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domingo, 7 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Candidato da Rede Globo, Eduardo Paes, é reeleito no 1º turno no Rio de Janeiro

COISA DE JERICO!!! Mesmo não cumprindo 1/5 das promessas de campanha de 2008, sendo flagrado negociando com milicianos, envolvido no mensalão do PTN e no escândalo da Construtora Delta de Fernando Cavendish, amigo de Sérgio Cabral. Candidato do PMDB conquista 2º mandato com 64,42% dos votos.


Confirmando o favoritismo apontado pelas pesquisas, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), foi reeleito neste domingo (7) para mais quatro anos de mandato.

Antes de assumir a prefeitura pela primeira vez, Paes, 43, foi vereador e duas vezes deputado federal. Sua trajetória partidária inclui, além do PMDB, passagens pelo PFL (atual DEM) e PSDB.

Apesar do crescimento na reta final da campanha, Marcelo Freixo (PSOL), não conseguiu repetir o desempenho de Fernando Gabeira (PV), que alcançou o segundo turno das eleições municipais em 2008, quando perdeu por margem apertada.

A campanha do peemedebista teve grande capilaridade nas zonas mais populares do Rio e contou com forte apoio político. O ex-presidente Lula, o governador Sérgio Cabral (PMDB) e a presidente Dilma Rousseff gravaram mensagens pedindo votos para o candidato.

A coligação que ajudou a viabilizar a reeleição de Paes contou com 20 partidos, o que lhe garantiu mais da metade do tempo do horário eleitoral.

Algumas personalidades, como o arquiteto Oscar Niemeyer, a cantora Alcione, o cineasta Andrucha Waddington e o poeta Ferreira Gullar também apoiaram Paes.

Outro fator fundamental para a reeleição foi a boa percepção da atual prefeitura. Segundo pesquisa Ibope, de 1º de outubro, 73% dos cariocas aprovam a gestão do prefeito.

Já Freixo, com tempo reduzido no horário eleitoral, contou com apoio de intelectuais, artistas e de boa parte do eleitorado mais abastado da capital fluminense - fenômeno bastante semelhante ao de Gabeira, no pleito passado. Os cantores Caetano Veloso e Chico Buarque chegaram, incluisive, a fazer um show juntos para arrecadar verbas para a campanha do candidato socialista.

Visibilidade Internacional

Além do grande tempo de rádio e TV e do amplo apoio político, eventos internacionais ajudaram a dar visibilidade à candidatura de Paes.

Na festa de encerramento da Olimpíada de Londres, o prefeito recebeu a bandeira olímpica das mãos do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, com a qual desembarcou no Rio acompanhado de renomados atletas. A cidade será a próxima sede dos Jogos, em 2016.

A conferência Rio+20 também levou holofotes ao então candidato. Estiveram na cidade representantes de 188 países, e o Rio passou no teste de organizar um grande evento sem graves incidentes, cacifando o município para os próximos Jogos Olímpicos e para a Copa-14.

Compra de apoio político

Durante a última semana de campanha, Paes foi duramente atacado por adversários por supostamente ter conseguido o apoio do partido nanico PTN à sua coligação em troca de R$ 200 mil.

A denúncia foi publicada em áudio no site da revista "Veja". Em uma entrevista dada após esse fato, o presidente estadual do PTN, Jorge Sanfins Esch, afirmou que o coordenador de campanha de Paes, deputado federal Pedro Paulo (PMDB), teria feito a promessa na convenção do partido, realizada no dia 30 de junho.

Segundo o prefeito, o fato foi "denuncismo de última semana de campanha", e o apoio ao PTN se deu exclusivamente através de material de campanha.

Milícias

O tema das milícias ainda existentes no Rio de Janeiro também foi motivo de troca de acusações entre os candidatos.

Em sabatina Folha/UOL, Marcelo Freixo disse que o prefeito teria relação com milicianos. Para Freixo, Paes seria o responsável pelo crescimento das milícias e o acusou de favorecimento eleitoral. "Ele [Eduardo Paes] tem responsabilidade pelo crescimento das milícias."

Em 2008, Freixo foi presidente da CPI da Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio. Essa atuação inspirou um personagem do filme "Tropa de Elite 2", o deputado Fraga.

