Mostrando postagens com marcador policia civil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador policia civil. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de agosto de 2013

Ministério Público de quinta categoria isenta prefeito Cezar Schirmer (PMDB) de culpa na tragédia da boate Kiss

A boate Kiss era uma arapuca que funcionava criminosamente com autorização da prefeitura e do corpo de bombeiros. Não é possível que o prefeito de uma cidade que concedeu o alvará não responda a processo em nenhuma instância na esfera política, cível e criminal em decorrência disso. É aquela velha história, a medida em que se vai absolvendo as autoridades nessas tragédias, vai se criando um ambiente geral de impunidade que caracteriza tantos e tantos outros casos escabrosos no Brasil.

Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

O fato é que está faltando autoridade no banco dos réus e atrás das grades. Essa justiça de quinta categoria deveria fazer com que as coisas criassem exemplos no alto escalão do processo. Fazer com que a cúpula política pague mais do que a base em crimes que produzam consequências para o cidadão. Uma prova de que isso é possível, foi o que aconteceu em Buenos Aires alguns anos atrás, onde o incêndio numa boate, que também matou muitos jovens, custou o mandato do prefeito da cidade. Foi caçado em consequência do trauma produzido pela tragédia, ou seja, o mesmo caso da boate Kiss em Santa Maria.

Alguém acha que foi especificamente o prefeito de Buenos Aires que deu o alvará fraudulento? Ou que deixou de cumprir o ritual da fiscalização? Não. Mas como ele é o chefe e cumpre a ele responder pelos atos de seus subordinados, o prefeito pagou o pato maior do ponto de vista político e cível.

Aqui no Brasil, nada aconteceu com o comandante dos bombeiros e com o prefeito de Santa Maria. Continuamos vivendo com a memória da tragédia sem ter produzido nenhuma punição aos responsáveis. Resumo da história, tratem de chorar os mortos até que essa cicatriz se feche. Infelizmente as autoridades continuam surfando nas tragédias como se não lhes dissessem respeito. O incêndio da boate Kiss deixou mais de 240 mortos em janeiro deste ano.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

CHEIRA MAL: Sérgio Cabral e Beltrame ignoram questionamento do TCE sobre a compra de dois helicópteros iguais, porém com valores distintos

Veja Online - Coluna Lauro Jardim

Policial civil premiado cobra melhor salário para categoria e constrange Beltrame e Pezão em pleno evento realizado no Rio

Inspetor Márcio Marques foi intensamente aplaudido pela plateia, composta por policiais civis e militares


RIO - Exatos dois meses após a decretação da greve das forças de segurança do Rio de Janeiro por melhores salários, o inspetor da Polícia Civil Márcio Marques da Silva, da 22ª DP (Penha), primeiro lugar no prêmio do Sistema Integrado de Metas da Secretaria de Segurança, cobrou em seu discurso nesta terça-feira (10) melhor salário e a “valorização” dos policiais, e foi prontamente aplaudido por colegas da Civil e da PM.

No palco, estavam o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, a chefe de Polícia, Martha Rocha, o comandante-geral da PM, coronel Erir Costa Filho, além do vice-governador, Luiz Fernando Pezão, representando Sérgio Cabral. Houve certo constrangimento inicial, mas em seguida até Beltrame aplaudiu.

Em 10 de fevereiro, a Polícia Militar e a Polícia Civil entraram em greve por melhores salários. O movimento foi rapidamente esvaziado depois que o Comando da PM ameaçou com expulsão sumária e prisão. A Polícia Civil também recuou e a paralisação rapidamente perdeu força.

Márcio Marques foi escolhido para discursar em nome da Polícia Civil, por integrar a 22ª DP, primeira colocada por atingir as melhores metas no estado. A área, que abrange parte dos Complexos da Penha e do Alemão, teve reduções de 59% na letalidade violenta, de 27,5% no roubo de veículos, e 34,4% dos roubos de rua no segundo semestre de 2011, em comparação com o mesmo período de 2010.

