terça-feira, 8 de julho de 2014

Presidente Dilma é hostilizada durante abertura da Copa do Mundo em São Paulo

Xingamentos contra a presidente foram ouvidos em dois momentos antes da partida: após a chegada de Dilma ao estádio e após a execução do hino nacional, já a poucos minutos do início do jogo. No segundo tempo, Dilma foi xingada mais duas vezes. No ano passado, Dilma foi vaiada em rápida aparição no Estádio Nacional Mané Garrincha antes da partida entre Brasil e Japão, na estreia na Copa das Confederações. Dilma não fez discurso durante a abertura. (G1)

Imagem: Reprodução / Portal G1

— Estou convencido de que essas vaias não foram uma ofensa direta à figura institucional da presidente Dilma Rousseff, aquilo foi uma ofensa ao que ela representa como figura mais representativa da política que está sendo praticada no Brasil. Se no lugar dela pusesse qualquer um de seus rivais da corrida eleitoral, muito provavelmente, haveria uma reação hostil. Se aparecesse no telão do estádio os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, com certeza, haveria uma reação hostil também. Tenho a sensação de que as vaias foram para todo o sistema político e a quem estiver no topo da cadeia alimentar do poder.

Não estou dizendo isso para aliviar a barra da presidente e de seu governo, muito pelo contrário. Como a Dilma representa o topo da hierarquia política, as vaias foram, sim, dirigidas à ela. A ideia de que os políticos são corruptos não é uma exclusividade do governo Dilma. O fato, é que a política no Brasil e o ato de governar neste país são redutos exclusivos da corrupção generalizada em todos os partidos, não só do PT. Os governantes são coniventes, tolerantes e, quase sempre, sócios da corrupção desenfreada no país.

Portanto, não gostamos dos políticos como um todo, não importa de que legenda. Não gostamos dos governantes, não importa em que governo estejam. Não distinguimos o sério do corrupto, porque a corrupção está generalizada, pouco importa qual seja a legenda e a organização política que o governante e o seu governo representam. Ainda digo o seguinte: Governantes, a culpa é de vocês! Vocês fizeram isso da política e do ato de governar! Vocês fizeram com que a política se transformasse nessa coisa irrespirável, odiada e detestada pelo cidadão brasileiro. Agora, arquem com as consequências! É preciso que os senhores se deem conta de que, não podem continuar sendo o que são e fazendo o que fazem. A relação do Estado brasileiro e dos seus agentes com a sociedade têm que mudar.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vereadores de SP travam votação na Câmara por não terem ingressos para a abertura da Copa do Mundo

“Os ingressos não vieram em número suficiente. Não tem cabimento os líderes irem e seus liderados não irem”, afirmou o presidente da casa José Américo (PT). Ele admitiu ter recebido queixas de vereadores: “Recebi reclamações. Muita reclamação". O dia todo, porém, foi marcado por reclamações indignadas de parlamentares e assessores sem ingresso pelos corredores do Palácio Anchieta. (Estadão)

Imagem: Reprodução / Estadão

— É uma indecência! Eles não têm vergonha! Eles são muito VAGABUNDOS! A classe política brasileira é a escória da sociedade. Salvo raríssimas exceções, a média da qualidade ética, moral e comportamental dos políticos brasileiros é muito inferior à média moral da sociedade brasileira. A política no Brasil é o sorvedor da escória nacional. Esses vereadores de São Paulo são a expressão pura e acabada do que é o político brasileiro. Eles não são um ponto fora da curva, eles são a curva, estão alí para roubar, enriquecer e ficar nas tetas do Estado, usufruindo de suas mordomias e privilégios. Só servem pra isso.

Supondo que toda sociedade tivesse a média moral e ética dos políticos brasileiros, ainda sim, ela não enriquece na proporção e na velocidade que os políticos enriquecem. Ou seja, nem isso serve de consolo. Portanto, é uma mentira dizer que a classe política é a representação da média moral da sociedade brasileira. O brasileiro não é como os políticos são, eles são a escória do país.

Talvez, dentro dos presídios você encontre uma média de valores morais superior à media de valores morais predominante na política brasileira. Basta acompanhar o noticiário que você vai ver, é impressionante o que os políticos são capazes de fazer em benefício do seu grupo, dos seus sócios e dos seus financiadores. Todos estão milionários. Passaram a vida no setor público e construíram fortunas. E mais, diria até que, quanto mais pobre é a região, mais rápido as fortunas se formam. Mas o pior disso tudo é que a gente convive com isso como se fosse algo normal.

