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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes é o campeão de ilegalidades e denúncias no TRE-RJ

Coincidência ou não, todas as localidades têm grandes áreas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias


O prefeito Eduardo Paes não lidera apenas as pesquisas de intenção de votos para a prefeitura do Rio. De acordo com um levantamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), o prefeito é o principal alvo de reclamações de eleitores através do Disque-Denúncia Eleitoral, desde o lançamento do serviço, há cerca de dois meses.

O tribunal já acumula 2.660 denúncias vindas de todos os municípios do estado. A grande maioria é sobre a exposição de placas, faixas e adesivos com propaganda irregular. Paes é o candidato mais citado, seguido pelos candidatos a vereador Luiz Antônio Guaraná e Rosa Fernandes, ambos do PMDB e concorrentes na capital. Wagner Bororó, do PSB, fecha a lista.

Ainda segundo o levantamento do TRE-RJ, os casos de propaganda eleitoral irregular são mais frequentes na Zona Oeste e na Leopoldina. Em comum, as duas regiões abrigam muitas comunidades onde a fiscalização praticamente inexiste. Os bairros com mais denúncias são Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Senador Camará, Realengo, Penha, Ramos, Olaria, Bonsucesso e Manguinhos. Coincidência ou não, todas as localidades têm grandes áreas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias.

Jornal do Brasil - Coluna Informe JB

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes lidera pesquisas de intenção de votos em áreas controladas por milícias

'Paes é responsável por crescimento de milícias', diz Marcelo Freixo


O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), candidato à Prefeitura do Rio,afirmou ontem, na sabatina Folha/UOL, que o prefeito Eduardo Paes (PMDB), líder nas pesquisas de intenção de voto, é um dos responsáveis pelo crescimento da atuação das milícias na cidade.

Freixo, que presidiu CPI sobre o tema na Assembleia Legislativa do Rio, afirmou que o peemedebista tira vantagem eleitoral com a ação das quadrilhas.

O socialista respondeu a perguntas de Paula Cesarino Costa, diretora da sucursal do Rio da Folha, Cristina Grillo, secretária de redação da sucursal, Danuza Leão, colunista do jornal, e Josias de Souza, colunista do UOL, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, zona sul do Rio.

Milícias
Freixo disse que Paes tem responsabilidade pelo crescimento das milícias na cidade. Ele afirmou que a atual gestão apoia financeiramente centros sociais e tira benefício eleitoral do controle territorial dessas quadrilhas.
"Ele não é dono de milícia. Mas tem responsabilidade no crescimento das milícias. [...] Significa que se possa prender o prefeito? Não é assim. Mas é necessário um debate sobre a responsabilidade política do quanto esses grupos criminosos têm na sua base eleitores que interessam não só à milícia, mas a muitos que lucram com esse domínio."
O candidato criticou a atual gestão por não ter feito licitação para motoristas individuais, proposta feita pela CPI das Milícias e apresentada ao atual prefeito em 2008.
"Tem foto publicada em vários lugares do atual prefeito com donos de cooperativas de vans, muitos deles indiciados, presos ou mortos."
Em 2009, a prefeitura realizou licitação para o transporte alternativo na qual só participariam cooperativas.
No ano passado, cancelou contratos após reportagem do "Fantástico" mostrar pagamento de propina nas cooperativas. As permissões passaram a ser individuais.
Procurado pela Folha, Paes não quis comentar.


UPPs
Freixo fez críticas ao projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Ele disse que a instalação se preocupa mais com o turismo na zona sul do Rio do que com a redução da violência na Baixada Fluminense, onde não há UPPs. "A UPP não é um projeto de segurança pública, é um projeto de cidade."

Falta de alianças
O candidato disse que a falta de alianças atrapalha por lhe dar pouco tempo de TV. Mas afirmou ter optado por uma "aliança com a sociedade civil" e criticou a megacoligação formada por Paes, com 20 partidos.

Chico e Caetano
Ele afirmou ser bom ter o apoio dos cantores Caetano Veloso e Chico Buarque. Mas minimizou o efeito da presença dos dois na campanha. "Ninguém ganha eleição por causa do apoio de artista."
Os dois farão show em um teatro do Leblon no dia 11 para levantar fundos para a campanha de Freixo.

Apoio de ricos
O candidato do PSOL atribuiu seu bom desempenho no eleitorado mais rico e escolarizado ao "acesso à informação". "Quem tem mais acesso à informação consegue ter mais simpatia. Não é porque é rico. Mas porque tem acesso à informação."

Olimpíada
Freixo disse que manterá "relação republicana" com o COI. E indicou que poderá rever decisões tomadas para os Jogos. "Vamos cumprir todos os contratos a começar por um: a Constituição."

Carnaval
Ele defendeu a criação de comissão para aprovar ou não a subvenção para escolas de samba e que não seja investido dinheiro público em enredos patrocinados. "A liberdade da escola é total [para escolher o enredo]. Mas se resolve vender o desfile a um patrocinador e usar o tempo de desfile para fazer propaganda, tira a necessidade de dinheiro público."

Ameaças
Freixo negou que tenha saído do país em novembro para explorar eleitoralmente as ameaças que sofria.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes nega que evento com políticos envolvidos em crimes tenha sido secreto

Mas porque então prefeito, o senhor evita ser fotografado com políticos envolvidos com traficantes e milicianos que o apoiam?


RIO - Dois dias após participar do lançamento da campanha do vereador Chiquinho Brazão (PMDB), onde dividiu o palanque com políticos investigados, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, candidato à reeleição pelo PMDB, negou nesta quarta-feira que esta agenda tenha sido secreta.

Paes alegou que não poderia divulgar como compromisso oficial um evento organizado por outro candidato.

Paes pediu votos na noite de segunda-feira, na Taquara, num comício ao lado do deputado federal Eduardo Cunha e do deputado estadual Domingos Brazão, irmão de Chiquinho, todos do PMDB. Cunha e Domingos Brazão são investigados por irregularidades.

Nesta quarta-feira, Paes falou sobre a aparição ao lado da família Brazão, de Cunha e de outros aliados, como o deputado estadual Pedro Augusto (PMDB) e presidente regional da sigla, Jorge Picciani.

No último sábado, Paes já havia caminhado, em Campo Grande, na Zona Oeste, na companhia do candidato a vereador pelo PT Marcelo Sereno, afilhado político de José Dirceu, réu no mensalão e ex-ministro da Casa Civil do governo Lula.

Preocupação com candidatos

Na segunda-feira, antes de o prefeito seguir para o comício, a assessoria de imprensa de Paes, por duas vezes, negou ao GLOBO que o prefeito participaria de outro compromisso público ainda naquele dia.

A orientação da cúpula da campanha de Paes é de que o prefeito não inclua na agenda pública eventos com candidatos a vereador da coligação do PMDB, que conta com outros 19 partidos. A preocupação é evitar constrangimentos ao ser fotografado ao lado de políticos envolvidos em crimes, principalmente com milícias e com tráfico.


Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha é investigado por suposto tráfico de influência na Refinaria de Manguinhos. Brazão consta no inquérito da Polícia Federal que investigou a máfia dos combustíveis no Rio, em 2004, que adulterava o produto e o vendia com notas fiscais falsas. Ele não é réu no processo da Justiça Federal.

Contra Brazão, ainda há dois inquéritos no Ministério Público. Um apura o suposto envolvimento dele e de assessores em pagamentos irregulares do auxílio-educação na Assembleia Legislativa do Rio; o outro, o possível uso irregular de tarifa social na conta de água (benefício dado pela Cedae à população carente) por condomínios de classe média em troca de votos, em 2006.

Matéria originalmente publicada no O Globo Online