“Peço que o governo continue a estudar a valorização dos policiais, e a valorização dos salários. O Rio é a vitrine do mundo e a polícia precisa ser cada vez mais valorizada”, afirmou, sendo intensamente aplaudido pela plateia, composta por policiais civis e militares.

O sistema de premiação distribuiu R$ 45 milhões para policiais de 43 unidades das duas polícias, pelo cumprimento de metas de redução de criminalidade em suas áreas. Entre as unidades premiadas estão o Bope, o Batalhão de Choque, a Corregedoria Interna da Polícia Civil e a Divisão de Homicídios.

Matéria originalmente publicada no Último Segundo

segunda-feira, 26 de março de 2012

VERGONHA: Políticos e servidores corruptos no Rio de Janeiro têm 94% de chances de ficar impunes


RIO - A Justiça fluminense demorou 15 anos para condenar o inspetor da Polícia Civil Hélcio Augusto de Andrade à perda do cargo público. A ação de improbidade administrativa contra o policial foi ajuizada pelo Ministério Público em 1995, mas a decisão final só saiu em 2010, quando era tarde demais. Hélcio já estava aposentado e não precisou cumprir a pena. Acusado de enriquecimento ilícito, ele movimentou mais de US$ 5 milhões em créditos não identificados em suas contas bancárias entre os anos 1980 e 1990, período em que trabalhou no Detran.

Apesar do desfecho pífio, a ação de improbidade movida contra Hélcio foi uma dos poucas a chegar ao fim no Tribunal de Justiça do Rio. Vinte anos após o início da vigência da Lei de Improbidade Administrativa, que pune políticos e servidores envolvidos em desvio de dinheiro público, apenas 70 dos 1.209 processos no estado (6% do total) tiveram condenação com trânsito em julgado — quando já não cabe mais recurso à decisão. Outros tribunais do país exibem a mesma dificuldade. O Tribunal amazonense registra apenas uma ação com condenação definitiva. Em Pernambuco, nove. Na Bahia, 13 casos.

Rio tem 3.285 réus por corrupção

Os números, retirados do Cadastro Nacional de Improbidade Administrativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revelam a dificuldade do Judiciário brasileiro em punir a corrupção e recuperar o dinheiro. No Estado do Rio, a soma dos valores das 1.209 causas represadas representa R$ 4,6 bilhões (R$ 1 bilhão em valores desviados mais a aplicação de multas contra os gestores, que podem chegar a cinco vezes o total do prejuízo). A quantia corresponde a todos os gastos previstos pelo governo estadual para a área de Saúde este ano.

Entre pessoas físicas e jurídicas, o Rio tem 3.285 processados por corrupção. Há casos de réus respondendo a 20 ações. Na busca de um diagnóstico, o CNJ investiga desde o mês passado a vagarosidade do Estado do Rio. Uma das hipóteses é a complexidade da lei, que determina a notificação prévia de todos os envolvidos antes da instauração do processo. Esse primeiro passo, dependendo do número de pessoas, pode levar anos. A outra hipótese investigada é uma demasiada aproximação de magistrados às esferas do poder.

— Não tiro desses dados ilação negativa, mas reconheço que os estados do Sul têm rigor maior com os atos de improbidade administrativa, principalmente a magistratura de primeiro grau, mais beligerante. No Rio, em geral, há um afrouxamento da conduta ética. Certas situações são entendidas como normais. Isso leva a esse tipo de sentença complacente com os erros administrativos — lamenta o desembargador aposentado Marcus Faver, ex-presidente do TJ-RJ e integrante da Comissão de Ética Pública Estadual (Cepe) do governo fluminense.

De acordo com o cadastro do CNJ, 574 casos tiveram condenação definitiva na Justiça gaúcha; 305, em Santa Catarina; e 429, no Paraná. Mas o campeão de condenações é São Paulo, com 1.844 casos.

Para conhecer o outro lado da lei de improbidade, basta cruzar a divisa entre São Paulo e Rio. Em Itatiaia (RJ), a 183 quilômetros da capital, um caso de impunidade tira o sono do Ministério Público. Em apenas três meses de trabalho (entre junho e agosto do ano passado), logo após assumir o cargo interinamente, o juiz Flávio Pimentel de Lemos Filho, da Vara Única do município, julgou extintas, sem análise do mérito, 17 das 23 ações de improbidade movidas pelo MP contra o ex-prefeito Almir Dumay (1997-2004).

A lista de denúncias contra Dumay é uma espécie de abecedário do mau gestor. Irregularidades em obras públicas, contratação ilegal de serviços de transporte, aquisição suspeita de medicamentos, afastamento de servidores sem justa causa, modificação da data de pagamento da folha e rejeição de contas estão entre os atos de improbidade levados às barras da lei.

Para livrar Dumay, o juiz alegou que decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal em 2007 considerava que os agentes políticos, por estarem regidos por normas especiais de responsabilidade, não responderiam por improbidade administrativa. A essa altura, porém, a questão já estava pacificada no TJ do Rio: a decisão só deveria alcançar agentes políticos com foro especial, como ministros de Estado, o que não era o caso do ex-prefeito.

Dumay, contudo, não foi o único político favorecido com decisões de Flávio Pimentel. Em 2010, enquanto respondia interinamente pela Vara Única de Porto Real, cidade vizinha a Itatiaia no Vale do Paraíba, o juiz arquivou ação de improbidade ajuizada contra o prefeito da cidade, Jorge Serfiotis.

Ao tomar a decisão, ele ignorou um pedido do MP para que se declarasse impedido de julgar a causa. Isso porque a mulher do juiz, a advogada Ana Cristina Silva de Lemos, ocupava cargo de confiança na Prefeitura de Porto Real. Na época, era da Controladoria. Hoje, está lotada no núcleo jurídico.

Enquanto é lenta para condenar o mau gestor, a Justiça mostra agilidade na hora de inocentá-lo. Em 2009, quando ocupava interinamente a 2 Vara Cível de Itaguaí, o juiz Rafael de Oliveira Fonseca absolveu o prefeito da cidade, Carlos Busato, o Charlinho, na ação de improbidade que o acusava de dispensa ilegal de licitação na contratação de um jornal. No recurso, acolhido pelo Tribunal, o MP manifestou surpresa pela celeridade do magistrado.

Em Búzios, nenhum réu político punido

Na contramão da rotina da comarca, o juiz chegou a mandar um oficial ao MP, após o expediente forense, para entregar os autos aos promotores junto com um aviso de “urgência no julgamento”. Os próprios réus também surpreenderam o MP ao pedir, ao contrário da recorrente estratégia de demora, a antecipação do julgamento.

Outro caso polêmico envolve a Comarca de Búzios. Levantamento sobre as ações civis e de improbidade na cidade revela que, da caneta do juiz João Carlos de Souza Correa, titular da 1 Vara Cível, nunca saiu uma única condenação em 14 ações propostas contra políticos locais.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

sábado, 28 de janeiro de 2012

DESCASO: Além do desabamento de pedaço do forro, prédio da antiga Polinter tem subsolo alagado


RIO - Além de ter sido esvaziado, depois que um pedaço de forro do cartório da Delegacia de Defraudações desabou, nesta quinta-feira, o antigo prédio da Polinter também está com o subsolo alagado. Localizado na Avenida Silivino Montenegro, na Zona Portuária, o prédio abriga atualmente a Delegacia de Defraudações, a Corregedoria de Polícia Civil e a 1ª DP (Praça Mauá).

Após todos terem sido retirados da unidade, os policiais se aglomeraram do lado de fora do edifício. Uma máquina de sucção já está bombeando a água do subsolo para tentar esvaziar o compartimento. O pedaço de forro caiu quando um bate-estaca estava sendo utilizado em uma obra, que fica ao lado da Polinter. O delegado Fernando Albuquerque, da Defraudações, disse que aguarda uma decisão superior sobre o caso.

- É um problema estrutural. Vamos ver qual será a determinação administrativa - disse.
O prédio da antiga Polinter, que tem cinco andares, está em processo de desativação. A maior parte das delegacias especializadas que funcionavam no local já foram transferidas para um imóvel do Andaraí.

Matéria originalmente publicada no Extra Online