Vereadores de SP aprovam projeto que prevê feriado na abertura da Copa do Mundo

Além da confirmação do feriado na abertura da Copa, o projeto aprovado liberou a venda de bebida alcoólica nos estádios da capital, medida acordada entre Governo Federal e a Fifa por ocasião da escolha do país para sede do Mundial. (G1)

Imagem: Reprodução / Portal G1

— As casas parlamentares no Brasil são antros de indecência, de vagabundagem, de roubalheira, de empreguismo e desvios de conduta. Os inimigos reais da sociedade brasileira estão dentro do aparato do Estado. São os políticos, os governantes e os setores que eles tomaram pra si. São os privilégios que têm e seus interesses preservados dentro do Estado pelas máfias político-partidárias, que tomaram este mesmo Estado, há décadas.

A Câmara de Vereadores de São Paulo não é um ponto fora da curva, ela é a curva. Ela, assim como todas as outras espalhadas pelo país, são casas de tolerância que permitem práticas típicas daqueles ambientes que levam esse nome. Possuem regras morais e comportamentais que podem ser apresentadas dessa forma, literariamente falando. Os políticos não são o que eles dizem que são. As instituições que eles tanto defendem são conveniências de momento, valem muito quando servem e não valem nada quando não servem. Fingem que levam isso a sério e, quando querem, mostram o que verdadeiramente são.

É claro que nas casas parlamentares existem exceções. Mas as exceções não são exceções, são álibis. Isto porque, sendo uma minoria, elas legitimam a maioria caracterizada pelos desvios de conduta, já citados anteriormente. Então, na verdade, quem dá a essas casas de tolerância a chancela de serem casas legislativas é a presença de uma minoria séria e honesta nesses ambientes. Logo, não é possível generalizar, temos que relativizar. Essa desigualdade numérica de forças permite que a realidade da maioria se imponha e seja percebida como parte da democracia, quando na verdade, é apenas parte do bacanal do qual compartilham as máfias político-partidárias no país. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Deputado Domingos Brazão diz que já mandou matar durante discussão com Cidinha Campos na Alerj

“Mando matar vagabundo mesmo. Sempre mandei. Mas vagabundo. Vagabunda eu ainda não mandei matar”, teria berrado o deputado, de acordo com o relato de vários parlamentares e funcionários da Alerj. “É melhor ser puta do que ser matador e ladrão”, rebateu a deputada. (O Dia)

Imagem: Reprodução / O Dia Online

— Essa é a média moral que predomina, não só na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mas, em todas as casas parlamentares do Brasil. Podemos dizer que, salvo raríssimas exceções, a classe política brasileira é a escória da sociedade. A qualidade ética, moral e comportamental dos políticos brasileiros é muito inferior à média moral da população brasileira. Não se assustem quando algo assim acontece, porque estamos diante da expressão pura e acabada do que é o político brasileiro. E quem acha que esse é um discurso que desqualifica a política ou o papel do político, está enganado. É um discurso que desqualifica a política praticada por essa geração, que aliás, é igual a muitas anteriores.

Particularmente, eu adoro quando figuras públicas se desentendem e se engalfinham. Sou apoiador do princípio de que, em caso de bate-boca e quebra-quebra entre eles, daria uma arma pra cada um, poria num estádio com portões abertos, ampla distribuição de sanduíche e refresco e deixava-os se matar. Que se matem!!!

O meu medo é quando eles se acertam no campo político, jurídico e financeiro. A história mostra que vossas excelências se protegem, se acumpliciam e se associam muito. E nessa parceria que fazem sempre em nome das instituições, sobra sempre para o contribuinte pagar a conta. Os políticos não são o que dizem que são. As instituições que eles tanto defendem são conveniências de momento, valem muito quando servem e não valem nada quando não servem. Fingem que levam isso a sério e quando querem, demonstram o que verdadeiramente são.

domingo, 4 de agosto de 2013

Equipe da Rede Globo é expulsa por manifestantes durante protestos contra a Copa das Confederações

Manifestantes que se concentraram na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte do Rio, hostilizaram uma equipe da TV Globo que fazia a cobertura jornalística de mais um protesto contra a realização de grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa das Confederações e Copa do Mundo. Ao avistarem o repórter Vandrey Pereira, os manifestantes começaram a gritar palavras de ordem contra a emissora.  Os jornalistas foram obrigados a se retirar, depois de um grupo de policiais escoltar a equipe da Globo. O carro da emissora, descaracterizado, ainda chegou a ser chutado por algumas pessoas.

Imagem: Reprodução / Terra Notícias

O representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, André Borges, defendeu a atitude dos manifestantes, que quase agrediram o repórter da Globo. "Eles têm o direito a se manifestar contra a mídia. A mídia mente sobre as manifestações. Ela também precisa fazer uma autocrítica, a revolta é contra o sistema", afirmou. "Eles não podem agredir, mas podem expulsar, sim", acrescentou.