Aliança Inusitada

A eleição deste ano no Rio de Janeiro também foi marcada por uma coligação que seria impensada até pouco tempo atrás.

Os ex-desafetos Anthony Garotinho (PR) e Cesar Maia (DEM) se uniram para tentar viabilizar a candidatura de seus filhos à prefeitura.

No entanto, a chapa encabeçada por Rodrigo Maia (DEM), tendo como vice Clarissa Garotinho (PR), não decolou.

Cesar Maia e Paes, hoje desafetos, já foram próximos politicamente. Na primeira gestão municipal de Maia (1993-1996), Paes foi subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Já em 2001, durante o segundo mandato de Maia, Paes foi secretário do Meio Ambiente.

Além de Paes, Freixo e Maia, a disputa eleitoral deste ano contou com mais cinco candidatos: Otávio Leite (PSDB), Aspásia Camargo (PV), Antonio Carlos (PCO), Cyro Garcia (PSTU) e Fernando Siqueira (PPL).

Matéria originalmente publicada no UOL Notícias

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012: 'Diálogo político' com milicianos não pode ser tratado como criminoso, diz Eduardo Paes

(...)

Milícias

O prefeito classificou como "leviandade" e "desespero eleitoral" a acusação de Marcelo Freixo (PSOL) de que ele tem responsabilidade pelo crescimento das milícias.
O peemedebista disse que decidiu fazer a licitação de vans via cooperativas porque é a forma feita nas principais capitais do país.
Ele criticou Freixo por "politizar" o tema. "É um risco enorme a gente politizar o tema segurança. Essa foi uma das tragédias do Rio que conseguimos mudar."

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes confirma que se reuniu com milicianos em 2009 para conversar sobre licitação de vans

Paes afirmou que não sabia que se tratavam de milicianos, apesar de o deputado estadual e hoje candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (Psol) ter entregado ao prefeito um relatório completo da CPI das Milícias, onde constavam os nomes de todos os envolvidos.


O prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), confirmou, após o debate realizado pela Rede TV! e Folha de S. Paulo na noite desta quarta feira, que se reuniu com representantes de cooperativas de vans em 2009. Ele ainda admitiu que "parece que tinha alguns milicianos ali", mas que não tinha conhecimento da presença de criminosos no grupo.

O tema foi mencionado pelo candidato do Psol, Marcelo Freixo, durante o debate. O deputado estadual reiterou as acusações de que Paes se reuniu com milicianos. "Tem muito delinquente na política do Rio de Janeiro. Acho que não é o caso das pessoas que estão aqui hoje nesse debate", disse Paes.

Matéria originalmente publicada no Terra Notícias

ELEIÇÕES 2012: Vereadores do Rio tentam reeleição 39% mais ricos


Matéria originalmente publicada no jornal Extra

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes é o campeão de ilegalidades e denúncias no TRE-RJ

Coincidência ou não, todas as localidades têm grandes áreas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias


O prefeito Eduardo Paes não lidera apenas as pesquisas de intenção de votos para a prefeitura do Rio. De acordo com um levantamento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), o prefeito é o principal alvo de reclamações de eleitores através do Disque-Denúncia Eleitoral, desde o lançamento do serviço, há cerca de dois meses.

O tribunal já acumula 2.660 denúncias vindas de todos os municípios do estado. A grande maioria é sobre a exposição de placas, faixas e adesivos com propaganda irregular. Paes é o candidato mais citado, seguido pelos candidatos a vereador Luiz Antônio Guaraná e Rosa Fernandes, ambos do PMDB e concorrentes na capital. Wagner Bororó, do PSB, fecha a lista.

Ainda segundo o levantamento do TRE-RJ, os casos de propaganda eleitoral irregular são mais frequentes na Zona Oeste e na Leopoldina. Em comum, as duas regiões abrigam muitas comunidades onde a fiscalização praticamente inexiste. Os bairros com mais denúncias são Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Senador Camará, Realengo, Penha, Ramos, Olaria, Bonsucesso e Manguinhos. Coincidência ou não, todas as localidades têm grandes áreas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias.

