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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Delta, a construtora apontada como parte da quadrilha de Cachoeira, é uma velha amiga de Sérgio Cabral


A memória seletiva de certos setores da imprensa faz lembrar, às vezes, a seletividade dos que estão vazando informações sobre a Operação Monte Carlo. A construtora Delta, a empresa que mais toca obras do PAC, aparece, segundo relatório da Polícia Federal, atuando para o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Delta, Delta, Delta… Esse nome não nos é estranho, certo?

Como lembrei aqui no dia 2 de dezembro do ano passado, o dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral, governador do Rio, e José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui). Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio do ano passado, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

Em entrevista à revista, dois empresários, José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado, acusam o ex-ministro e chefão petista de fazer tráfico de influência em favor da Delta. Segundo os dois, Dirceu foi contratado por Cavendish para facilitar seus negócios com o governo federal. E como eles sabem? Eles eram donos da Sigma Engenharia, empresa que foi incorporada pela Delta em 2008; os três se tornariam sócios. O negócio emperrou e foi parar na Justiça. Oficialmente, a Delta contratou Dirceu como consultor para negócios junto ao Mercosul. Receberia modestos R$ 20 mil mensais pelo trabalho. De fato, dizem os denunciantes, a Sigma passou a ser usada por Cavendish para fazer transferências bancárias a Dirceu.

Um trecho da reportagem informa o desempenho da empresa de Cavendish no governo petista. Seu grande salto se dá a partir de 2009, ano da contratação de Dirceu. Segue trecho daquela reportagem em azul:

Durante o governo do ex-presidente Lula, a Delta passou de empresa de porte médio a sexta maior empreiteira do país. É, hoje, a que mais recebe dinheiro da União. Sua ascensão vertiginosa chamou a atenção dos concorrentes. Em 2008, a Delta já ocupava a quarta colocação no ranking das maiores fornecedoras oficiais. Em 2009, houve um salto ainda mais impressionante: a empresa dobrou seu faturamento junto ao governo federal. Em 2011, apesar das expectativas de redução da atividade econômica, o faturamento da Delta deve bater os 3 bilhões de reais - puxado por obras estaduais e do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento.”

Comprando senadores

Informa ainda a VEJA:

“Em reunião com os sócios, no fim de 2009, quando discutia exatamente as razões do litígio, o empresário Fernando Cavendish revelou o que pensa da política e dos políticos brasileiros de maneira geral: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. E disse mais. Com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo: “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado (para fazer obras). Senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na tua mão!”.

“Relações promíscuas”

VEJA publicou uma entrevista com os dois empresários (reproduzo trechos) e volto para encerrar.

Que tipo de consultoria o ex-ministro José Dirceu realizou para o grupo Delta?

Romênio - Tráfico de influência. Com certeza, é tráfico de influência. O trabalho era aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT. Isso, é óbvio, com o objetivo de viabilizar a realização de negócios entre a empresa e o governo federal.

E os resultados foram satisfatórios?

Romênio - Hoje, praticamente todo o faturamento do grupo Delta se concentra em obras e serviços prestados ao governo.

A contratação de José Dirceu foi justificada internamente de que maneira?

Romênio - A contratação foi feita por debaixo do pano, através da nossa empresa, sem o nosso conhecimento. Um dia apareceram notas fiscais de prestação de serviços da JD Consultoria. Como na ocasião não sabia do que se tratava, eu me recusei a autorizar o pagamento, o que acabou sendo feito por ordem do Cavendish.

O que aconteceu depois da contratação da empresa de consultoria do ex-ministro?

Quintella - A Delta começou a receber convites de estatais para realizar obras sem ter a capacidade técnica para isso. A Petrobras é um exemplo. No Rio de Janeiro, a Delta integra um consórcio que está construindo o complexo petroquímico de Itaboraí, uma obra gigantesca. A empresa não tem histórico na área de óleo e gás, o que é uma exigência Ainda assim, conseguiu integrar o consórcio. Como? Influência política.

A Delta, por ser uma das maiores empreiteiras do país, precisa usar esse tipo de expediente?

Romênio - Usa. E usa em tudo. O caso da reforma do Maracanã é outro exemplo. A Delta está no consórcio que venceu a licitação por 705 milhões. A obra mal começou e já teve o preço elevado para mais de l bilhão de reais. Isso é uma vergonha. O TCU questionou a lisura do processo de licitação. E quem veio a público fazer a defesa da obra? O governador Sérgio Cabral. O Cavendish é amigo último do Sérgio Cabral. A promiscuidade é total.

Voltei
É isso aí.

Depois de tudo, em julho do ano passado, na inauguração do teleférico no Complexo do Alemão, na presença de Dilma, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, celebrou a obra e a “vitória sobre os Ministérios Públicos”, fazendo um agradecimento explícito à Delta (aqui). Em agosto, dois meses depois do acidente, Cabral voltou a celebrar acordos com a Delta sem licitação, no valor de R$ 37,6 milhões. Tudo para “obras emergenciais”.

A Delta é mesmo a preferida do Rio e de Brasília. É a empresa que mais tem obras do PAC. Parte da de Cumbica, contratada sem licitação, desabou.

Por Reinaldo Azevedo

CABRAL FEDE: Delta confirma fala de Cavendishi sobre o preço de políticos

Amigo íntimo de Sérgio Cabral é suspeito de fazer pagamentos a empresas de fachada de Carlinhos Cachoeira. Rio de Janeiro é um dos Estados que possui contratos com a Delta


BRASÍLIA - A suspeita de que a empresa Delta Construções paga propinas para conseguir obras foi reforçada domingo à noite, com a divulgação de áudio em que o dono da construtora, o empresário Fernando Cavendish, fala dos milhões necessários para molhar a mão de políticos. O áudio foi divulgado no site "QuidNovi" pelo jornalista Mino Pedrosa, que já fez trabalho de consultoria para o laboratório farmacêutico Vitapan, de propriedade do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Em nota, a empresa confirma que as falas são de Fernando Cavendish, mas ressalta que elas são parte de uma conversa gravada clandestinamente emdezembro de 2008. Segundo a Delta, “o que é dito ali tem os verbos flexionados no condicional, como um exemplo hipotético, e foi pronunciado num tom claro de bravata”.


- Se eu botar 30 milhões na mão de um político, eu sou convidado para coisa para caralho. Pode ter certeza disso. Te garanto - diz Cavendish.

Em outro trecho, é possível ouvir:

- Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado: "ô, senador fulano de tal, se convidar, eu boto o dinheiro na tua mão".

Cavendish deixa claro que não é qualquer um que vai receber propina dele.

- Eu não me interesso pela raia miúda. Nenhum interesse por raia miúda. Para que raia miúda?

Segundo a Polícia Federal, que prendeu Cachoeira em fevereiro durante a operação Monte Carlo, a Delta transferiu dezenas de milhares de reais para empresas de fachada controladas pelo bicheiro. De acordo com o jornalista que divulgou o áudio, as declarações de Cavendish foram dadas durante reunião da diretoria da empresa. 

AGU vê irregularidades em 60 contratos da empreiteira com o Dnit

Análise da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que, entre 2007 e 2010, foram constatadas irregularidades em pelo menos 60 contratos celebrados entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Delta Construções. A extensão do dano pode ser maior, uma vez que, como destacado pela assessoria de imprensa, "o quadro não traz todos os trabalhos realizados pela CGU, mas sim uma amostra das apurações realizadas, entre 2007 e 2010, em obras de diversos estados".

Essas obras foram tocadas em Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Ao todo, esses contratos somam R$ 632,3 milhões, mas não há um valor exato de quanto desse dinheiro pode ter sido desviado.

Delta é a empresa que mais recebe recursos do governo federal no PAC, cresceu fortemente nos últimos anos e aparece com frequência nas gravações do caso Cachoeira. Cavendish precisa explicar sua atuação e suas declarações.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

CHEIRA MAL: Sérgio Cabral e Beltrame ignoram questionamento do TCE sobre a compra de dois helicópteros iguais, porém com valores distintos

Veja Online - Coluna Lauro Jardim

Tropas da Força Nacional voltarão ao Rio de Janeiro porque não existem PMs suficientes para atender a demanda de violência no Estado. E aí, Sérgio Cabral?

Desorganização total!!!


Coluna do jornal O Dia

PEGA NA MENTIRA!!! Ruas de Niterói têm apenas um policial militar a cada 6km

PINOCÃO: Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, promete 366 policiais militares para reforçar o efetivo do 12º BPM de Niterói, mas não cumpre


RIO - Nas ruas de Niterói, a pergunta que não quer calar: onde foram parar os 366 policiais militares que, segundo anúncios recentes da Secretaria estadual de Segurança, reforçariam o efetivo do 12º BPM (Niterói)? A promessa era de que eles se juntariam aos cerca de 700 PMs que já formavam o contingente do batalhão. Mas uma equipe do GLOBO percorreu na quarta-feira 104 quilômetros de 26 bairros da cidade e, em cinco horas, das 10h40m às 15h40m, constatou o motivo dos questionamentos da população: ainda são muitos os vazios de policiamento. No trajeto por todas as regiões do município, havia apenas 17 pontos de patrulhamento, em média um a cada 6,1 quilômetros, com 42 PMs no total. E detalhe: no caminho, as sete cabines de policiamento encontradas estavam vazias.

Um dia após o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, visitar a cidade, nas imediações dos morros do Estado, no Centro, e do Cavalão, em Icaraí, por exemplo, nada de PMs. Apenas na Rua Eduardo Luiz Goes, que corta o Morro do Estado, os repórteres encontraram policiais, mas Civis, da 76ª DP (Centro). Nessas comunidades, os planos são instalar duas Companhias Destacadas do 12º BPM, cada uma com cem recrutas — um total de 200 novos agentes que estariam chegando aos poucos.

Outra das medidas anunciadas tampouco está surtindo efeito, pelo menos no que se pôde ver nas ruas: em todo o percurso de 65 vias, algumas percorridas mais de uma vez, nenhuma equipe do Projeto Garupa, do Batalhão do Choque, foi avistada. Isso embora tivesse sido anunciado que, desde domingo passado, 44 homens do grupo patrulhariam Niterói, em 33 motos. Além deles, outros 122 PMs já teriam chegado à cidade.

— Pelo menos por onde passo diariamente, não vi o reforço. Até tem polícia na Praia de Icaraí. Mas uma viatura, como já ocorria antes. Nas ruas internas, pouco mudou — reclama a moradora do Jardim Icaraí Fernanda Almeida, de 27 anos.

Na região de Icaraí, aliás, incluindo Santa Rosa, Vital Brazil, São Domingos e parte do Ingá e do Gragoatá, a equipe do GLOBO deparou-se com apenas três pontos de policiamento: um veículo na Praia de Icaraí; outro na Rua Gavião Peixoto, em frente ao Campo de São Bento; e um terceiro próximo ao campus do Gragoatá da UFF. Eram quatro PMs das 11h26m às 12h20m, e duas cabines vazias.

Mais desguarnecida estava a região do Centro. Das 10h40m às 11h26m, por 23 ruas, só havia uma viatura da polícia na Avenida Jansem de Melo, e em frente ao 12º BPM. Enquanto isso, não havia policiais próximo ao movimentado Terminal João Goulart e à estação de barcas da Praça Arariboia. Nem na cabine blindada instalada ali perto.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

RIO VIRA ZONA!!! Niterói ficará com recrutas que iriam para UPPs

Não existem policiais para atender a demanda de violência provocada pelas UPPs de Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame em outras regiões do Estado. E agora Vossas Excelências!!! Desorganização total por parte das autoridades!!!


RIO - Se até o fim do ano passado as UPPs tinham prioridade quase total para receber os policiais recém-formados no estado, a onda de violência nos últimos meses em Niterói mudou esse quadro. Com os reforços no 12º BPM (Niterói) anunciados na quinta-feira pela Secretaria de Segurança, a cidade receberá nas próximas semanas 322 PMs recém-formados. Um número que, se comparado com os efetivos nas comunidades pacificadas do Rio, é menor apenas que o existente nas UPPs da Mangueira (403 policiais) e da Cidade de Deus (344).

Do total de recrutas, 200 vão para as duas novas Companhias Destacadas do 12ºBPM (Niterói) que serão criadas: uma no Morro do Estado, no Centro, e outra no Morro do Cavalão, em Icaraí. De acordo com o porta-voz da PM, coronel Frederico Caldas, grande parte deles virá da turma de 580 novos soldados formados ontem no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap). Além deles, outros 122 recrutas formados em turmas anteriores já chegaram à cidade nas últimas semanas.

— Quando formamos um policial, ele não tem uma destinação predefinida. Até o fim do ano passado, eles seguiam quase exclusivamente para as UPPs. E alguns também para reforçar batalhões. Certamente Niterói não receberia tantos policiais. Em função da violência na cidade, porém, isso virou uma prioridade — disse o coronel.

Caldas garantiu ainda que o envio de soldados para Niterói não reduzirá o efetivoda Rocinha nem atrapalhará a instalação das UPPs da Fazendinha e da Nova Brasília, no Complexo do Alemão, previstas para breve. Junto com os 322 recém-formados, até domingo Niterói receberá ainda 44 policiais do Projeto Garupa, integrantes do Batalhão de Choque, que patrulharão a cidade de moto. E, em até 15 dias, será instalada uma base da Polícia Montada na cidade, ainda sem efetivo definido.

Enquanto se atendem a UPPs e a necessidades urgentes, como a de Niterói, em outras regiões há muitas reclamações de efetivos reduzidos. Em Angra dos Reis, por exemplo, moradores reclamam da desativação, há cerca de um mês, do posto do Batalhão Florestal. Em Volta Redonda, o pedido é de aumento do efetivo das polícias Civil e Militar. E em São Gonçalo, que recebeu 50 PMs no pacote da Secretaria de Segurança, moradores se queixam da invasão de traficantes do Rio e do pequeno número de policiais do 7º BPM, que tem só 500 homens para patrulhar 228 quilômetros quadrados, com 1,2 milhão de habitantes.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

ÓBVIO!!! Secretário de Segurança José Mariano Beltrame reconhece que efetivo de PMs não é suficiente em São Gonçalo

O efetivo é ridículo não só em São Gonçalo, mas em todo o Estado do Rio de Janeiro!!!


RIO - Após o aumento da criminalidade na região metropolitana do Rio de Janeiro, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, reconheceu que falta efetivo de PMs e equipamentos suficientes no batalhão de São Gonçalo (7° BPM). Ele visitou o batalhão do município e o de Niterói (12° BPM) na terça-feira (17) para acompanhar as medidas de segurança anunciadas para Niterói na semana passada.

— A gente tem uma leitura do que acontece em todo Estado. Temos alguns batalhões que estão com um problema sério de efetivo e, consequentemente, um aumento da criminalidade. Sabemos de tudo isso e, hoje, procuramos vir aqui pessoalmente. São Gonçalo tem mais de 1 milhão de habitantes e necessita de mais efetivo e equipamentos para darmos uma melhor resposta.

Matéria originalmente publicada no R7.com

DEMOROU PRA CACETE!! Finalmente Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame admite: bandidos migraram para Niterói

RIO - Durante uma inauguração no pacificado Morro da Providência, no Centro, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu, pela primeira vez, que vem ocorrendo uma migração de bandidos do Rio para Niterói: "Claro que ela há, mas não é um dado mensurável, se é um, se são cem ou se são mil. Tivemos 472 prisões em Niterói e 32 do Rio. A migração pode até haver, mas é relativa. O que temos que fazer é atuar aqui, em Niterói e na Serra", afirmou o secretário. (O Globo)

Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

— E agora secretário? Existe efetivo suficiente de PMs para cobrir as áreas afetadas pela migração de traficantes? 

SEM NOÇÃO! Para proteger Sérgio Cabral, Organizações Globo dizem que o aumento da violência em Niterói é culpa do mapa astral da cidade

Isso não é piada, é conivência. Agora jornalismo global resolveu culpar os astros para defender os interesses do governador do Rio. Jornal tenta enganar a população dizendo que a instalação das UPPs no Rio não tem nada a ver com aumento da violência em Niterói, quando na verdade foi o que causou a migração de bandidos pra lá, para baixada fluminense e para o interior do Estado.

O Globo, prestando sempre um desserviço à população

RIO - A rotina infernal que tem atormentado os moradores de Niterói é tão intensa, que muita gente anda enxergando a influência dos astros, especialmente nos recentes casos de violência, responsáveis por deixar a população de cabelo em pé e portas e janelas trancadas. Pode ser. Segundo a astróloga Celisa Beranger, desde novembro, Marte — que pode ocasionar distúrbios e violência quando “em más condições” — passou a ser mobilizado por Plutão, que tem o poder de dar boas condições para o desenvolvimento do crime organizado. Marte também vem recebendo tensão de Urano, que, com Plutão, é responsável pelo aumento da violência.

A influência dos planetas explicaria, ainda, problemas com a administração da cidade. Desde o eclipse do Sol do fim do ano passado, Netuno vem causando tensão em Saturno, que influi nas instituições que promovem o controle e separam a ordem do caos. A má notícia é que, segundo o mapa astral, pelo menos até o fim de 2012 o alinhamento dos planetas não será nada favorável para a cidade.

Mas há quem acredite que o inferno astral de Niterói tenha começado bem antes, quando pelo menos 143 pessoas morreram e mais de 7 mil ficaram desabrigadas após as chuvas de abril de 2010. Na ocasião, que teve como símbolo maior o Morro do Bumba — onde foram registradas 39 mortes —, Netuno, que indica inundações, estava influenciado pela oposição Saturno/Urano, planetas que, juntos, significam imprevistos desagradáveis e acidentes. Dois anos depois, moradores como Sérgio José Eugênio, que foi soterrado na tragédia e perdeu tudo, assistem com tristeza às cicatrizes que ainda hoje são aparentes por toda a cidade. A mesma que consta no programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), de 2000, como dona do terceiro melhor índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

Matéria originalmente publicada no O Globo Online

EFEITO UPP: Por causa da migração de bandidos, moradores vão às ruas pedir policiamento em Niterói


RIO - Cerca de cem moradores de Niterói saíram em caminhada pela Praia de São Francisco, no fim da manhã deste domingo, cantando o Hino Nacional. Nas mãos, os manifestantes carregam cartazes com frases de protesto contra a falta de segurança na cidade. É o segunda manifestação pelo mesmo motivo do fim de semana (sábado de manhã, houve uma na Praia de Icaraí e, à tarde, moradores de comunidade no Cantagalo sequestram ônibus em protesto contra morte de uma mulher). Eles já têm em mãos 3.800 assinaturas em um abaixo assinado pedindo aumento de efetivo para o 12º BPM (Niterói), e a expectativa é de se recolher pelo menos mais mil. O documento será encaminhado ao governador Sérgio Cabral.

Os moradores reclamavam que, dos cem policiais prometidos para reforçar o policiamento na cidade, só chegaram 40. E, mesmo assim, para atender também à Maricá:

- Juntando todo efetivo de Niterói, Maricá e São Gonçalo, há menos policiais em toda a região do que tem hoje a Rocinha - criticou o universitário Carlos Eduardo Carvalho, de 26 anos, filho caçula do médico Carlos Vieira de Carvalho Sobrinho, de 65 anos, morto durante um assalto na porta de casa, em Icaraí.

A psicóloga Marinice Machado - que faz parte do movimento SOS São Francisco, organizador do evento - comentou que os assaltos sempre aconteceram, mas que, de janeiro para cá, a situação vem se agravando muito:

- Eu, que costumava sair à noite com minha cachorra, já não faço mais isto. E ando sempre com muito medo, porque os assaltos não têm hora para acontecer.

Morador de São Francisco há 45 anos, Oscar Motta fez críticas ao governo do estado:

- Estou aqui hoje para tentar fazer com que o governador olhe por Niterói e pelo interior. Eu, graças a Deus, nunca fui assaltado. Mas na rua onde moro, a Goytacazes, oito casas já foram assaltadas.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

TRAGÉDIA NA SERRA: 'Quando a sirene funcionou, o corpo da minha filha já estava lá embaixo', diz mãe de vítima

O fato é que nem o governador Sérgio Cabral e nem o prefeito de Teresópolis nada fizeram depois das chuvas que mataram mais de 900 pessoas em janeiro de 2011


Rio - ‘Quando a sirene tocou, o corpo da minha filha estava lá embaixo”, lembra Rosane de Souza Gouveia, um dia após enterrar Joice Rosa de Araújo, sua filha de 16 anos, soterrada em deslizamento sexta-feira na porta de casa, no bairro Quinta Lebrão, em Teresópolis. Ontem, ela retornou ao local da tragédia para buscar roupas. À tarde, voltou a chover no município e outros pontos do estado. A Serra continua em estado de alerta.

“Choveu forte, caiu a barreira e só quando a chuva ficou fraca, a sirene tocou”, conta Rosane. Joice chegava em casa quando foi surpreendida com avalanche de terra. Segundo a mãe, o imóvel foi vistoriado pela Defesa Civil Municipal após as chuvas que devastaram a Serra em janeiro de 2011, deixando mais de 900 mortos, mas não foi interditado.

IMÓVEIS INTERDITADOS

Ao todo, há 10 bairros com pontos de deslizamento e alagamento: 379 imóveis foram interditados. Doze escolas — 10 alagadas e duas que servem como apoio para vítimas — não abriram ontem. Além de Joice, mais quatro pessoas morreram e 24 ficaram feridas nos deslizamentos em Teresópolis desde a noite de sexta. A Secretaria Estadual de Assistência Social já estima que 200 pessoas não terão como voltar para suas casas e precisarão do aluguel social.

Nesta segunda, voltou a chover na Serra. A previsão é de que a manhã seja de sol com pancadas de chuva à tarde e à noite. A Cruz Vermelha enviou paraTeresópolis água mineral, alimentos não-perecíveis e colchonetes. O estado enviou kits com camas, colchões, TVs e panelas para desalojados.

Milhões gastos com aluguel

Desde as chuvas de janeiro de 2011 até hoje, nenhum imóvel foi construído para famílias desabrigadas. Cerca de 11 mil pessoas ainda recebem aluguel social e já foram gastos mais de R$ 15 milhões com o pagamento do benefício.

Em janeiro, a União liberou R$ 331, 6 milhões para obras na Região Serrana, mas o dinheiro ainda está parado. A promessa é de que R$ 81 milhões sejam gastos em contenção de encostas em Friburgo e Teresópolis. Elas devem começar ainda este semestre. O resto do investimento, R$ 250 milhões repassados ao Inea, serão para obras de dragagem, canalização e construção de barragens.

Com R$ 147 milhões em recursos próprios, o estado está fazendo obras de contenção de encostas em 27 pontos da Região Serrana.

Matéria originalmente publicada no jornal O Dia Online

ÊTA PAÍS DE MERDA: Sirenes do Governo Sérgio Cabral que falharam em Teresópolis custaram quase R$ 1 milhão

- Não tocou e ninguém da Defesa Civil veio dizer que era área de risco - disse Verônica Braga, grávida de 4 meses e mãe de outros quatro filhos



RIO - Quase um milhão de reais. Com este valor a Prefeitura de Teresópolis e o governo do Estado do Rio de Janeiro instalaram as 20 sirenes de alerta sobre risco de deslizamentos em caso de chuva naquele município. Mas, além de levar cinco vidas, o aguaceiro derrubou o sinal da tecnologia 3G e tornou o sistema falho. Os equipamentos - colocados em novembro - foram acionados com atraso. Alguns, sequer emitiram sons. O secretário municipal de Defesa Civil, coronel Roberto Silva, reconheceu novamente neste domingo que houve problemas.

- Eu aceito as críticas sobre as sirenes, porque a tecnologia 3G caiu. Eu não consegui acessar os sites para acompanhar os índices pluviométricos (necessários para acionar o alarme remotamente). Em outros casos, não conseguimos também entrar em contato pelo celular com as pessoas que podem fazer o acionamento manual. Não podemos culpar a falha pelas mortes. Os funcionários da Defesa Civil estiveram nas casas orientando e salvaram vidas - disse o secretário.

O prefeito Arlei de Oliveira Rosa negou que tenha havido problemas e disse que 14 sirenes foram acionadas:

- As sirenes dependem que se atinja um determinado nível de chuva para ser acionadas - justificou, informando que estuda instalar mais 20.

Ainda não foi definido o local, mas uma delas pode ser instalada no bairro Santa Cecília, onde Kaique Moraes de Oliveira, de 7 anos, viu a mãe ser levada pela enxurrada. Ele ficou soterrado até o pescoço e, duas horas depois, renasceu da lama. Inocente, acreditava até ontem que ainda estão procurando por Rosângela Moraes de Oliveira, de 41. Contou, com desenvoltura, detalhes da noite de Sexta-feira Santa.

- Eu estava ajudando minha mãe a ajudar as pessoas, mas de repente... paft! O barranco veio para cima de mim e fiquei imprensado. Aí, minha mãe foi levada pela água - recordou, após mostrar os aranhões que sofreu pelo corpo.

Desolada após perder o marido Jason da Cunha Silva soterrado, a manicure Verônica Braga, de 31 anos, afirma que a sirene próxima ao Morro do Pimentel não funcionou.

- Não tocou e ninguém da Defesa Civil veio dizer que era área de risco - disse ela, grávida de 4 meses e mãe de outros quatro filhos.

Cada sirene instalada em Teresópolis custou R$ 45.268 (ao todo, R$ 905.360), incluindo equipamento, instalação, serviço de definição de local, testes e manutenção por um ano. O sistema que funciona com tecnologia 3G e pode ser acionado manualmente, agora, vai ganhar cabeamento de fibra ótica e contar ainda com transmissão via rádio.

No município do Rio, as sirenes foram instaladas pela mesma empresa, a Infoper, e também custaram R$ 45 mil, mas têm apenas seis meses de manutenção incluídas no contrato. Funcionam com a combinação entre 3G, velox e rádio, além de manualmente.

A diferença entre os dois municípios é a de que o Rio conta com o próprio centro de monitoramento meteorológico para fazer o acompanhamento do nível pluviométrico, enquanto Teresópolis acompanha por um site, dependendo da conexão 3G, segundo o secretário municipal de Defesa Civil, coronel Roberto Silva.

O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, comentou a tragédia na Serra, neste domingo:

- A prefeitura deve ter responsabilidade. É preciso saber conviver com a natureza.

Matéria originalmente publicada no Extra Online

IMPUNIDADE S/A: TRE absolve os tubarões Sérgio Cabral, Pezão, Picciani e mais dois deputados comparsas

O Ministério Público acusou o grupo de promover um encontro em Italva para pedir votos a servidores do município


Extra Online - Coluna Berenice Seara

A MÁFIA DO PMDB: TRE julga Sérgio Cabral por abuso de autoridade e poder político em 2010


Extra Online - Coluna Berenice Seara

quinta-feira, 29 de março de 2012

A FARSA DA PACIFICAÇÃO: Traficantes armados invadem quadra da Mangueira, cancelam reunião e impõem candidato único

                     
RIO - As eleições para a presidência da Mangueira colocaram a comunidade em estado de guerra. Nesta quarta-feira, às 16h50m, cinco homens armados com pistolas invadiram a quadra na Rua Visconde de Niterói e determinaram que o portão fosse fechado. O grupo subiu até o camarote e anunciou que Ivo Meirelles não era mais o presidente da escola. O tráfico também impôs o retorno de um carnavalesco campeão para a Verde e rosa.

A presença da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Mangueira não impediu a ação. Em três dias, é o segundo ato de afronta ao projeto de pacificação das comunidades, já arranhado pela morte do líder comunitário Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, na Rocinha.

Matéria originalmente publicada no Extra Online

terça-feira, 27 de março de 2012

A FARSA DA PACIFICAÇÃO: Presidente da Associação de Moradores da Rocinha é assassinado por traficantes


RIO - Numa demonstração de que o tráfico ainda exerce um poder paralelo na favela da Rocinha, em São Conrado, um homem em uma motocicleta, executou com três tiros, na nuca e nas costas, na tarde de ontem, Vanderlan Barros de Oliveira, o Feijão, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Barcelos (Amabb).

Ex-aliado de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem - preso em novembro, dias antes da ocupação da favela - Feijão foi morto na Travessa Palmas, na Via Ápia, uma das ruas mais movimentadas da Rocinha.

VEJA TAMBÉM:
A FARSA DA PACIFICAÇÃO: Traficantes do Comando Vermelho invadem parte da Rocinha

segunda-feira, 26 de março de 2012

ROUBALHEIRA: Locanty, Toesa, Rufolo e Bella Vista cobram 561% a mais do que o mercado


RIO - Além de oferecer propinas de até 20% sobre os valores de contratos com o setor público, as empresas denunciadas pelo "Fantástico" na semana passada planejavam superfaturar os serviços que prestariam em até 561%. Técnicos do Instituto dos Auditores Internos do Brasil e da Controladoria Geral da Uniãoanalisaram as planilhas de preços encaminhadas pelos representantes das empresas Locanty, Toesa, Rufolo e Bella Vista ao repórter que se passava por gestor de compras do hospital público e constataram, como mostrou outra reportagem do programa exibida neste domingo, que, se os contratos tivessem sido, de fato, assinados, representariam um prejuízo aos cofres públicos de R$ 3 milhões em apenas seis meses.

A fraude se daria na cotação de salários da mão de obra e na cobrança de serviços por valores bem acima dos praticados pelo mercado. O valor total dos contratos negociados chegava a R$ 7,3 milhões, sendo que R$ 1,3 milhão de propina seria paga ao gestor. Com isso, as empresas ficariam com R$ 6 milhões. Especialistas dizem, no entanto, que os serviços oferecidos não custariam mais do que R$ 4,3 milhões às acusadas. Ou seja, elas lucrariam, com o superfaturamento cerca de R$ 1,7 milhão.

— Para pagar a propina é preciso ter gordura no contrato. Além disso, toda vez que há esse tipo de facilidade, quando se sabe que o contrato vai ser ganho de qualquer jeito, se bota o preço mais alto — explicou o secretário-executivo da Controladoria Geral da União, Luiz Navarro.

A diferença mais exorbitante entre os valores propostos pelas empresas e os cobrados pelo mercado veio da Locanty para a coleta de lixo por seis meses. O valor total do contrato proposto previa uma despesa de R$ 450 mil, quando o mesmo serviço poderia ser prestado por R$ 68 mil (561% a menos). O superfaturamento se deu porque a companhia cotou em R$ 67 o valor da coleta do tonel de lixo comum, enquanto outras empresas do setor cobram, pelo mesmo serviço, R$ 10. Por sua vez, o valor proposto para o tonel de lixo infectante recolhido chegava a R$ 110. No mercado, o serviço pode ser obtido por R$ 14,30.

No caso da Toesa, a empresa pediu R$ 680 mil pelo aluguel de cinco ambulâncias sendo que mais de R$ 250 mil apenas de propina. Segundo os especialistas, a proposta está 42% acima do valor de mercado.

Salários muito acima da média

Os especialistas também encontraram distorções no orçamento da Rufolo para prestação de serviços de mão de obra terceirizada. No contrato de R$ 5,1 milhões, constava o salário de R$ 3,5 mil por porteiro, enquanto na média do mercado o valor não passa de R$ 1.500. Um jardineiro sairia por R$ 4.178 enquanto o salário médio da categoria é de mil reais, segundo os consultores. Os profissionais, no entanto, não receberiam esse valor; a diferença ficaria para a empresa.

— Ninguém em sã consciência contrataria um jardineiro por esse valor — diz o presidente do Instituto dos Auditores, Renato Trisciuzzi.

O "Fantástico" também revelou suspeitas de irregularidades no socorro às vítimas da tragédia das chuvas de janeiro de 2011, que deixaram mais de 900 mortos na Região Serrana. Entre as 20 empresas chamadas para remover a lama e o entulho estava a Locanty, que recebeu, mesmo sem ter cobertura contratual, R$ 670 mil do Estado. O Ministério Público federal questiona se o serviço foi compatível com o valor pago pelo trabalho.

— Há uma irregularidade formal que considero séria. Um contrato estabelece as obrigações das partes envolvidas, pactua preços e prevê garantias. Nesse caso, não houve nada disso — disse o procurador da República em Nova Friburgo, Marcelo Medina.

Em nota, o governo do estado informou que já prestou contas ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público. E que não foi feito $contrato formal porque a prioridade era agir com rapidez diante da tragédia. Por sua vez, a Locanty negou ter se beneficiado. Sobre a oferta de propina reiterou que demitiu por justa causa os dois gerentes que apareceram na reportagem.

Empresas são alvo de 46 ações no MP

O programa revelou também que as quatro empresas são alvos de 46 inquéritos e ações civis movidas pelo Ministério Público por contratos firmados em sete cidades do Rio. Desses, 15 por suspeita de fraudes em licitações e em contratos públicos.

No programa deste domingo, o "Fantástico" apresentou mais uma denúncia, que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) já decidiu investigar. Em abril de 2011, a Locanty foi contratada pela Câmara dos Vereadores de Duque de Caxias para alugar até 30 veículos oficiais por um ano. Cada carro custaria R$ 6,9 mil por mês com uma cota de 650 litros de combustível. Sem combustível, cada um sairia por R$ 5.151, enquanto em São Paulo, o Legislativo da capital paga R$ 2.331 por similar.

Alguns vereadores de Caxias ouvidos pelo "Fantástico" afirmam que jamais tiveram acesso aos carros. A informação é contestada pelo presidente da Casa, Dalmar Lírio Mazinho (sem partido). Segundo ele, o contrato foi cancelado em dezembro do ano passado, mas o TCE alega que não recebeu documento algum que confirme a informação. Mazinho garante que todos os vereadores usaram os carros.

— Os políticos querem o bônus do carro, mas não o ônus de aparecerem nessa condição — disse.

A reportagem lembrou ainda que a Toesa teve os bens bloqueados por ordem da Justiça. O motivo foi a suspeita levantada pelo TCE de fraudes num contrato de quase R$ 5 milhões com o governo do estado para a manutenção de veículos empregados no combate à dengue. O contrato havia sido assinado em 2009.

A Toesa foi procurada pelo "Fantástico", mas não se pronunciou.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

SÓ BANDIDO: Empresário corrupto da Toesa, David Gomes, recebeu 3 honrarias de parlamentares

Ele é citado pela "filosofia de honestidade e ética profissional" 


RIO - Um português bem-sucedido que, começando com uma empresa de autopeças, construiu, em pouco mais de quatro décadas, um império de serviços de atendimento médico-emergencial e de remoções em ambulâncias que tem sede no interior do Rio e filiais em cinco estados. Natural do Porto, em Portugal, David Gomes de Lima, de 67 anos, o homem que aparece nas denúncias do "Fantástico" ensinando que passa aos filhos o código de conduta da propina foi diretor de três empresas ligadas ao ramo de mecânica e peças para automóveis antes de virar diretor-presidente da Toesa Service S/A. Depois da denúncia, David não foi à filial da empresa em Bonsucesso, e funcionários não sabem seu paradeiro. As placas que indicavam a presença da firma foram retiradas.

Em dois anos, o empresário recebeu três honrarias de parlamentares fluminenses: uma moção de aplausos, a Medalha Tiradentes e o Título de Cidadão do Estado, dos ex-deputados Jodenir Soares (PTdo B) e Aparecida Gama (PMDB). Nas justificativas, o empresário é citado "pelos relevantes serviços prestados à população na área de atendimento médico-emergencial" e pela "filosofia de honestidade e ética profissional". No texto da Alerj, a vida do empresário é contada desde seus estudos em Aveiro, em Portugal. No Brasil, ele concluiu curso de técnico de contabilidade e cursou, pela metade, engenharia mecânica.

Não é a primeira vez que a Toesa se vê envolvida em escândalos. Em novembro de 2010, a Justiça do Rio abriu processo para julgar por improbidade administrativa o ex-subsecretário executivo da Secretaria estadual de Saúde Cesar Romero Vianna Júnior, além de dois funcionários da secretaria e as empresas Toesa Service, Scar Rio e Multi Service. Eles foram acusados pelo Ministério Público estadual de fraudar a licitação que contratou, em 2009, a Toesa para a manutenção de 111 ambulâncias. Na época, o MP disse que o contrato teria dado um prejuízo de R$ 2,6 milhões ao estado. O órgão pediu o ressarcimento do dinheiro e que a Toesa fosse proibida de firmar contratos com o poder público por cinco anos. Pelo processo, em 2008, a Secretaria estadual de Saúde terceirizou a manutenção dos veículos e a Toesa venceu a licitação. O MP apurou que a Scar Rio e a Multi Service apresentaram valores menores que a Toesa, mas foram desclassificadas por falta de documentação. Segundo o MP, isso foi uma manobra para beneficiar a Toesa, que apresentou o terceiro melhor preço.

Matéria originalmente publicada no Globo Online