— A imagem da Rede Globo é uma imagem antipatizada pela população. E não é porque a população é perversa, é inconsciente, é mal informada etc e tal. É uma bobagem a gente achar isso. A população tem a imagem da Rede Globo que foi construída pela própria Rede Globo, ao fazer coberturas jornalísticas tendenciosas a favor do governo e contra os interesses da população. É isso que acontece com uma emissora que mais apoia do que critica o Estado e seus governantes, não só no Rio de Janeiro, mas em todo país.

Ministério Público de quinta categoria isenta prefeito Cezar Schirmer (PMDB) de culpa na tragédia da boate Kiss

A boate Kiss era uma arapuca que funcionava criminosamente com autorização da prefeitura e do corpo de bombeiros. Não é possível que o prefeito de uma cidade que concedeu o alvará não responda a processo em nenhuma instância na esfera política, cível e criminal em decorrência disso. É aquela velha história, a medida em que se vai absolvendo as autoridades nessas tragédias, vai se criando um ambiente geral de impunidade que caracteriza tantos e tantos outros casos escabrosos no Brasil.

Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

O fato é que está faltando autoridade no banco dos réus e atrás das grades. Essa justiça de quinta categoria deveria fazer com que as coisas criassem exemplos no alto escalão do processo. Fazer com que a cúpula política pague mais do que a base em crimes que produzam consequências para o cidadão. Uma prova de que isso é possível, foi o que aconteceu em Buenos Aires alguns anos atrás, onde o incêndio numa boate, que também matou muitos jovens, custou o mandato do prefeito da cidade. Foi caçado em consequência do trauma produzido pela tragédia, ou seja, o mesmo caso da boate Kiss em Santa Maria.

Alguém acha que foi especificamente o prefeito de Buenos Aires que deu o alvará fraudulento? Ou que deixou de cumprir o ritual da fiscalização? Não. Mas como ele é o chefe e cumpre a ele responder pelos atos de seus subordinados, o prefeito pagou o pato maior do ponto de vista político e cível.

Aqui no Brasil, nada aconteceu com o comandante dos bombeiros e com o prefeito de Santa Maria. Continuamos vivendo com a memória da tragédia sem ter produzido nenhuma punição aos responsáveis. Resumo da história, tratem de chorar os mortos até que essa cicatriz se feche. Infelizmente as autoridades continuam surfando nas tragédias como se não lhes dissessem respeito. O incêndio da boate Kiss deixou mais de 240 mortos em janeiro deste ano.

CADÊ A PM: Bandidos aproveitam a boa chama das manifestações e a ausência da polícia para depredar e saquear comércio no Rio

Não vou apoiar quem vai às manifestações, se valendo desse momento histórico, para roubar uma bolsa, uma televisão ou pra destruir o comércio do cara que está ralando igual a todo e qualquer trabalhador. Quem pega carona num momento como esse, em que a população está querendo mudar o paradigma, mudar o tom do diálogo com o Estado e com os agentes públicos para depredar e saquear estabelecimentos comerciais, é um criminoso que merece cadeia. Não vou embarcar nessa de criminalizar as manifestações, porque elas são movimentos populares legítimos. Não quero que a periferia do movimento como ladrões e coligações partidárias (PSTU, PSOL, PT, PMDB,...) tirem proveito da situação.


Quem rouba coisas como fizeram na Barra, quem quebra carros e vitrines de loja para roubar televisão, roupas e sapatos é uma minoria de grupos criminosos. Quem acha que ao fazer isso, ficará sob o manto da revolta popular, está enganado. Isso é ladrão, é vagabundo, é criminoso comum igual a qualquer outro que se vale das oportunidades para roubar. É o mesmo cara que rouba bicicleta na ciclovia, que mata um turista pra roubar alguma coisa, que entra no ônibus pra assaltar o trabalhador, que rouba celular em show etc e tal.

Enfim, é o mesmo tipo de vagabundo e de criminoso. Isso não tem nada a ver com revolta popular, nada a ver com política e com o ATO POLÍTICO. Esses atos são ATOS NÃO POLÍTICOS, são ATOS CRIMINAIS comuns que precisam ser tratados pela polícia com foco direto neles, e não dando porrada em todo mundo que está se manifestando. E não enchendo de bala de borracha e spray de pimenta quem está se manifestando ou se dispersando dos protestos. Não se pode criminalizar o movimento baseado num ato isolado e minoritário desses grupos criminosos. É claro que existe um oportunismo criminal nas manifestações. O pior, é que a Polícia Militar deixou a criminalidade e os ATOS DE VANDALISMO tomarem conta da situação.


Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

Ficou claro e notório que não havia policial em lugar nenhum. Onde estavam os policiais? O policiamento se omitiu completamente no que diz respeito a prevenir, reprimir e dar consequência criminal aos ATOS DE VANDALISMO e aos ATOS CRIMINOSOS.  Isso ficou evidente na ação deliberada do governador Sérgio Cabral e da polícia. A PM não agiu porque houve a determinação de agir apenas contra a manifestação política e não contra os crimes. E foram os crimes que assustaram a população, virando manchete em todos os jornais no dia seguinte. A polícia não prendeu assaltantes e nem vândalos, só prendeu manifestantes.

Ausentar-se nesse quadro não é respeitar o direito de manifestação, é omitir-se diante de circunstâncias extremas que manifestações podem abrigar em função das exceções de vândalos que quebram e saqueiam lojas. É claro que durante manifestações haverá o mesmo ladrão que existe quando não há manifestação. Quantas vezes nós vimos o vandalismo puro e simples numa noite de sábado, quando um cara quebra uma luminária do século XIX, na Glória? Quantas vezes nós vemos monumentos pichados por idiotas? Quantas vezes nós vemos ladrões roubando celulares em shows?

Então, se tem isso em períodos normais, porque não haveria de ter numa manifestação onde o processo de descontrole é absoluto? Num momento em que milhares de pessoas estão nas ruas com outro tipo de foco. É claro que haveria! E é para isso que a polícia deveria atuar objetivamente e criteriosamente. A ausência da polícia não é uma solução, é um problema. A presença de uma polícia despreparada na rua também é um problema. Agora, é impossível ter uma polícia preparada na rua? Não. 

Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

A polícia existe e não há nenhum absurdo em entender que ela atue, as melhores sociedades democráticas precisam de suas polícias. A polícia pode fazer perfeitamente um cordão de isolamento adequado que iniba a ocupação e a depredação dos prédios. A atuação policial não deve ser caracterizada pela ausência nem pelo excesso. Tem que ser caracterizada pelo profissionalismo!!! 

A ideia de que não haveria policiamento suficiente para o contingente popular já é, por si só, um absurdo. Porque a PM não é paga pelo contribuinte para fazer cálculo errado. A polícia não trabalha no IBGE, no IBOPE ou no IPEA para estimar alguma coisa, ela não tem que fazer conta. Fez a conta, deu errado, manda mais gente. A Polícia Militar é uma instituição que tem que se mobilizar de acordo com as circunstâncias, mas não se mobilizou. Assistiu e acompanhou imóvel ações de saques a comércio durante horas.  

Insisto em dizer que a tentativa de ocupação de palácios faz parte de qualquer processo de revolta popular. Em consequência disso, quebra-se uma janela, uma porta etc e tal. Esse, pode não ser o foco de uma manifestação pacífica, mas entendo que é meio inevitável impedir manifestantes de invadirem tais palácios, tais redutos políticos. 

A tentativa de invasão da Alerj, ainda que possamos recriminá-la, foi um ATO POLÍTICO. A troco de que eles invadiram a Assembléia Legislativa? Para caracterizar um ATO POLÍTICO. Isso não tem nada a ver com aquilo que todos criminalizam pesadamente, que é o saque às lojas, a depredação de patrimônio particular e de equipamentos públicos. Qual é o simbolismo revolucionário existente no ato de tirar a tampa de um bueiro? De quebrar um sinal de trânsito que no dia seguinte pode causar um acidente? De invadir uma loja para roubar? 

Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

Isso não tem nenhum componente revolucionário, não tem nenhum componente transformador. É pura sacanagem, é puro vandalismo, é puro oportunismo. Esses caras têm que ser presos. Quem promove ATOS DE VANDALISMO são marginais. É o mesmo tipo de gente que quando cai um avião, está mais preocupado em roubar alguma coisa das vítimas, do que socorrer alguém. Esse tipo de vagabundo e de criminosos existe. É uma gente ruim, uma gente má. Não é necessariamente um criminoso de alta periculosidade, mas, sim, oportunistas do crime.

Então, esse é o perfil das pessoas que estão produzindo essa onda de saques e vandalismo gratuito nas manifestações.

Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

terça-feira, 23 de julho de 2013

Equipe da Rede Globo é hostilizada por manifestantes durante protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio

A imagem da Rede Globo é uma imagem antipatizada pela população. E não é porque a população é perversa, é inconsciente, é mal informada etc e tal. É uma bobagem a gente achar isso. A população tem a imagem das Organizações Globo que foi construída pela própria Rede Globo, ao fazer coberturas jornalísticas tendenciosas a favor do governo e contra os interesses da população. É isso que acontece com uma emissora que mais apóia do que critica o Estado e seus governantes, não só no Rio de Janeiro, mas em todo país.

                                       Imagem: Reprodução / Revista Veja.com

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Jornal O Globo faz cobertura tendenciosa a favor do governo e tenta criminalizar as manifestações

O Brasil reuniu manifestantes em mais de 100 cidades que tiveram protestos expressivos com milhares e milhares de pessoas. Manifestações pacíficas, ordeiras e sem organização partidária por trás querendo se aproveitar da boa chama do povo na rua. Foram manifestações encantadoras, transformadoras e absolutamente positivas. Pois bem, aí eu pego o jornal O Globo e vejo na primeira página a manchete: "Sem controle. Em noite de conflitos, depredações e saques, Itamaraty e prefeitura do Rio são atacados". O Globo mostra o detalhe periférico do confronto envolvendo uma minoria de vândalos. É o detalhe do cara quebrando sinal de trânsito, saqueando loja, colocando fogo em carro etc. Uma ideia de que tudo que aconteceu se resumiu a isto que eles estão mostrando.


Isso é uma distorção, uma manipulação dos fatos. Querer colocar o detalhe do confronto como uma manchete. Querer colocar a ação de uma minoria de vândalos como o fato sem controle é um absurdo. "Sem controle" o que O Globo? O que está "Sem controle"? O desejo de fazer ou cobrar uma mudança de um Estado que você mais apoia do que critica? De um sistema político que você mais apoia do que critica? 

A essência da relação da grande imprensa com o sistema político brasileiro é de parceria, de cumplicidade e de mútua conivência. É até uma relação de razoável proteção e blindagem. Quando a coisa começa a ferver, na mesma hora tem o espera aí e tal. Não é bem assim e tal. Entendeu? Acho que a tentativa de criminalizar o que está acontecendo é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo.

Na soma do caldeirão que sai de controle, você tem: Os marginais que não tem nada a ver com a manifestação, mas estão lá sempre. O radical que vai para o confronto por opção política, porque ele quer invadir o prédio, ele quer invadir o palácio. O radical que vandaliza por vandalizar e que se aproxima mais do criminoso do que o cara que tem uma ideologia. É o cara que quebra uma placa, às vezes, não é nem um criminoso, mas acha que isso é um ato político.

O radical também é um agente político, você pode não gostar dele, você pode combatê-lo politicamente, pode até usar a lei pra tentar enfrentá-lo. Mas ele é um ente do jogo e do espírito político. Igual ao conservador, igual a direita e igual a esquerda. Enfim, igual em tudo. 

Para não dizer que foi incompetência profissional, vou admitir que foi por falta de competência e de olhos para enxergar o que aconteceu. Competência e olhos que não faltaram ao jornal Extra na sua edição impecável de primeira página, que veio com a seguinte manchete: "Não foi passageiro. Um dia depois de governos no país inteiro baixarem o valor das passagens, manifestantes dão demonstração de força em cem cidades e acenam que os protestos com novas reivindicações devem prosseguir". Perfeito, sensacional, uma primeira página maravilhosa.


O Extra, feito pelo mesmo grupo editorial e empresarial, estampou na primeira página o verdadeiro sentimento das manifestações com texto e imagem perfeitos. Ele publicou corretamente o que foi a notícia. O fato desta massa na rua não ter uma lista de reivindicações com princípio, meio e fim não significa que o seu grito não seja decodificável. Que seu clamor não seja compreensível e traduzível.

Ninguém está contra a democracia. Ninguém está atacando a ideia das instituições existirem. Não é por aí, não adianta a imprensa passar uma imagem esquizofrênica dos fatos com o intuito de proteger interesses promíscuos e escusos. Não é por aí. A tentativa de criminalizar o que está acontecendo é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo. Os jornais precisam ter mais cuidado pela forma como estão lidando com isso.

domingo, 21 de julho de 2013

Mais de 300 mil pessoas vão às ruas do Centro do Rio para exigir mais investimentos em saúde, educação, segurança e transporte

Mais um dia histórico e emblemático com milhares e milhares de pessoas que se concentraram inicialmente na Candelária e depois saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas em direção à Prefeitura do Rio. Um mar não apenas de pessoas, mas um mar de esperança. De querer um futuro melhor, de querer governos melhores, de querer políticos e parlamentares melhores. Esse mar não era apenas de seres humanos, de estudantes, de trabalhadores, de chefes de família e de idosos. Mas sim, um verdadeiro mar de cidadania demonstrado pelo Rio no dia 21/06. 


O Brasil reuniu manifestantes em mais de 100 cidades que tiveram protestos expressivos com milhares e milhares de pessoas. Manifestações pacíficas, ordeiras e sem organização partidária por trás querendo se aproveitar da boa chama do povo na rua. Foram manifestações encantadoras, transformadoras e absolutamente positivas. Graças a elas, tivemos a redução do preço das passagens de ônibus e de outros transportes em algumas cidades do país.

Os manifestantes não estão pedindo nesse clamor nada que já não exista em nações muito menos ricas que a nossa. A Argentina, o Uruguai e o Chile tem coisas que nós pedimos aqui há muito tempo e muito melhores. Não estamos pedindo nada que seja inalcançável. Estamos pedindo coisas que já estão aí no mundo, na sociedade moderna como: Escolas que eduquem nossos filhos; Hospitais que nos curem; Transporte que nos leve e que nos traga com preço que possamos pagar; Polícias que nos deem segurança; Políticos que não nos roubem etc. Será que estamos pedindo tanta coisa assim meu Deus? Será que é tão difícil perceber isso? 

Estamos pedindo um país mais sério, um Estado mais sério, agentes públicos mais sérios. Repartições que funcionem, filas que sejam menores, tempo de atendimento que seja menor. Enfim, RESPEITO. Queremos também a compreensão, por parte dos políticos, de que nós somos os patrões. São valores e conquistas que já estão consolidadas em vários países do mundo, e que nós não podemos ter. Como assim não podemos ter? Nós pagamos a maior taxa tributária do mundo. Nossas passagens de ônibus são umas das mais caras do mundo e o nosso transporte "público" é um dos piores do mundo. Por que? A troco de que? Pra dar lucro a quem?

Então, esse basta é um basta geral. Essa radicalização dos movimentos populares é por RESPEITO. É um movimento por coisas básicas e primárias que o governo e os agentes públicos têm que conceder. Os movimentos sociais querem apenas ajustes de comportamento por parte do Estado, dos governantes e de seus agentes públicos.

Aí, eu compro e comparo as edições dos jornais Extra e O Globo do dia 21/06. Ambos feitos pelo mesmo grupo editorial e empresarial. Enquanto o Extra estampa na primeira página o verdadeiro sentimento das manifestações, com texto e imagem perfeitos. O jornal O Globo mostra o detalhe periférico do confronto, envolvendo uma minoria radical de ATOS POLÍTICOS e de vândalos. Uma ideia de que tudo que aconteceu se resume a isto que eles estão mostrando. 


Lembrando que os ataques ao Itamaraty e à prefeitura do Rio são ATOS POLÍTICOS. A radicalização dos movimentos populares é um ATO POLÍTICO, você pode ser a favor ou contra, mas ela é POLÍTICA. A Revolução Francesa se deu pela radicalização do movimento popular francês. A Revolução Soviética se deu pela radicalização do movimento popular soviético. A Revolução Cubana se deu pela radicalização do movimento popular cubano. Então, a radicalização dos movimentos populares é POLÍTICA, embora não estejamos num processo revolucionário.

Estou muito orgulhoso. Este foi o momento que uma geração inteira despertou, foi para as ruas, rompeu a inércia, a acomodação, a alienação e a despolitização. Essa juventude foi mobilizada por sua própria iniciativa, seu próprio espírito de nacionalidade e civilidade. Aí, a sociedade inteira veio atrás.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Protestos derrubam aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo

Essa vitória foi do povo brasileiro de norte a sul do país que se dá em vários níveis, em várias frentes, em vários nuances. Foi uma "vitória com V maiúsculo", principalmente, naquilo que se propôs o movimento desde o início. Qual era a proposta? Qual era o foco? Era a redução do preço das passagens. Isso foi o que unificou e direcionou os primeiros passos que foram crescendo e encorpando. Com isso, ganharam uma ampliação gigantesca e junto com ela, veio a repressão demasiada aos manifestantes, dando a percepção que a repressão era contra o direito de manifestação. Foi uma repressão burra do governo na qual a imprensa tentou criminalizar, a quem queria contestar o predomínio dos interesses políticos sobre os interesses da sociedade. E aí, ganhou a dimensão que ganhou e ficou essa coisa maravilhosa, gregária, nacional e vitoriosa.

Imagem: Reprodução / Jornal Extra

A partir de agora, todo mundo vai se manifestar mais e por mais motivos. Tivemos a redução do preço das passagens de ônibus e de outro transportes em algumas cidades. Mas nós continuamos pagando uma das maiores tarifas de transporte público do mundo. Segundo um levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo, nós temos que trabalhar 14 vezes mais do que um argentino, em Buenos Aires, para pagar a mesma passagem. Mesmo com a redução do valor da tarifa conquistada na rua, no grito, de baixo de porrada, nós ainda pagamos as passagens mais caras do mundo, por um dos piores serviços de transporte público do mundo.

Gostaria de lamentar e enfatizar a incompetência, mais uma vez, dos nossos governantes que de maneira absurda e agressiva quiseram manter a posição contra a redução das tarifas. Isso depois de 10 dias de manifestações que gritavam a mesma coisa: "REDUZAM O PREÇO DAS PASSAGENS!!!". Estavam nitidamente querendo enrolar o cidadão com conversinha fiada do tipo: "Ah, a democracia é realmente muito bonita". "Ah, vamos abrir um canal de diálogo". Se ferraram, tiveram que meter o galho dentro, tiveram que meter o rabo entre as pernas e baixar o preço das passagens. 

Por acaso, alguém estava perguntando a esses políticos idiotas a opinião deles sobre a democracia? Esses caras são completamente malucos, eles só olham para o umbigo deles e um pedacinho em volta. Você vê milhões de pessoas nas ruas pedindo a redução das passagens, e eles vão empurrando com a barriga. Estavam apostando que iam jogar um lorotinha, achando que aquela massa humana fosse aceitar. SE FERRARAM!!! Derrotados, abatidos e vencidos pelo povo nas ruas, tiveram que reduzir as passagens.

Imagem: Reprodução / Jornal O Dia

Podiam ter feito isso antes, podiam ter percebido esse grito muito antes, podiam não ter que reprimir excessos que aconteceram, podiam ter poupado muitas situações que as cidades passaram em função dos protestos e reconhecido essa vitória das manifestações nas ruas. Acharam que iam ficar no "vamos ver até onde a gente leva", mas tomaram um cacete bonito do povo nas ruas. A imprensa teve que se curvar ao predomínio das manifestações pacíficas e ordeiras.

Estou muito orgulhoso. É uma página histórica mais emblemática do que a dos caras-pintadas e muito parecida com as manifestações populares de massa da Ditadura Militar. Ela é mais emblemática do que muitos momentos que marcaram também a história brasileira. Este foi o momento em que uma geração inteira despertou, foi para as ruas, rompeu a inércia, a acomodação, a alienação e a despolitização das mentes. Atrás dessa juventude mobilizada por sua própria iniciativa, seu espírito de nacionalidade e civilidade, a sociedade inteira apoiou e acompanhou essa iniciativa gregária e maravilhosa que tomou conta das ruas do Brasil. 

Quero me dirigir a toda CANALHA POLÍTICA deste país: Tem muita coisa que dá pra fazer e não precisa que a rua diga o que é. A rua já disse o que quer: RESPEITO, RESPEITO É BOM E NÓS GOSTAMOS!!!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mais de 100 mil pessoas vão às ruas do Centro do Rio protestar contra o aumento da passagem de ônibus

Há um mês, o Rio de Janeiro viveu um dia histórico com milhares de pessoas que se concentraram inicialmente na Candelária e depois saíram em passeata pela Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia. Hoje, como em poucas vezes, encho o peito pra dizer: Que orgulho de ser carioca! Que orgulho de ser brasileiro! Parabéns, cidade leal e heroica de São Sebastião por esse momento emblemático! Leal, pelos princípios que construíram essa cidade, aos valores que uniram este povo em torno de um ambiente coletivo e urbano que é motivo de alegria e orgulho pra todos nós. 


O Rio fez uma manifestação que se impôs pela coragem. O protesto foi pacífico porque a polícia foi pacífica, o Estado percebeu que não podia enfrentar porque pacífica ela sempre foi. A essência, a natureza, o propósito e o desejo dos manifestantes sempre foi esse. Houve um desequilíbrio aqui ou alí, pontualmente, como a depredação da Alerj e lojas saqueadas. Mas a essência, a espinha dorsal do que aconteceu no dia 17/06, estava na Av. Rio Branco, estava Cinelândia, estava na Candelária e estava na paz com que transcorreu essa manifestação para exigir RESPEITO. Basicamente e essencialmente RESPEITO. Um grupo grande e significativo que se mobilizou em prol da redução do preço das passagens de ônibus. 

Segundo um ex-funcionário do setor de transportes, as frotas de ônibus possuem planilhas que são verdadeiras caixas-pretas apresentadas como justificativas para a reivindicação de reajustes que são aceitos, historicamente, pelo poder público através do forte lobby que essas empresas têm junto às Câmaras de Vereadores. Lobbys mantidos por relações marcadas pela promiscuidade, pelo dinheiro, pelas doações de campanha, pelos subornos, pela grana por fora, pelas malas de dinheiro etc.

Várias coisas nessas planilhas são absolutamente derrubáveis. A reposição de peças, por exemplo, os empresários lançam custos de novas peças, quando fazem na verdade, apenas o recondicionamento e a revitalização das mesmas. Logo, este aumento no preço das passagens não se justifica porque o governo promoveu também a desoneração de impostos federais e uma série de vantagens concedidas às empresas de ônibus. Então, essa caixa-preta tem que ser aberta, a população não conhece em que bases são concedidos esses aumentos. Os empresários ficam com esse papo de inflação, mas o setor de transportes não viveu a inflação na mesma intensidade.

Cerca de 100 mil manifestantes ocuparam toda a extensão da Av. Rio Branco

Não foi apenas por 20 centavos. A manifestação foi um sentimento geral de se querer RESPEITO, embora a reivindicação de um grupo fosse, predominantemente, a redução das tarifas. Esse foi um movimento embrião de tudo que vivemos no Brasil. Essa demanda por RESPEITO e por mudança de postura dos governantes, fez com que o Rio mostrasse esse exemplo de mobilização de massa.

