rio muito melhor do que o que encontrei em 2006 e sem nenhuma ansiedade do processo político.

Não tenho nenhum pensamento esquizofrênico de ocupar nem o lugar do Temer nem o da Dilma. Falo isso para os meus aliados. Imagina eu ficar vislumbrando a hipótese de ocupar o lugar de pessoas que eu apoiei, que estão no primeiro mandato e que eu quero que dê certo. Não faz sentido isso.

Um dos pontos polêmicos do ano foi a sua relação com empresários que tiveram incentivos, foram doadores de campanha, a sua vida privada e a pública entremeadas nos casos com Eike Batista e a Construtora Delta. Essa relação é inevitável?

Nunca misturei relações pessoais com decisões públicas. Nunca.

O sr. não acha que viajar num jatinho de um empresário que tem relações com o Estado...

Não tem relações com o Estado.

Eike Batista não tem relações com o Estado, não recebe incentivos?


Mas várias empresas [recebem]. Me dói falar sobre isso porque tem um lado pessoal, emocional forte. Nunca misturei qualquer decisão pública minha com o fato de ter relações pessoais.

Eike Batista é um empresário, um dos maiores empreendedores do planeta, que não deixou de estar ao lado do Rio. Os incentivos que dei para a Nissan vir para o Rio, os que dou para a EBX ou para a Michelin são incentivos de políticas públicas.

E no caso da Delta?

A mesma coisa.

Essas empresas são doadores de campanha. O que o sr. acha do financiamento público?

Sou favorável ao financiamento público. Ele dá maior transparência e maior visibilidade aos recursos que vêm para os partidos.

Por que entrar no Supremo contra os pedidos de informações que os deputados fazem ao Executivo?

Qualquer ação exige procedimentos, porque senão anarquiza, desorganiza. Solicitamos a organização do processo. Pedidos têm que passar pela comissão [da Assembleia], como acontece na Câmara dos Deputados e no Senado.

A polícia do Rio está menos corrupta?

Conseguimos acabar com a politização da segurança. Foi um choque cultural e de gestão. Deputado não nomeia mais comandante do batalhão, delegado. Uma felicidade enorme ter escolhido um policial honesto, sério, e trabalhador.

Há um permanente combate à má conduta, à milícia, por exemplo. No governo da minha antecessora foram presos menos de 40 milicianos. Já prendemos mais de 600, 700, mil.

O secretário José Mariano Beltrame vai ser candidato?

É candidato a secretário de Segurança até 2014. Ele não é político, ele é um policial.

O tráfico de drogas diminuiu?

Diminuiu. Foi um jogo de ganha-ganha. Escasseou a droga, escasseou a arma e aumentou o valor imobiliário das residências.

O sr. elegeu educação como prioridade, mas o Rio vai muito mal em educação. Está em penúltimo no Brasil.

Na educação eu errei no primeiro mandato: mantive a politização na ponta, nascoordenadorias. [O secretário Wilson] Risolia está fazendo um trabalho emocionante. É vexatória a situação. Vigésimo sexto no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] me envergonhou profundamente. Meu compromisso é estar entre os cinco do Ideb em 2014.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo