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quinta-feira, 24 de março de 2016

Pezão decreta ponto facultativo nesta quinta-feira Santa para servidores estaduais do Rio

O governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, decretou que a Quinta-Feira Santa, dia 24, será ponto facultativo nas repartições públicas estaduais. (Extra Online)

Imagem: Reprodução/Extra Online

— Órgão público, seja ele municipal, estadual ou federal não precisa de folga para trabalhar melhor. Servidores têm hora exata pra entrar e sair do trabalho. E se tiver uma oportunidade de chutar o balde, eles chutam mesmo. E não adianta ficar ofendido porque é uma verdade que a população conhece. O que eu não entendo é como  o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), consegue manter essa tradição ordinária, anacrônica e absurda de dar ao servidor público uns dias de folga, nos quais todos estão trabalhando.

Quer dizer, o ponto facultativo só presta para o funcionário público. Ou seja, acaba sendo um feriado a mais pra ele, porque bancos, empresas, comércio, escritórios de advocacia e contabilidade trabalham normalmente. Então, que história é essa de não deixar o servidor público trabalhar? A ausência dele faz falta! Repartição fechada cria problema pra gente! Onde já se viu fechar posto de saúde, em pleno dia útil, por causa de um feriado no dia seguinte! Diz pra mim o que é isso!

Depois os governantes ficam ofendidos porque alguns veículos de imprensa caem de pau em cima deles. A verdade é que esses políticos não têm vergonha na cara! Não vou culpar isoladamente o servidor que tira proveito dessa situação. A culpa é do governador que concede o ponto facultativo.

Se o servidor público tem 30 dias de férias como qualquer cidadão. Se ele goza de outros privilégios que trabalhadores comuns não gozam como: Estabilidade, indemissibilidade e aposentadoria integral com remuneração próxima a da ativa. Então, que palhaçada é essa, na qual o servidor descansa mais do que um trabalhador comum descansa! É carga de trabalho a mais? Não é verdade. Aqui ou alí, você pode ter uma sobrecarga em determinado período, mas na média o expediente é tranquilo.

Portanto, não tem esse papo. Eu quero que você trabalhe como eu trabalho! Eu quero que você corresponda ao meu imposto! Eu quero que a repartição esteja funcionando quando precisar de você! E que esteja com um sorriso no rosto! Merecemos isso!

Governador Luiz Fernando Pezão, já que a senhor controla a Alerj, revogue essa palhaçada de ponto facultativo. Pare com essa idiotice!!!

domingo, 18 de novembro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Sérgio Cabral foi recebido sob vaias e gritos de ladrão ao local de votação


O governador Sérgio Cabral votou, na manhã deste domingo, na Escola Municipal Roma, em Copacabana (Zona Sul).

Sob forte esquema de segurança, o governador chegou ao local de votação, às 11h30, em companhia de sua mulher Adriana Ancelmo e de seus dois filhos. Ao chegar, o governador foi recebido por vaias e gritos de 'ladrão'. A discordância de opiniões levou a um bate-boca entre um militante e apoiadores do PMDB, que quase chegou a vias de fato.

Depois de votar, Cabral exaltou o processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, a utilização de urnas eletrônicas e a atuação da Justiça Eleitoral colocam o país como o mais evoluído da América Latina no quesito transparência.

Eduardo Paes e Sérgio Cabral

Matéria originalmente publicada no Jornal do Brasil

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Adriana Ancelmo, esposa de Sérgio Cabral, devolve R$ 32,9 mil do povo que bancaria sua viagem para Olimpíada

Alô, Ministério Público!!! Alô, Tribunal de Contas do Estado!!! Vai ficar por isso mesmo? Por que será que as Organizações Globo não divulgaram? Se a imprensa de São Paulo não tivesse feito a denúncia, a primeira-dama devolveria o dinheiro?


A primeira-dama do Estado do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo Cabral, devolveu R$ 32,9 mil aos cofres públicos para ressarcir os custos de sua viagem à Olimpíada de Londres. Ela faz da comitiva do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que irá aos Jogos Olímpicos. Entretanto, resolveu pagar suas próprias despesas e, por isso, agendou uma transferência bancária para uma conta do governo estadual.

A operação foi feita na segunda-feira, dia em que o UOL revelou que os custos da viagem de Adriana estavam cobertos por um contrato que o governo do Rio firmou com a Tamoyo y Turismo. Pelo contrato, o governo pagou R$ 2,08 milhões para levar, hospedar e transportar 13 membros do governo, mais Adriana, a Londres durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Apesar da publicação da reportagem e o agendamento da operação bancária terem ocorrido no mesmo dia, de acordo com o governo, não há qualquer relação entre os dois fatos. O pagamento só foi feito agora porque o embarque da comitiva ocorrerá nesta semana.

É nesta quarta-feira que o governador e outros membros do governo partem do Rio de Janeiro para assistir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, que ocorrerá na próxima sexta-feira. Em Londres, Sérgio Cabral e outros representantes estaduais participam ainda de compromissos oficiais e assistem a competições.

Só em ingressos, o governo do Rio de Janeiro gastou mais R$ 171 mil para atender a comitiva estadual. Ao todo, foram compradas 338 entradas, por meio de outro contrato firmado com a Tamoyo y Turismo no ano passado.

Não houve licitação em nenhum dos dois contratos. Segundo o governo, a Tamoyo y Turismo é a única agência de viagens brasileira credenciada pelo Comitê Organizador da Olimpíada de Londres para prestar os serviços contratados para a comitiva do governador. Por isso, não haveria possibilidade de realizar concorrências para a contratação.

A Tamoyo ainda ressaltou que “o processo de contratação obedeceu as regras legais”.

Matéria originalmente publicada no UOL Notícias

Sérgio Cabral usa Copa e Olimpíada para justificar aluguel de jatinho por R$ 3,5 milhões


A Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 são as justificativas do governo do Rio de Janeiro para contratação de mais um serviço. Desta vez, os dois megaeventos esportivos servem como argumento para o aluguel de um jatinho executivo que será usado pelo governador Sérgio Cabral em suas viagens nacionais e internacionais.

O governo estadual já abriu uma concorrência para contratar uma empresa de táxi aéreo que disponibilizará o avião. Pelo aluguel de um ano da aeronave, o governo do Rio de Janeiro está disposto a pagar até R$ 3,468 milhões.

As exigências são tantas que pelo menos duas empresas já solicitaram esclarecimentos quanto às regras da concorrência para o serviço. A Colt Aviation chegou a se manifestar dizendo que o edital restringia a possibilidade de empresas de disputar o contrato.

Cabe lembrar que o processo de contratação do serviço de taxi aéreo citado na reportagem do UOL é completamente independente do contrato em vigor. O contratos firmados desde 2007 também não foram feitos usando a Copa e a Olimpíada como justificativas.

Matéria originalmente publicada no UOL Notícias

Sérgio Cabral gasta R$ 2,2 milhões para levar sua comitiva de aspones para Olimpíada de Londres

Só o governador viajou três vezes para o Reino Unido durante os jogos


O governo do Rio de Janeiro firmou dois contratos com a agência de viagens Tamoyo y Turismo para levar a comitiva do governador Sérgio Cabral à Olimpíada de 2012. Pelos acordos, ambos fechados sem licitação, o governo pagará até R$ 2,260 milhões para garantir a presença de Cabral e outros 13 representantes estaduais nos Jogos Olímpicos.

O vice-governador Luiz Fernando Pezão; o secretário da Casa Civil, Regis Fitchtner; a secretária do Esporte e Lazer, Márcia Lins; e a primeira-dama Adriana Cabral são alguns dos escalados para a viagem a Londres. Todos eles, segundo o governo, fazem parte da comitiva porque trabalham no projeto da Olimpíada de 2016, que será sediada pelo Rio.

Para que eles possam assistir às festas de abertura e encerramento dos Jogos e também às competições, o governo do Rio gastou 54,2 mil libras esterlinas (cerca de R$ 171 mil) só em ingressos. Por meio de um contrato firmado com a Tamoyo no ano passado, foram compradas 338 entradas. Ou seja, cada membro da comitiva do governador poderá, na média, assistir a 24 eventos olímpicos. A entrada para cada um deles custará R$ 500, também na média.

Já para a viagem e hospedagem da comitiva, serão gastos até R$ 2,088 milhões. O valor consta de um outro contrato feito com a Tamoyo, este fechado em junho deste ano.

Esse contrato inclui os serviços de transporte, os seguros de viagem dos membros da comitiva, além das diárias em hotel e as passagens de avião. Aliás, dos 14 membros do governo que vão a Londres, 10 deles vão e voltam do Reino Unido mais de uma vez durante os Jogos.

Só o governador Sérgio Cabral viajará para Londres três vezes durante a Olimpíada. Na semana que vem, ele parte do Rio para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos. Em agosto, volta para a festa de encerramento. Já em setembro, vai a Londres mais uma vez para assistir ao encerramento dos Jogos Paralímpicos de 2012. Em todas essas viagens, Cabral estará acompanhado da primeira-dama.

O governador e todos os representante do Estado do Rio de Janeiro ficarão hospedados no hotel cinco estrelas One Aldwych, localizado perto da Waterloo Bridge. Lá, um quarto de luxo, uma suíte executiva e cinco quartos executivos estarão reservados para receber a comitiva estadual. Tudo isso já consta do contrato firmado entre o governo e a Tamoyo.

Matéria originalmente publicada no UOL Notícias

Sérgio Cabral inclui gasto para construção de quatro cadeias na conta da Copa e da Olimpíada


O governo do Rio de Janeiro conseguiu neste mês um empréstimo de R$ 3,6 bilhões do Banco do Brasil, o maior já concedido pelo banco a um estado brasileiro. Para obter todo esse dinheiro, usou como argumento a extensa lista de obras que o estado precisa concluir para poder sediar sem problemas a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Uma lista tão comprida que inclui até gastos com a construção de cadeias. Isso mesmo. O governo do Rio de Janeiro incluiu na sua lista de preparativos para a Copa e Olimpíada a construção de quatro casas de custódia. Usará o empréstimo do BB para pagá-las.

O governo fluminense também argumentou que “uma cidade que vai receber uma Olimpíada ou grandes eventos deve se preparar para atender a população em todos os setores, como saúde, transportes, segurança e, inclusive, unidades prisionais”.

Já o Banco do Brasil, que emprestou o dinheiro para as cadeias, afirmou em resposta ao UOL que fiscaliza a aplicação dos recursos emprestados. Afirmou também que “os projetos financiados estão adequados ao escopo do Programa Pró-Cidades, que contempla melhorias da infraestrutura rodoviária e urbana e da mobilidade das cidades do Rio de Janeiro”.

O banco não explicou, porém, qual a relação existente entre a construção das quatros cadeias no Rio de Janeiro com a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Matéria originalmente publicada no UOL Notícias

Sérgio Cabral pede pra sair em 2013 e diz que já avisou a Dilma

Malandragem do governador vai beneficiar o vice Pezão, que será candidato nas próximas eleições ao governo do Estado e Eduardo Paes. Tudo isso para que o povo não associe a imagem de Cabral aos escândalos de corrupção da Delta e a CPI do Cachoeira mantendo assim o PMDB no poder.


BRASÍLIA - O governador Sérgio Cabral está decidido a deixar o Palácio Guanabara em dezembro do próximo ano. A ideia está em estágio tão avançado que Cabral já conversou sobre o assunto com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula. A saída antecipada beneficiaria três de seus principais aliados em uma só tacada: o vice-governador Luiz Fernando Pezão, o prefeito Eduardo Paes e o filho do governador Marco Antônio Cabral.

Com a saída de Cabral em dezembro de 2013, Pezão teria dez meses até as eleições, se apresentando à população como governador, inaugurando obras, gerindo a máquina e participando de eventos de governo. Esse foi justamente o argumento apresentado por Cabral a Dilma.

Em uma conversa com Dilma no Palácio Guanabara no fim de abril, quando se comemorou a marca de 1 milhão de beneficiários do programa Renda Melhor, o governador falou com a presidente sobre o plano de deixar o cargo. Segundo Cabral, Pezão tinha de “ganhar musculatura” e não haveria melhor forma de fazê-lo do que “no cargo”.

Ao mesmo tempo, essa estratégia atende outro compromisso de Cabral: pavimentar o caminho de Eduardo Paes para ser governador do Rio em 2018. Concorrendo ao governo no exercício do mandato, Pezão ficaria impossibilitado de disputar a reeleição em 2018, beneficiando, então, o prefeito do Rio.

Caso consiga se reeleger em outubro, Paes ficaria na prefeitura até 2016 — aproveitando a Copa e as Olimpíadas — e seria candidato do PMDB a governador, com apoio de Pezão e Cabral, em 2018. Em contrapartida, isso garantiria também a dedicação integral do atual prefeito na campanha de Pezão em 2014.

A estratégia de Cabral foi confirmada por três interlocutores do governador. Segundo eles, essa teria sido a forma encontrada por ele para dar força na eleição de Pezão e manter o partido pacificado.

— Ninguém vai admitir isso publicamente hoje, até porque ele só conversou sobre o assunto com os aliados mais próximos — justificou um peemedebista.

Além de resolver as situações de Paes e Pezão, a saída de Cabral do governo em dezembro de 2013 permitiria ao governador construir a carreira de seu legítimo herdeiro: o filho Marco Antônio Cabral. Assessor de Paes na prefeitura do Rio, Marco Antônio já conquistou aliados no círculo político, mas não poderia concorrer em 2014 caso Cabral continuasse no governo. A Constituição proíbe que parentes de até segundo grau de presidentes, governadores e prefeitos sejam candidatos na mesma jurisdição.

Matéria originalmente publicada no O Globo Online

domingo, 22 de julho de 2012

CACHOEIRODUTO: Uma CPI para investigar a maior farra com dinheiro do povo desde o mensalão


A CPI para investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, com políticos e empresas que têm contratos com a administração pública saiu do papel em alta velocidade. A gravidade dos fatos levantados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público — o pagamento de propina a autoridades, a troca de favores entre a máfia do jogo e parlamentares e a assinatura de contratos públicos azeitados à base de tráfico de influência — produziu um fato raríssimo: a instalação da CPI contou com o apoio de governistas e oposicionistas. O Congresso deu mostras de disposição para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, uma de suas mais nobres missões. Se nasceu sem dores, a CPI começou a caminhar com dificuldades. Aprovado na quarta-feira passada, o plano de trabalho da comissão apenas tangencia o epicentro das irregularidades apontadas pelos policiais federais e pelos procuradores. A CPI decidiu ouvir os coadjuvantes das malfeitorias, mas, por enquanto, vacila em chamar para depor deputados e governadores suspeitos de manter relações promíscuas com Cachoeira e a empreiteira Delta, um colosso da construção civil com obras contratadas por governos do PT, do PSDB e doPMDB.

A desenvoltura multipartidária da Delta explica o começo claudicante da CPI que nasceu com o potencial de fazer uma faxina pública como não se via desde que o escândalo do mensalão foi destrinchado, em 2005, com o indiciamento de cerca de uma centena de pessoas. O deputado petista Odair Cunha, relator da CPI, tentou limitar geograficamente as investigações sobre a Delta e suas obras no Centro-Oeste. O ex-diretor da empreiteira para aquela região, Cláudio Abreu, está preso. O plenário da comissão, no entanto, arrancou do relator a promessa de investigar a atuação da Delta em todo o território nacional. Está pronto para votação o requerimento de convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish, e dediretores regionais da empresa.

"A base governista foi derrotada. Vamos investigar os aditivos nos contratos da Delta com o Dnit, principalmente aqueles assinados em períodos eleitorais", avisa o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Quando isso será feito — e se realmente será feito, devido às ligações também multipartidárias de Cavendish — ainda não está definido. A comissão ouvirá neste mês os depoimentos de delegados e procuradores envolvidos na investigação, seguidos de Cachoeira e seus comparsas presos. O único político com depoimento marcado é o senador goianoDemóstenes Torres, o, por enquanto, mais notório membro do esquema de Cachoeira. O Senado abriu um processo por quebra de decoro contra ele, que pode comparecer à comissão já na condição de parlamentar cassado (leia a reportagem aqui). Ou seja: tem-se definida apenas a primeira fase da investigação, que tratará de temas e personagens cujos feitos e malfeitos são de conhecimento público. Nada além disso. Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a segunda fase aumentará a temperatura dos trabalhos. Nela, será travada a "grande batalha" pela convocação das autoridades de maior calibre. "O vazamento das informações impede a costura de acordões para abafar a investigação ou poupar autoridades", diz Vital.

Além de Fernando Cavendish, os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), MarconiPerillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) e pelo menos cinco deputados federais ainda não foram convocados para prestar esclarecimentos. Sobre muitos deles há uma fartura de indícios de envolvimento com o esquema. Por enquanto, a CPI vai se concentrar no que já foi revelado. Mas não há garantia de que o universo da apuração fique restrito. O plano de trabalho de Odair Cunha deixa brechas para investir sobre qualquer tema: políticos, procuradores, empreiteiras e até a imprensa. Não está fechada, portanto, a porta aberta pelo PT paradesqualificar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defensor da condenação dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal, e a parte da imprensa que, segundo o ex-presidente Lula, ajudou a montar a "farsa do mensalão". "Todas as pessoas que foram corrompidas ou cooptadas pela organização criminosa têm de ser investigadas. Não haverá blindagem nem proteção a quem quer que seja", disse Odair.


Hoje, há pelo menos duas ofensivas em marcha para pôr cabresto na CPI. A presidente Dilma Rousseff não quer que a comissão seja usada com os fins estritamente políticos planejados pela falconaria petista. Ela tem dito que teme que a comissão domine a agenda política, paralise o Congresso e prejudique ações do governo. Além disso, afirma não ter receio de que as investigações atinjam seu governo e lembra que, se atingirem, não se furtará a demitir os envolvidos com culpa provada — aliás, como vem agindo desde o início do mandato, o que é um dos motivos de sua expressiva aprovação popular.

A Delta tem contratos com governos de todas as cores. Algumas dessas relações já foram reveladas, o que deixou na berlinda políticos de primeira grandeza do PT, PMDB, PSDB e DEM. O campo já era fértil para um acordo velado, que vinha sendo costurado às sombras. Mas a entrada de Sérgio Cabral no palco das investigações tornou as negociações para abafar o escândalo político mais explícitas. Há dez dias, o blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), adversário político de Cabral, publica fotos e vídeos de viagens do governador, sua mulher e seus secretários mais próximos com Fernando Cavendish a Paris eMônaco. Em hotéis e restaurantes de luxo, o grupo comemora aniversários, noivados, casamentos e conquistas políticas e comerciais. Cabral, considerado um estranho no ninho do PMDB, teve de procurar a cúpula do partido na semana passada para pedir socorro. Em conversas com o presidente do Senado, JoséSarney, e com os líderes Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, ele disse não estar preocupado com uma investigação policial, pois os vídeos não comprovam irregularidades. Mas deixou claro que teme o estrago político que uma exibição desse material, seguida de um depoimento à CPI, possa provocar. "Preciso da ajuda do partido. Se eu tiver de depor na CPI, não será bom para ninguém", ponderou Cabral. A cúpula do PMDB aproveitou o pedido do governador para tentar negociar um armistício com o PT e o PSDB.

Nas conversas, já surgiu até uma manobra jurídica para empastelar as investigações. A tese que será levantada é a de que uma CPI do Congresso não tem poder legal para investigar governadores. Os foros para esse tipo de apuração seriam as assembleias legislativas, não por acaso controladas pelos governadores. É pouco provável que uma argumentação tão frágil prospere se aCPI tiver mesmo disposição de elucidar os fatos denunciados. Muito provavelmente, o fator de diminuição do escopo da CPI virá não da Justiça, mas da política. O senador José Sarney já recomendou ao PT que "controle os radicais", argumentando que "ninguém tem a ganhar se essa CPI começar a sair do controle". O recado tem endereço certo: a turma que vê na CPI uma chance única de desmoralizar o julgamento do mensalão. A primeira ofensiva desse grupo foi dada na sessão da semana passada, com a tentativa de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor na CPI. Sob o argumento de que ele deve explicar por que retardou a abertura de uma investigação contra Demóstenes Torres, os petistas querem colocá-lo no banco dos réus da CPI para tentar desmoralizá-lo. A imprensa é outro alvo que, na estratégia dos radicais, precisa sair chamuscada da CPI. O presidente do PT, Rui Falcão, deixou mais uma vez clara essa convicção na sexta-feira quando, em discurso feito em São Paulo, voltou a defender o projeto de regulamentação dos meios de comunicação, um eufemismo para a tentativa de controlar a imprensa idealizado pelo ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins. Para Falcão, "a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro" e "produz matérias e comentários não para polarizar o país, mas para atacar o PT e nossas lideranças".

O cenário inicial da CPI do Cachoeira é muito semelhante ao da CPI dos Correios, instalada em 2005 a partir da gravação na qual Maurício Marinho, diretor da estatal, cobrava 3 000 reais de propina, o que deu origem à descoberta de novos fatos envolvendo dinheiro público e compra de apoios pelo governo. Aquela CPInasceu com o intuito de blindar os aliados do governo e era controlada por parlamentares fiéis ao Palácio do Planalto. Exatamente como agora. Também tinha o mesmo prazo de atuação: 180 dias. Mas, logo no início dos trabalhos, depoimentos bombásticos, como o do deputado Roberto Jefferson e o domarqueteiro Duda Mendonça, incendiaram a comissão e provocaram uma indignação popular que impediu qualquer tipo de acordo. A atual comissão também tem fios desencapados e personagens que podem contar muita coisa. Cachoeira e Cavendish, por exemplo. Com uma matéria-prima mais modesta do que a produzida pelas operações da PF, a CPI dos Correios produziu a denúncia do mensalão, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a renúncia de meia dúzia de políticos, além de tisnar a imagem imaculada de virgem ética do PT. A CPIdo Cachoeira, com seu farto material, tem potencial ainda maior. Basta que não se torne refém de arranjos políticos.

FARRA$ S/A: Por que Sérgio Cabral não exibe a relação completa das viagens oficiais e particulares que fez ao exterior desde que assumiu o governo?

Quem não deve não teme governador!!! Está com medo de que?


Por que Cabral não exibe a relação completa das viagens oficiais e particulares que fez a Estados e ao exterior desde que assumiu o governo? Com data, destino, meio de transporte, duração e a identidade da fonte pagadora de cada despesa?

Por que não revela quantas vezes voou com Cavendish? Ou o encontrou no lugar para onde voou?

Seria tão simples! Não é verdade?


FARRA EM PARIS: Deputado Roberto Dinamite e outros se recusaram a assinar CPI para investigar Delta e Sérgio Cabral

Veja a lista abaixo dos parlamentares cúmplices que protegem governador na Alerj. No Rio, ao invés do poder legislativo fiscalizar o executivo, ele se torna conivente


RIO - Os deputado estaduais Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Clarissa Garotinho (PR-RJ) deram entrada, nesta tarde de quarta-feira, com pedidos de abertura de CPI para investigar os contratos entre o governo estadual e a empreiteira Delta, do empresário Fernando Cavendish, e viagens do governador Sérgio Cabral (PMDB). O pedido de Freixo foi feito por meio de projeto de resolução que, após publicação no Diário Oficial, deverá ir à votação em plenário. A aprovação por maioria absoluta garante a instalação da CPI na Alerj. Paralelamente, Freixo colhe assinaturas em requerimento para a abertura da CPI. No Congresso, não estão previstos os depoimentos de Cavendish e nem do governador Sérgio Cabral.

O parlamentar entrou também com requerimento de informações sobre todos os custos relacionados às viagens do governador Sérgio Cabral e a primeira-dama, Adriana Ancelmo, não só das passagens aéreas, como também dos jantares e passeios realizados nas cidades europeias de Paris e Monte Carlo em companhia do dono da Delta, Fernando Cavendish, de diversos secretários do governo estadual, e de suas mulheres. O requerimento se refere especificamente a julho esetembro de 2009.

Freixo já havia dado entrada em requerimentos, em 2011, na tentativa de obter informações sobre as relações entre o governo e a empresa privada. Em um dos requerimentos, de 10/5/11, ele solicitou dados sobre todas as viagens realizadas pelo governador, até então, com os custos, locais e o tempo de estadia. Em outro anterior, de 19/6/8, o parlamentar já havia cobrado essas informações. Em ambos os casos, não obteve resposta. Os requerimentos sequer chegaram a ser publicados no Diário Oficial.

Além dos requerimentos, Freixo também entrou em 2011 com representações no Ministério Público estadual e no Tribunal de Contas do Estado (TCE) para solicitar esclarecimentos sobre os contratos entre a Delta e o governo estadual. Nesses casos, as representações foram arquivadas sob a alegação de falta de indícios de irregularidades.

- Mais do que da Delta ou de seu sócio majoritário Cavendish, o problema é do governo do Rio de Janeiro. O fato é que essa é uma empresa que cresceu assustadoramente e tem 100% dos seus negócios com o poder público. E opera no Brasil inteiro do modo como aprendeu a operar no Rio de Janeiro. Claro que há fortes indícios nesse caso de quebra de decoro, de improbidade, de corrupção - justifica Freixo.

Já a deputada Clarissa Garotinho recolheu assinaturas para protocolar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as viagens do governador Sérgio Cabral. Para protocolar o pedido são necessárias vinte e quatro assinaturas, no entanto apenas quatorze deputados assinaram.

- É uma vergonha o comportamento dos deputados da base governista, que querem defender o indefensável. Cabral não disse como pagou, nem quem pagou as despesas! Se foi o Cavendish é crime! Se não foi, o governador precisa provar como ele consegue, com um salário que na época era de R$13,5 mil arcar com essa farra milionária! Essa CPI deve ser de interesse de todos. O cidadão não pode mais ficar sem resposta frente a todas essas denuncias - disse a deputada, filha do ex-governador Anthony Garotinho, que publicou em seu blog fotos e vídeos de Cabral na França na companhia de secretários do governo e dos empresários Fernando Cavendish e George Sadala.

Confira na lista abaixo os deputados que se recusaram a assinar a CPI das Viagens do Cabral:

André Correa (PSD);

André Lazaroni (PMDB);

Coronel Jairo (PSC);

Rafael do Gordo (PSB);

Rosângela Gomes (PRB);

Alexandre Correa (PRB);

João Peixoto (PSDC);

André Ceciliano (PT);

Andréia Bussato (PDT);

Bernardo Rossi (PMDB);

Chiquinho da Mangueira (PMDB);

Claise Maria Zito (PSD);

Dica (PSD);

Domingos Brazão (PMDB);

Edson Albertassi (PMDB);

Gilberto Palmares (PT);

Graças Matos (PMDB);

Graça Pereira (PSD);

Helcio Angelo (PSD);

Gustavo Tutuca (PSB);

Janio Mendes (PDT);

Márcio Pacheco (PSC);

Myrian Rios (PSD);

Nilton Salomão (PT);

Paulo Melo (PMDB);

Pedro Augusto (PMDB);

Roberto Dinamite (PMDB);

Robson Leite (PT);

Rosenverg Reis (PMDB);

Sabino (PSC);

Xandrinho (PV);

Zaqueu Teixeira (PT).

Matéria originalmente publicada no Globo Online

MUI AMIGO: Após a divulgação de fotos e vídeos da FARRA em Paris, Sérgio Cabral não fala mais com Fernando Cavendish


Desde que as fotos e vídeos de seus jantares na Europa foram divulgados, Sergio Cabral deixou de falar com Fernando Cavendish.

A propósito, Anthony Garotinho tem dito aos mais próximos que o seu arsenal é composto de 40 vídeos e cerca de 200 fotos.


Por Lauro Jardim

FARRA$ S/A: Assessor do presidente da Alerj, Paulo Melo, participou do rega bofe com Sérgio Cabral e Cavendish em Paris


A revelação da identidade do quarto participante de uma das viagens do grupo de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish à Europa conecta o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, deputado estadual Paulo Melo, do PMDB, ao círculo mais próximo do dono da construtora Delta. À mesa, com a mulher, em uma viagem a Mônaco, está também Luiz Carlos Bezerra, assessor de orçamento de Melo, que tem no currículo passagens pelo governo do estado e pelo gabinete da Casa Civil, que tem como secretário Régis Fichtner – também presente algumas das imagens.

Paulo Melo comanda a tropa de choque de Cabral na Assembleia Legislativa. Ajuda, por exemplo, a barrar a iniciativa da oposição de criar uma CPI no legislativo do estado para cobrar do governador explicações sobre suas ligações com a Delta.

Bezerra é o homem de cabelos grisalhos, sobrancelhas negras, óculos, pele morena, que aparece ora ao lado da primeira dama, Adriana Ancelmo, ora com a mulher, de cabelos curtos, em situações posadas. São imagens bem mais contidas que as da dança com o lenço na cabeça, que reuniu integrantes do primeiro escalão do governo do estado. Mas o impacto não é pequeno.

Por decisão da Justiça, o deputado e ex-governador Anthony Garotinho, que há uma semana divulga em seu blog fotografias e vídeos de viagens de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish, terá de retirar da internet as imagens em que aparece a noiva do empreiteiro, Jordana Kfouri, morta em um acidente de helicóptero. A cruzada de Garotinho, inimigo político de Cabral, no entanto, continua. Em seu discurso no plenário da Câmara na quinta-feira, ele prometeu mais imagens comprometedoras para os próximos dias.

Procurado pela reportagem de VEJA, Bezerra não atendeu aos telefonemas.

Matéria originalmente publicada na Revista Veja Online

CPI DO CACHOEIRA: Envolvido em escândalo da construtora Delta, Sérgio Cabral coloca Presidente Dilma Rousseff em saia justa no Rio


A agenda oficial da Presidência da República reserva para Dilma Rousseff um compromisso delicado nesta sexta-feira. A presidente visitará a cidade paracerimônia de entrega dos títulos de doutor honoris causa ao ex-presidente LuizInácio Lula da Silva, concedidos por cinco universidades públicas – a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal Fluminense (UFF) e a Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A entrega do título a Lula, que coleciona sete outras honrarias semelhantes, vai reunir para mais uma fotografia antigos aliados, no estado que deu a Dilma 60% dos votos válidos para a presidência. Mas um deles, no momento, não é a melhor companhia para o noticiário.

O governador Sérgio Cabral enfrenta a pior crise de seu governo. Na fila para ser convidado a depor na CPI do Cachoeira, Cabral deve explicações sobre suas relações com o empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta e mergulhado nas suspeitas de irregularidades em contratos em vários estados – com destaque para o Rio. A Delta é uma das principais empreiteiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cria da presidente e bandeira de campanha da aliança PMDB-PT no Rio. O peso da empreiteira no programa criou agora um problema para o governo: como a Delta perdeu fôlego, começa a abandonar seus contratos, o que, para o PAC, é sinônimo de atraso.

O ex-presidente tentou, sem sucesso, emplacar o ex-líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), na relatoria da CPI mista que investigará as ligações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com os governos estaduais e federal. A confirmação da convocação de Sérgio Cabral será, para o PMDB, um revés importante em ano eleitoral – o governador é o principal cabo eleitoral no estado, onde o partido terá candidatos próprios em 65 dos 92 municípios. Um deles a capital, onde Eduardo Paes também tem a Delta como um sinal de alerta, dado o volume de contratos em poder da empresa.

O maior desgaste de Cabral, no momento, vem de um arquirrival no estado, e de uma ainda mal esclarecida relação entre ele e o dono da Delta. Deputado pelo PR e ex-governador, Anthony Garotinho tem abastecido o noticiário com fotos e vídeos de Cabral e Cavendish em viagens, festas e jantares na Europa. Sobre as imagens, há muito o que explicar. E há também o que é politicamente inexplicável. Entre os comensais, está o secretário-chefe da Casa Civil do governo do estado, RégisFichtner, que aparece em algumas das imagens ao lado de Cavendish. Fischtnerfoi o homem de confiança escolhido por Cabral para fiscalizar os contratos da Delta.

Matéria originalmente publicada na Revista Veja Online

sexta-feira, 20 de julho de 2012

MÁFIA: Corruptos do PMDB e do PT fazem pacto de proteção de governadores

Excesso de parlamentares com rabo preso obriga ambos os partidos a se unir e impedir que a CPI do Cachoeira se alastre e investigue a relação entre políticos e a empreiteira Delta de Fernando Cavendish  


Com a ameaça de convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), PMDB e PT deram início ontem a um pacto de proteção mútua de seus governadores na CPI do Cachoeira.

Pelo acordo, o PMDB evitaria exposição do governador do Distrito Federal, opetista Agnelo Queiroz, em troca da blindagem de Cabral.


À frente da CPI, PMDB e PT deram um primeiro passo ontem ao deixar a investigação dos governos estaduais fora da pauta de investigação nos próximos 40 dias.

Emissários de Cabral foram informados que, segundo o plano de trabalho do relator Odair Cunha (PT-MG), o eventual envolvimento de governadores com esquema do empresário Carlinhos Cachoeira só será objeto da CPI a partir de 12 de junho.

Os governadores não foram citados na apresentação do plano e há a possibilidade de os casos serem remetidos às Assembleias Legislativas.

O nome de Cabral veio à tona após o blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) exibir fotos do governador numa confraternização com o presidente licenciado da Delta, Fernando Cavindish, durante viagem a Paris.

Para o sucesso desse acordo, petistas e peemedebistas contam com a adesão do PSDB, que tenta poupar o governador goiano Marconi Perillo.

O líder do PT da Câmara Legislativa do DF, Chico Vigilante, e o vice-governador, Tadeu Fillippeli (PMDB), têm conversado todos os dias sobre a CPI. "Não vão convocar o Cabral nem o Agnelo", afirma Vigilante.

"Para convocar o Cabral, tem que convocar o Alckmin, o Kassab, porque a Delta também prestava serviço para esses governos", acrescentou.

Peemedebistas não são tão otimistas. Para deter a investigação, líderes do partido estariam trabalhando até por um acordo para preservar o mandato do senador Demóstenes Torres, mas temem que as disputas internas no PMDB e PT inviabilizem a operação.

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

QUADRILHA FEDERAL: Corja de corruptos começa a blinadar seus comparsas

Rabo preso impede que relator da CPI do Cachoeira investigue a relação entre políticos e a empreiteira Delta de Fernando Cavendish  


Num esforço de blindagem ao governo e aliados, o plano de trabalho do relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), foca na organização de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, excluindo políticos e o comando da empreiteira Delta.

Na reunião de ontem, a comissão aprovou as quebras dos sigilos fiscal, telefônicoe bancário de Cachoeira desde janeiro de 2002 e definiu a lista da primeira fase dos depoimentos.

Ficaram de fora da relação o dono da Delta, Fernando Cavendish, deputados federais e três governadores, dos quais dois da base aliada, Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PDMB-RJ).

O governador Marconi Perillo (PSDB-GO), da oposição e citado em conversas do grupo do empresário, também foi poupado nessa primeira fase.

Odair Cunha limitou as investigações sobre a Delta à divisão regional daempreiteira no Centro-Oeste, na figura do ex-diretor Cláudio Abreu, frequenteinterlocutor de Cachoeira e que foi preso no dia da deflagração da operação, em 29 de fevereiro.

A Delta é a pessoa jurídica que mais recebe recursos da União desde 2007.

"A agenda prioritária buscará caracterizar a organização criminosa do senhor Carlos Augusto Ramos", escreveu Cunha.

Minutos depois, em entrevista, ele negou tentativa de blindagem.

No calendário elaborado pelo relator, os trabalhos da CPI começam com os depoimentos dos delegados da Polícia Federal e procuradores envolvidos nas investigações das Operações Vegas e Monte Carlo, que apuraram os negócios do grupo.

Em seguida, serão ouvidos Cachoeira e seus principais interlocutores.

O único parlamentar a ser ouvido na primeira fase dos trabalhos da CPI é o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), no final do mês.

Com maioria folgada na comissão, deputados e senadores governistas aprovaram o plano de trabalho de Cunha. Três senadores da oposição votaram contra.

Eles defendem a ampliação das investigações iniciais aos demais diretores da construtora Delta.

Outra decisão foi realizar sessão secreta para ouvir os procuradores e os delegados da Polícia Federal.

Na reunião de ontem, o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) protestou: "A Delta é envolvida até o pescoço. Não vamos quebrar o sigilo da Delta?".

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) citou que o plano de trabalho da CPIdeveria seguir a ordem das revelações já na imprensa. "O lógico seria iniciar com Cachoeira e seus associados na Delta, Cavendish, Abreu, Demóstenes e os governadores de Estado", disse.

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) trocou farpas com o senador PedroTaques (PDT-MT) e voltou a criticar a imprensa, chamando de "hipócrita" os que "fornecem informações por debaixo dos panos a alguns confrades".

Collor, com o apoio de petistas e parlamentares aliados do governo, defenderam a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel -que se recusou ontem a comparecer à CPI.

A oposição acusa o PT de defender a convocação de Gurgel depois que o procurador apoiou no Supremo a condenação de 36 dos 38 réus do mensalão.

"Nós não podemos fragilizar o procurador-geral por causa do mensalão", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O deputado Paulo Texeira (PT-SP), por sua vez, disse que jornalistas que segundo ele "foram cooptados pelo esquema Cachoeira" devem ser ouvidos. Ele não deu nomes, dizendo que "isso tem de ser investigado".

(GABRIELA GUERREIRO, RUBENS VALENTE, ANDREZA MATAIS E MÁRCIO FALCÃO).

Matéria originalmente publicada na Folha de São Paulo

Máfia do PMDB tenta evitar convocação de Sérgio Cabral na CPI do Cachoeira


BRASÍLIA - Tranquilos até poucos dias atrás com o tiroteio entre PT e oposição, que mantinha o PMDB distante do alvo central da CPI do caso Cachoeira, integrantes da cúpula do partido começaram a se mobilizar no fim de semana para tentar blindar o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e evitar que seja aprovada sua convocação para depor logo no início dos trabalhos. Dirigentes peemedebistas não escondiam nesta segunda-feira o desconforto e a preocupação com a superexposição das relações de Cabral com o dono da Delta, Fernando Cavendish, em fotos divulgadas pelo ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ).

A avaliação feita em conversas reservadas era de que a CPI começa a caminhar com as próprias pernas, e que a cúpula do PMDB terá que rever sua estratégia inicial de se manter à margem da CPI que nunca quis. Por isso, apesar do feriado de hoje, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), chega a Brasília para uma reunião com o presidente licenciado do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e com o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), para discutir como conduzir o caso e não deixar que o foco da CPI extrapole o objeto de sua criação: o esquema Carlinhos Cachoeira, Delta e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

A preocupação é com o descontrole das investigações além dos limites dos negócios da Delta no Centro-Oeste — que podem atingir os governadores Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF). O governador do Distrito Federal é o único que já tem pedido de inquérito aberto pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sob a alegação de que assessores receberam propina para facilitar contratos em seu governo. Marconi Perillo é acusado de relações estreitas com o grupo de Cachoeira e Demóstenes, que teriam indicado servidores em postos de alto escalão em seu governo. Mas não há ainda inquérito ou gravações que o incriminem diretamente.

Um dos representantes do PMDB na CPI, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse, num primeiro momento, que seria inevitável a convocação de Cabral.

— Será uma oportunidade para ele se explicar sobre as denúncias de que privilegiou a Delta por ser amigo do Fernando Cavendish. Não faria sentido chamarmos outros governadores acusados de envolvimento na teia da CPI, como o Perillo e o Agnelo, e deixarmos o Cabral de fora só porque pertence ao PMDB ou porque governa o Rio — declarou Ferraço no domingo ao site IG.

Nesta segunda-feira, depois da mobilização da cúpula peemedebista, Ferraço estava mais cauteloso, alegando que Garotinho estava fazendo disputa política:

— O Renan me deu liberdade para agir de acordo com minhas convicções. E minha convicção é que não vou ser instrumento de lutas regionais. Pode tirar o Garotinho da chuva! — disse Ferraço, ontem, ao GLOBO.

Preferindo manter-se no anonimato, um deputado do PMDB faz a mesma avaliação que Ferraço:

— A CPI começa a ganhar rumo próprio. Quem é que vai convocar o Perillo e o Agnelo e depois botar a cara lá para defender o Cabral? Quem defender Cabral vira alvo. Como que o Renan, que quer ser presidente do Senado, vai defender isso? Só por baixo dos panos.

Nas conversas de bastidores, peemedebistas avaliaram que a situação de Cabral se complicou muito no final de semana com a divulgação dos vídeos e fotos. Mas a ordem interna é não alimentar essa polêmica.

— A CPI é para investigar o Cachoeira e as investigações das operações da Polícia Federal. Se tem outras ramificações, lá na frente a CPI terá que investigar. Temos que aguardar o plano de trabalho da comissão para ver onde e o que tem de ligação com Cachoeira — disse ex-líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ressaltando que não é da CPI.

Cabral, que não tem relação estreita com seus partidários no Congresso, está procurando aproximação maior e sondou pessoas do partido para refutar suspeitas de que privilegiou a Delta.

Matéria originalmente publicada no Globo Online

Governo do PT não quer investigação da Delta pela CPI do Cachoeira

"O PT está deixando claro, sem qualquer reserva, que não quer investigar coisa nenhuma! Obedecendo ao comando inicial de Lula e de José Dirceu, o partido luta para que a comissão de inquérito se limite ao linchamento da oposição e da imprensa"


Em outros tempos, a notícia seria um escândalo em si; nestes, não! Ao contrário até: há quem a tome como evidência de esperteza e prova de que o partido é mesmo organizado. A que me refiro? Manchete do Estadão de hoje informa que o governo tenta tomar as rédeas da CPI para que ela não “perca o foco”. A expressão “manter o foco” vem sempre carregada de valor positivo, não é? Confunde-se com coisa boa. Não nesse caso. Com isso, o governo e os governistas pretendem, de forma declarada, duas coisas:

a) manter a Delta longe das investigações; a ordem é impedir que diretores da empresa, com a exceção de um que está preso e de outro que está foragido, sejam convocados;


b) concentrar a artilharia em Marconi Perillo, governador de Goiás (PSDB).

Lendo a reportagem do Estadão, a gente vê que os petistas não escondem seu intento, não. Eles consideram que se trata de algo absolutamente legítimo. É evidente que confrontos entre governistas e oposicionistas não desaparecem numa CPI; também nelas as diferenças se manifestam etc e tal. Mas um mínimo de decoro se faz necessário, não é? A revelação, a céu aberto, sem subterfúgios ou considerações oblíquas, de que o governo atua para livrar a cara da Delta é tão escandalosa quanto as lambanças de que a empresa participa.

Reportagem de O Globo demonstra que era tal a proximidade de Carlinhos Cachoeira com a construtora que o contraventor se fez presente no apoio a Fernando Cavendish mesmo num momento dramático de sua vida, quando um acidente de helicóptero matou pessoas de sua família. Não se tratava, já está mais do que evidente, de esbarrões aqui e ali no chamado “mundo dos negócios”; ao contrário: eram relações sistemáticas, mediadas por dinheiro público.

Mesmo assim, os petistas anunciam: a ordem é tirar a Delta das investigações. Por quê? A resposta é uma só: porque a construtora é a empresa privada que mais recebe recursos do PAC e porque isso pode gerar um terremoto em vários estados — o Rio poderia ser, assim, ma espécie de epicentro do sismo Ninguém chega a ser Cavendish na vida acumulando poucas informações. Mais: ele já está “fazendo a sua parte”, retirando a construtora de alguns empreendimentos e se afastando, oficialmente ao menos, do comando da operação. Mas há um limite para o esmagamento.

Acreditem: o PT está decidido a impedir que Cavendish fale à CPI. Se vai conseguir ou não, aí vamos ver. O governismo tem maioria para convocar quem bem entender — e, pois, para impedir convocações também.

Tudo por Agnelo

A matéria do Estadão informa o que chegou a ser verdade até o fim de semana: o PT estaria disposto a entregar a cabeça de Agnelo desde que possa produzir o que considera um estrago maior na oposição: degolar Perillo. Não é mais assim. Agnelo já avisou o comando do partido que não aceita ir para o sacrifício coisa nenhuma! Desde que migrou do PC do B para o PT, considera que prestou relevantes serviços ao partido e ao governo petista — com destacada atuação nos bastidores da operação que desmantelou a quadrilha de José Roberto Arruda no Distrito Federal. Agnelo atuou segundo seus métodos, que o PT nunca ignorou.

Há, sim, um pedaço do partido que avalia que, cedo ou tarde — e esse grupo teme que se dê mais tarde do que seria prudente —, Agnelo cairá em desgraça. Mas Lula, José Dirceu e Rui Falcão (esses dois são corpos distintos numa só cabeça) acham que é preciso fazer “a luta política” para preservar o governador do Distrito Federal, denunciando uma suposta conspiração contra esse verdadeiro herói da ética.

Há uma falsa questão na qual o PT e os subjornalistas a serviço do petismo se fixam: a gangue de Cachoeira estaria chantageando Agnelo Queiroz. É mesmo? Digamos que fosse apenas isso, pergunta-se: a chantagem se deveria exatamente a quê? Por que Agnelo estaria sendo intimidado pelo bando?

Fatoir Márcio Thomaz Bastos

O PT está deixando claro, sem qualquer reserva, que não quer investigar coisa nenhuma! Obedecendo ao comando inicial de Lula e de José Dirceu, o partido luta para que a comissão de inquérito se limite ao linchamento da oposição e da imprensa. Em ano de eleição e de provável julgamento do mensalão, os petistas acham que está de boníssimo tamanho. Também não escondem, nas conversas que mantêm nos bastidores, que pretendem fazer valer a sua maioria na comissão. Mais ainda: consideram que o fato de o petista Márcio Thomaz Bastos ser advogado de Carlinhos Cachoeira representa uma segurança e tanto. Bastos, já escrevi aqui, não é um criminalista qualquer — a partir dos honorários… É um estrategista. O partido tem a convicção de que nada virá de Cachoeira que agrave a situação dos companheiros. Na verdade, apostam que, se Cachoeira explodir, será uma explosão do lado de lá da linha.

É o que temos.

MÁFIA: Presidente da ALERJ, Paulo Melo (PMDB), não quer CPI para investigar a FARRA de Sérgio Cabral em Paris


Parece que os tempos de paz entre a deputada Clarissa Garotinho (PR) e o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Melo (PMDB), chegaram ao fim.

A moça pediu a palavra para avisar que está recolhendo assinaturas para pedir a abertura da CPI para investigar as ligações do governador Sérgio Cabral com Fernando Cavendish, da Delta. E perguntou ao microfone se Melo assinaria o documento.

O moço do alto da cadeira de presidente, claro, negou.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Fotos da FARRA de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish em Paris vazam na internet

Infelizmente Cabral e sua CORJA transformaram Anthony Garotinho em paladino da moral. Veja a que ponto o senhor chegou governador!


Fotos do governador Sérgio Cabral e secretários do seu governo numa confraternização com o empresário Fernando Cavendish vazaram na internet. Nas imagens, todas em Paris, eles aparecem em momentos descontraídos, reforçando a proximidade do governador com o empreiteiro, dono da empresa Delta.

Combustível para a CPI

Investigado pela CPI mista que apura as ligações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários, Cavendish é um dos principais empreiteiros do estado do Rio de Janeiro. Durante a gestão de Sérgio Cabral, sua empresa foi uma das maiores vencedoras de contratos públicos. Desde 2007, a Delta recebeu cerca de R$ 1,4 bilhão só do Rio.

Combustível para a CPI II

Segundo o blog do deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), rival de Cabral, as comemorações em questão aconteceram com dinheiro público.

Investigação em xeque

Em algumas fotos, o secretário-chefe da Casa Civil, Regis Fichtner, aparece descontraído ao lado de Cavendish. As imagens colocam em xeque a validade o levantamento dos contratos do governo do estado com a Delta. A iniciativa, tomada após as denúncias do Caso Cachoeira, visa identificar possíveis fraudes da empreiteira e é coordenada pelo próprio Fichtner.

Jornal do Brasil - Coluna Informe JB

IMAGENS ABAIXO EXTRAÍDAS DO BLOG DO DEPUTADO FEDERAL ANTHONY GAROTINHO




Delta, a construtora apontada como parte da quadrilha de Cachoeira, é uma velha amiga de Sérgio Cabral


A memória seletiva de certos setores da imprensa faz lembrar, às vezes, a seletividade dos que estão vazando informações sobre a Operação Monte Carlo. A construtora Delta, a empresa que mais toca obras do PAC, aparece, segundo relatório da Polícia Federal, atuando para o esquema de Carlinhos Cachoeira.

Delta, Delta, Delta… Esse nome não nos é estranho, certo?

Como lembrei aqui no dia 2 de dezembro do ano passado, o dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral, governador do Rio, e José Dirceu, o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR). No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui). Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio do ano passado, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

Em entrevista à revista, dois empresários, José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado, acusam o ex-ministro e chefão petista de fazer tráfico de influência em favor da Delta. Segundo os dois, Dirceu foi contratado por Cavendish para facilitar seus negócios com o governo federal. E como eles sabem? Eles eram donos da Sigma Engenharia, empresa que foi incorporada pela Delta em 2008; os três se tornariam sócios. O negócio emperrou e foi parar na Justiça. Oficialmente, a Delta contratou Dirceu como consultor para negócios junto ao Mercosul. Receberia modestos R$ 20 mil mensais pelo trabalho. De fato, dizem os denunciantes, a Sigma passou a ser usada por Cavendish para fazer transferências bancárias a Dirceu.

Um trecho da reportagem informa o desempenho da empresa de Cavendish no governo petista. Seu grande salto se dá a partir de 2009, ano da contratação de Dirceu. Segue trecho daquela reportagem em azul:

Durante o governo do ex-presidente Lula, a Delta passou de empresa de porte médio a sexta maior empreiteira do país. É, hoje, a que mais recebe dinheiro da União. Sua ascensão vertiginosa chamou a atenção dos concorrentes. Em 2008, a Delta já ocupava a quarta colocação no ranking das maiores fornecedoras oficiais. Em 2009, houve um salto ainda mais impressionante: a empresa dobrou seu faturamento junto ao governo federal. Em 2011, apesar das expectativas de redução da atividade econômica, o faturamento da Delta deve bater os 3 bilhões de reais - puxado por obras estaduais e do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento.”

Comprando senadores

Informa ainda a VEJA:

“Em reunião com os sócios, no fim de 2009, quando discutia exatamente as razões do litígio, o empresário Fernando Cavendish revelou o que pensa da política e dos políticos brasileiros de maneira geral: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. E disse mais. Com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo: “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado (para fazer obras). Senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na tua mão!”.

“Relações promíscuas”

VEJA publicou uma entrevista com os dois empresários (reproduzo trechos) e volto para encerrar.

Que tipo de consultoria o ex-ministro José Dirceu realizou para o grupo Delta?

Romênio - Tráfico de influência. Com certeza, é tráfico de influência. O trabalho era aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT. Isso, é óbvio, com o objetivo de viabilizar a realização de negócios entre a empresa e o governo federal.

E os resultados foram satisfatórios?

Romênio - Hoje, praticamente todo o faturamento do grupo Delta se concentra em obras e serviços prestados ao governo.

A contratação de José Dirceu foi justificada internamente de que maneira?

Romênio - A contratação foi feita por debaixo do pano, através da nossa empresa, sem o nosso conhecimento. Um dia apareceram notas fiscais de prestação de serviços da JD Consultoria. Como na ocasião não sabia do que se tratava, eu me recusei a autorizar o pagamento, o que acabou sendo feito por ordem do Cavendish.

O que aconteceu depois da contratação da empresa de consultoria do ex-ministro?

Quintella - A Delta começou a receber convites de estatais para realizar obras sem ter a capacidade técnica para isso. A Petrobras é um exemplo. No Rio de Janeiro, a Delta integra um consórcio que está construindo o complexo petroquímico de Itaboraí, uma obra gigantesca. A empresa não tem histórico na área de óleo e gás, o que é uma exigência Ainda assim, conseguiu integrar o consórcio. Como? Influência política.

A Delta, por ser uma das maiores empreiteiras do país, precisa usar esse tipo de expediente?

Romênio - Usa. E usa em tudo. O caso da reforma do Maracanã é outro exemplo. A Delta está no consórcio que venceu a licitação por 705 milhões. A obra mal começou e já teve o preço elevado para mais de l bilhão de reais. Isso é uma vergonha. O TCU questionou a lisura do processo de licitação. E quem veio a público fazer a defesa da obra? O governador Sérgio Cabral. O Cavendish é amigo último do Sérgio Cabral. A promiscuidade é total.

Voltei
É isso aí.

Depois de tudo, em julho do ano passado, na inauguração do teleférico no Complexo do Alemão, na presença de Dilma, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, celebrou a obra e a “vitória sobre os Ministérios Públicos”, fazendo um agradecimento explícito à Delta (aqui). Em agosto, dois meses depois do acidente, Cabral voltou a celebrar acordos com a Delta sem licitação, no valor de R$ 37,6 milhões. Tudo para “obras emergenciais”.

A Delta é mesmo a preferida do Rio e de Brasília. É a empresa que mais tem obras do PAC. Parte da de Cumbica, contratada sem licitação, desabou.

Por Reinaldo Azevedo