Jornal do Brasil - Coluna Informe JB

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes lidera pesquisas de intenção de votos em áreas controladas por milícias

'Paes é responsável por crescimento de milícias', diz Marcelo Freixo


O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), candidato à Prefeitura do Rio,afirmou ontem, na sabatina Folha/UOL, que o prefeito Eduardo Paes (PMDB), líder nas pesquisas de intenção de voto, é um dos responsáveis pelo crescimento da atuação das milícias na cidade.

Freixo, que presidiu CPI sobre o tema na Assembleia Legislativa do Rio, afirmou que o peemedebista tira vantagem eleitoral com a ação das quadrilhas.

O socialista respondeu a perguntas de Paula Cesarino Costa, diretora da sucursal do Rio da Folha, Cristina Grillo, secretária de redação da sucursal, Danuza Leão, colunista do jornal, e Josias de Souza, colunista do UOL, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, zona sul do Rio.

Milícias
Freixo disse que Paes tem responsabilidade pelo crescimento das milícias na cidade. Ele afirmou que a atual gestão apoia financeiramente centros sociais e tira benefício eleitoral do controle territorial dessas quadrilhas.
"Ele não é dono de milícia. Mas tem responsabilidade no crescimento das milícias. [...] Significa que se possa prender o prefeito? Não é assim. Mas é necessário um debate sobre a responsabilidade política do quanto esses grupos criminosos têm na sua base eleitores que interessam não só à milícia, mas a muitos que lucram com esse domínio."
O candidato criticou a atual gestão por não ter feito licitação para motoristas individuais, proposta feita pela CPI das Milícias e apresentada ao atual prefeito em 2008.
"Tem foto publicada em vários lugares do atual prefeito com donos de cooperativas de vans, muitos deles indiciados, presos ou mortos."
Em 2009, a prefeitura realizou licitação para o transporte alternativo na qual só participariam cooperativas.
No ano passado, cancelou contratos após reportagem do "Fantástico" mostrar pagamento de propina nas cooperativas. As permissões passaram a ser individuais.
Procurado pela Folha, Paes não quis comentar.


UPPs
Freixo fez críticas ao projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Ele disse que a instalação se preocupa mais com o turismo na zona sul do Rio do que com a redução da violência na Baixada Fluminense, onde não há UPPs. "A UPP não é um projeto de segurança pública, é um projeto de cidade."

Falta de alianças
O candidato disse que a falta de alianças atrapalha por lhe dar pouco tempo de TV. Mas afirmou ter optado por uma "aliança com a sociedade civil" e criticou a megacoligação formada por Paes, com 20 partidos.

Chico e Caetano
Ele afirmou ser bom ter o apoio dos cantores Caetano Veloso e Chico Buarque. Mas minimizou o efeito da presença dos dois na campanha. "Ninguém ganha eleição por causa do apoio de artista."
Os dois farão show em um teatro do Leblon no dia 11 para levantar fundos para a campanha de Freixo.

Apoio de ricos
O candidato do PSOL atribuiu seu bom desempenho no eleitorado mais rico e escolarizado ao "acesso à informação". "Quem tem mais acesso à informação consegue ter mais simpatia. Não é porque é rico. Mas porque tem acesso à informação."

Olimpíada
Freixo disse que manterá "relação republicana" com o COI. E indicou que poderá rever decisões tomadas para os Jogos. "Vamos cumprir todos os contratos a começar por um: a Constituição."

Carnaval
Ele defendeu a criação de comissão para aprovar ou não a subvenção para escolas de samba e que não seja investido dinheiro público em enredos patrocinados. "A liberdade da escola é total [para escolher o enredo]. Mas se resolve vender o desfile a um patrocinador e usar o tempo de desfile para fazer propaganda, tira a necessidade de dinheiro público."

Ameaças
Freixo negou que tenha saído do país em novembro para explorar eleitoralmente as ameaças que sofria.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes nega que evento com políticos envolvidos em crimes tenha sido secreto

Mas porque então prefeito, o senhor evita ser fotografado com políticos envolvidos com traficantes e milicianos que o apoiam?


RIO - Dois dias após participar do lançamento da campanha do vereador Chiquinho Brazão (PMDB), onde dividiu o palanque com políticos investigados, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, candidato à reeleição pelo PMDB, negou nesta quarta-feira que esta agenda tenha sido secreta.

Paes alegou que não poderia divulgar como compromisso oficial um evento organizado por outro candidato.

Paes pediu votos na noite de segunda-feira, na Taquara, num comício ao lado do deputado federal Eduardo Cunha e do deputado estadual Domingos Brazão, irmão de Chiquinho, todos do PMDB. Cunha e Domingos Brazão são investigados por irregularidades.

Nesta quarta-feira, Paes falou sobre a aparição ao lado da família Brazão, de Cunha e de outros aliados, como o deputado estadual Pedro Augusto (PMDB) e presidente regional da sigla, Jorge Picciani.

No último sábado, Paes já havia caminhado, em Campo Grande, na Zona Oeste, na companhia do candidato a vereador pelo PT Marcelo Sereno, afilhado político de José Dirceu, réu no mensalão e ex-ministro da Casa Civil do governo Lula.

Preocupação com candidatos

Na segunda-feira, antes de o prefeito seguir para o comício, a assessoria de imprensa de Paes, por duas vezes, negou ao GLOBO que o prefeito participaria de outro compromisso público ainda naquele dia.

A orientação da cúpula da campanha de Paes é de que o prefeito não inclua na agenda pública eventos com candidatos a vereador da coligação do PMDB, que conta com outros 19 partidos. A preocupação é evitar constrangimentos ao ser fotografado ao lado de políticos envolvidos em crimes, principalmente com milícias e com tráfico.


Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha é investigado por suposto tráfico de influência na Refinaria de Manguinhos. Brazão consta no inquérito da Polícia Federal que investigou a máfia dos combustíveis no Rio, em 2004, que adulterava o produto e o vendia com notas fiscais falsas. Ele não é réu no processo da Justiça Federal.

Contra Brazão, ainda há dois inquéritos no Ministério Público. Um apura o suposto envolvimento dele e de assessores em pagamentos irregulares do auxílio-educação na Assembleia Legislativa do Rio; o outro, o possível uso irregular de tarifa social na conta de água (benefício dado pela Cedae à população carente) por condomínios de classe média em troca de votos, em 2006.

Matéria originalmente publicada no O Globo Online

ELEIÇÕES 2012: Apadrinhado político de José Dirceu, Marcelo Sereno, participou de caminhada com Eduardo Paes em Campo Grande

Uma área dominada por milícias!!!


Acompanhado pelos petistas Lindbergh Farias (PT), pela deputada federal Benedita da Silva (PT) e pelo apadrinhado político e ex-assessor do réu do mensalão José Dirceu, Marcelo Sereno.

Como já vinha fazendo em outros bairros, o candidato da coligação Somos Um Rio - a maior da cidade, que reúne 20 partidos - Eduardo Paes prometeu investimentos para a região de Campo Grande. "Pelo menos dois terços dos investimentos da Prefeitura no próximo ano serão para as zonas Norte e Oeste da cidade", afirmou.


Matéria originalmente publicada no Jornal do Brasil

ELEIÇÕES 2012: Marcelo Freixo pede proteção para campanha em áreas controladas por milícias


Rio - No segundo dia de campanha à Prefeitura do Rio de Janeiro, o candidato Marcelo Freixo (PSOL) esteve ontem pela manhã no calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste, região controlada por milícias, conforme relatório da ‘CPI da Milícia’. Desde 2008, quando presidiu a comissão de inquérito na Assembleia Legislativa, Freixo recebe ameaças de morte.

O candidato confirmou que encaminhou um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), à Secretaria de Segurança e ao comando da Polícia Militar informando que faria campanha na Zona Oeste e em favelas. “Pedi garantias não só para mim, mas para os todos candidatos poderem circular livremente em toda a cidade”, disse Freixo ao chegar na Rocinha, no início da noite, onde participou de um sarau de poesias na Via Ápia.


Matéria originalmente publicada no jornal O Dia Online

ELEIÇÕES 2012: Em 2006, Eduardo Paes defendia atuação de milícias na zona oeste

Segundo ele, os paramilitares trouxeram tranquilidade para a população de Jacarepaguá


RIO - O candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes, do PSDB, foi o entrevistado desta sexta-feira no RJ TV 2ª Edição. Ao explicar sua proposta de Lei Seca para algumas regiões do estado, ele defendeu operações com inteligência para que o Estado recupere a soberania perdida em áreas dominadas pelo tráfico, mas deu como exemplo de ações inteligentes aquelas feitas pela "polícia mineira" em Jacarepaguá.

- Você tem áreas em que o estado perdeu a soberania por completo. A gente precisa recuperar essa soberania. Eu vou dar um exemplo, pois as pessoas sempre perguntam como recuperar essa soberania. Jacarepaguá é um bairro que a tal da polícia mineira, formada por policiais e bombeiros, trouxe tranqüilidade para a população. O Morro São José Operário era um dos mais violentos desse estado e agora é um dos mais tranqüilos. O Morro do Sapê, ali em Curicica. Ou seja, com ação, com inteligência, você tem como fazer com que o estado retome a soberania nessas áreas.

ASSISTA AO VÍDEO

ELEIÇÕES 2012: Em 2009, Eduardo Paes se reuniu com líderes milicianos


Neste domingo, a Rede Globo denunciou mais detalhes da máfia das vans na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Controladas por grupos de milicianos, eles mantêm, de acordo com a reportagem, um complexo sistema de propinas e extorsões que envolve policiais militares, políticos e motoristas. Mesmo circulando de maneira irregular, as vans são ignoradas pelas autoridades e circulam graças ao "arrego" pago semanalmente a policiais. O mais chocante é que esses mesmos líderes milicianos se reuniram em 2009 com o então prefeito recém-eleito Eduardo Paes para, em tese, garantir a vitória de seus grupos na licitação das linhas de vans (veja foto abaixo).

CPI das Milícias

Na ocasião, Eduardo Paes garantiu aos líderes das cooperativas denunciadas na "máfia das vans" que elas teriam preferência no processo licitatório das linhas de cada região. A intenção era manter as linhas nas organizações de trabalhadores, ignorando o fato de que elas mantinham laços estreitos com milicianos. Anterior ao encontro, a CPI das Milícias já denunciava algumas das pessoas que aparecem reunidas com Paes e com o vereador Adílson Pires (PT-RJ).



Histórico

Na foto acima, é possível ver César Moraes Gouveia, conhecido como "César Cabeção". De preto e próximo da porta, ele é o presidente da Rio da Prata, cooperativa vencedora da licitação de 10 linhas na Zona Oeste e citada na matéria da Rede Globo como responsável por uma grande rede de propinas a policiais militares. Ele também foi citado na CPI das Milícias como um dos líderes da máfia de transportes da Zona Oeste.

Atrás de César Cabeção, de braços cruzados, está Dalcemir Barbosa, acusado pela mesma CPI de ser um dos líderes da milícia que domina Rio das Pedras. À direita do prefeito ainda é possível ver Hélio Ricardo, mais conhecido como "Gringo". Responsável por uma violenta guerra de cooperativas na região, Hélio está preso na Polinter do Grajaú acusado de envolvimento com a milícia. Getúlio Rodrigues, também apontado como líder miliciano, estava presente na reunião e seria executado no ano seguinte.

"Por mais que eles ainda não tivessem contra si qualquer crime na Justiça, essas pessoas foram citadas na CPI das Milícias e mereciam atenção especial. Não é por menos que, entre as pessoas com as quais a Prefeitura negociou, há pessoas presas e foragidas", criticou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), responsável pela investigação.


ELEIÇÕES 2012: Eduardo Paes não responde a temas polêmicos em debate no Rio; Marcelo Freixo liga prefeito a milícias


O atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), preferiu não responder a temas polêmicos durante o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura, realizado pela "TV Bandeirantes", na sede da emissora, na zona sul da cidade.

Em uma das situações nas quais foi confrontado pelos adversários, Paes teve seu nome ligado a milícias que atuam na zona oeste do Rio. Também participaram do debate os candidatos Rodrigo Maia (DEM), Otávio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV).



Líder da CPI das Milícias, realizada em 2008, o candidato do PSOL, Marcelo Freixo, afirmou ter recomendado ao prefeito que fizesse licitações individuais para regulamentar o transporte alternativo no Rio (vans e kombis). "Você não só não cumpriu isso como, em 2009, se reuniu com uma série de pessoas que foram indiciadas no relatório da CPI, sendo que algumas estão presas hoje", disse.

Na ocasião, o governo municipal optou por realizar o processo licitatório através de cooperativas. De acordo com o resultado da CPI das Milícias, muitas cooperativas eram parcialmente ou totalmente controladas pelos grupos paramilitares que atuam, em especial, nos bairros de Campo Grande e Santa Cruz, na zona oeste.

Freixo também reclamou de um suposto "silêncio" do governo municipal a respeito da política de expansão do metrô na cidade. Em sua tréplica, Eduardo Paes ignorou o discurso do adversário e manteve a estratégia de enaltecer os feitos de sua gestão, citando o sistema BRT (Bus Rapid Transit) e afirmando que a expansão do metrô, projeto realizado pelo governo do Estado, conta com o apoio da gestão municipal.

"O prefeito não é comentarista do que se faz na cidade, o prefeito tem que trabalhar", disse Paes, que não fez qualquer citação a milícias em suas falas durante todo o debate. Em 2006, quando concorria a seu primeiro mandato como prefeito do Rio, Paes se envolveu em uma polêmica semelhante. Na ocasião, ele utilizou a expressão "polícia mineira" para se referir a milícias de Jacarepaguá, e afirmou que esses grupos deram "tranquilidade para a população".
O debate

Logo na abertura do primeiro bloco do debate da "TV Bandeirantes", o candidato do PSDB, Otávio Leite, fez uma menção ao julgamento do mensalão, que teve início nesta quinta-feira (2) --sendo esta a única citação ao mensalão em todo o debate.

"Hoje é um dia histórico no Brasil. É a data do julgamento do mensalão. Queria pedir a todos que convergíssemos as nossas esperanças e energias para que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha luz e realmente puna todos aqueles que praticaram essa violência contra a democracia, instalando uma máfia dentro do Palácio do Planalto", afirmou.

Em seguida, todos os participantes do debate responderam a perguntas feitas por cidadãos. Rodrigo Maia (DEM), que foi questionado sobre o problema do trânsito na cidade, mudou o foco do início de sua resposta para alfinetar o rival do PMDB, que anteriormente havia sido contestado a respeito da atuação dos camelôs na capital fluminense.

"De fato, os camelôs nos últimos anos foram perseguidos e não reassentados", disse ele ao comentar a resposta dada pelo adversário.

As questões relacionadas ao trânsito e às políticas de transporte público foram os principais pontos do segundo bloco. Freixo escolheu Paes para que ele respondesse sobre um suposto "silêncio" do governo municipal a respeito da expansão do metrô na cidade, e questionou as razões pelas quais o atual prefeito teria privilegiado o modelo rodoviário.

Ao observar que o rival optou por não se aprofundar no assunto, que se defendeu mencionando o projeto do BRT (Bus Rapid Transit), Freixo partiu para o ataque:

"Pelo visto o silêncio em relação ao metrô vai continuar. Esse sim é transporte de massa. Ônibus não é transporte de massa nem no Rio nem em qualquer lugar do mundo. Você sabe disso, vocês viajam muito no PMDB. Se você for para Paris ou Londres, lugares que são muito frequentados por lideranças política do Rio [citando o governador do Estado, Sérgio Cabral, que foi fotografado jantando na capital francesa com o empreiteiro Fernando Cavendish], vai perceber que o metrô funciona", disse.

"Eu quero dizer que a licitação que você fez em 2010 para os ônibus, a que indicou o BRT, [sistema no qual] vocês anunciam que vai carregar 30 mil por hora, sendo que o BRT [cada ônibus] tem 160 vagas. Ou seja, só se passar um BRT a cada 20 segundos. Então não é verdade o que vocês dizem. Na licitação de 2010, o Tribunal de Contas do Município viu indícios fortíssimos de formação de cartel. É isso que tem por trás do seu grande apoio a Fetranspor", completou Freixo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CÚMPLICE: Em 2009, Eduardo Paes se reuniu com supostos chefes da "máfia das vans"

Jornal do Brasil

RIO - Neste domingo, a Rede Globo denunciou mais detalhes da máfia das vans na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Controladas por grupos de milicianos, eles mantêm, de acordo com a reportagem, um complexo sistema de propinas e extorsões que envolve policiais militares, políticos e motoristas. Mesmo circulando de maneira irregular, as vans são ignoradas pelas autoridades e circulam graças ao "arrego" pago semanalmente a policiais. O mais chocante é que esses mesmos líderes milicianos se reuniram em 2009 com o então prefeiro recém-eleito Eduardo Paes para, em tese, garantir a vitória de seus grupos na licitação das linhas de vans. 

Reunião em 2009 mostra Eduardo Paes negociando cooperativas com líderes milicianos
CPI das Milícias

Na ocasião, Eduardo Paes garantiu aos líderes das cooperativas denunciadas na "máfia das vans" que elas teriam preferência no processo licitatório das linhas de cada região. A intenção era manter as linhas nas organizações de trabalhadores, ignorando o fato de que elas mantinham laços estreitos com milicianos. Anterior ao encontro, a CPI das Milícias já denunciava algumas das pessoas que aparecem reunidas com Paes e com o vereador Adílson Pires (PT-RJ).

Histórico

Na foto acima, é possível ver César Moraes Gouveia, conhecido como "César Cabeção". De preto e próximo da porta, ele é o presidente da Rio da Prata, cooperativa vencedora da licitação de 10 linhas na Zona Oeste e citada na matéria da Rede Globo como responsável por uma grande rede de propinas a policiais militares. Ele também foi citado na CPI das Milícias como um dos líderes da máfia de transportes da Zona Oeste.

Atrás de César Cabeção, de braços cruzados, está Dalcemir Barbosa, acusado pela mesma CPI de ser um dos líderes da milícia que domina Rio das Pedras. À direita do prefeito ainda é possível ver Hélio Ricardo, mais conhecido como "Gringo". Responsável por uma violenta guerra de cooperativas na região, Hélio está preso na Polinter do Grajaú acusado de envolvimento com a milícia. Getúlio Rodrigues, também apontado como líder miliciano, estava presente na reunião e seria executado no ano seguinte.

Justificativa

Procurada pelo Jornal do Brasil, a Secretaria Municipal de Transportes esclareceu que todos os participantes do processo licitatório que concedeu às cooperativas o direito de circular na Zona Oeste estavam de acordo da lei. Apesar de terem sido citados na CPI das Milícias, eles ainda não tinham sido condenados por qualquer crime e atendiam aos requisitos previstos pela Justiça. A secretaria, no entanto, garantiu que, caso as irregularidades sejam comprovadas, as licitações serão suspensas. 

Eduardo Paes à direita
"Por mais que eles ainda não tivessem contra si qualquer crime na Justiça, essas pessoas foram citadas na CPI das Milícias e mereciam atenção especial. Não é por menos que, entre as pessoas com as quais a Prefeitura negociou, há pessoas presas e foragidas", criticou o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), responsável pela investigação.

Modelo perigoso

Em nota, o Sindvans-Rio criticou o modelo de licitações adotado pela Secretaria de Transportes, no qual cooperativas ou empresas podem concorrer pelas linhas de cada região. Para o sindicato, a licitação deveria ser aberta aos trabalhadores autônomos, que são vítimas dos esquemas de extorsão das cooperativas.

"Os trabalhadores autônomos legalizados são vítimas e reféns desse sistema que o crime organizado, há mais de uma década, explora com mão de ferro", criticou o Sindvans, que pressiona Eduardo Paes para rever as licitações que deram poder às cooperativas lideradas por milicianos.

A Secretaria de Transportes explicou que o modelo proposto pelo sindicato não é aplicável, já que não permitiria ao poder público controlar o número de veículos destinados a cada região e os itinerários adotados pelos motoristas.

Jornal do Basil - Coluna Informe JB