Pobre país este em que o povo não protesta, em que as multidões só se reúnem pra cantar em shows, pro futebol, pra rezar em eventos, pra reivindicar direitos específicos como a Marcha da Maconha etc. De fato é uma vitória, mas é coisa de um segmento, de um grupo. Ainda que seja defensável, não é uma reivindicação geral, no sentido geral.

Mas no dia 17/06, esse povo todo da bíblia, do futebol e das reivindicações de grupo foi pra rua. Eles perceberam que há um sentimento em comum que une todos como povo e como sociedade. O sentimento de dizer aos governantes, ao Estado e à máquina pública que nós não queremos mais essa relação, esse tratamento desrespeitoso e essa afronta com que nos tratam o tempo todo nos hospitais, nas escolas, na falta de segurança, na corrupção etc. Bandeiras que foram colocadas no coração de todos os brasileiros. O Rio captou, sintetizou e expressou em um grito único.

Os ataques à Alerj (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) foram lamentáveis no sentido de que não levará a nada esse tipo de ação. Mas quero deixar bem claro que entendo a razão dos ataques. A Alerj, assim como as casas parlamentares no Brasil, são a expressão de tudo que a população brasileira odeia. O que ela faz, a maneira como age, a maneira como se relaciona com a sociedade, a prepotência, a corrupção etc. Tudo isso está expresso naquele prédio. O que se atacou e se "vandalizou" foi o que a Alerj simboliza.

Manifestantes tentam invadir a Alerj

A radicalização dos movimentos populares é um ATO POLÍTICO, você pode ser a favor ou contra, mas ela é POLÍTICA. A Revolução Francesa se deu pela radicalização do movimento popular francês. A Revolução Soviética se deu pela radicalização do movimento popular soviético. A Revolução Cubana se deu pela radicalização do movimento popular cubano. Então, a radicalização dos movimentos populares é POLÍTICA, embora não estejamos num processo revolucionário. O que há aqui são manifestações pro cara não passar a mão na sua bunda, pra não roubar na sua cara, pro Renan Calheiros não escancarar a picaretagem dele e continuar sendo senador, pro Collor não voltar pra política. Entendeu?

O que está se pedindo aqui não é a mudança de regime e nem a queda do governo. O que está se dizendo ao governante, ao político e ao agente público é que ele ATUE MAIS, RESPEITE MAIS, ROUBE MENOS, PRODUZA MAIS e GANHE MENOS no sentido de acumular riqueza. Como é que pode, figuras que passaram a vida inteira na área pública serem milionários. Tem político que acumulou um patrimônio impressionante "trabalhando" a vida inteira na área pública. Como é que pode? Então, o que está se pedindo nas ruas do Brasil é RESPEITO. O povo cansou de ser desrespeitado, cansou de ser afrontado, cansou de ser violentado pela conduta dos governantes, dos políticos e dos agentes públicos de uma maneira geral.

A Alerj representa a política que está aí. A depredação é o que resta as pessoas pra que os políticos às ouçam. Mas essa gente é tão canalha, esses políticos são tão canalhas que são capazes de fazer de conta que não são com eles. Um exemplo disso aconteceu no dia seguinte aos protestos quando o presidente da Alerj, Paulo Melo, foi dar uma entrevista na porta da assembléia e bateu em retirada quando viu que a população estava começando a vaiar. 

Compreendo as razões que levaram alguns manifestantes a fazer o que fizeram na Alerj. Lamento profundamente que alguns marginais tenham se aproveitado desse momento para saquiar lojas e destruir negócios de outros trabalhadores.

Cerca de 100 mil manifestantes ocuparam toda a extensão da Av. Rio Branco

Um movimento sem rosto, sem líder e sem pauta específica. Mas unido por um sentimento, por um estado de espírito. Isso me parece até mais importante do que ter uma causa específica. Com todo respeito ao movimento dos caras-pintadas que deram início à remoção de toda quadrilha do Collor da Presidência da República. Mas os caras-pintadas integraram um movimento histórico de forças que caminhava na mesma direção. Todos queriam a queda do Collor.

A imprensa queria a queda do Collor. Os partidos queriam a queda do Collor. Grandes grupos políticos comprometidos com a corrupção também queriam a queda do Collor. Antônio Carlos Magalhães (ACM) queria a queda do Collor. Sarney queria a queda do Collor. A bandidagem política que não estava no esquemão do Collor também queria. Então, eu diria que o movimento dos caras-pintadas deu uma legitimidade de rua a um momento histórico que inevitavelmente aconteceria, mas que aconteceu num mesmo curso, na mesma direção de forças políticas.

Este movimento do dia 17/06/2013, não me parece tanto com o movimento dos caras-pintadas. Ele me pareceu mais com as manifestações de massa da Ditadura Militar, porque nestas manifestações  as pessoas tomaram porrada da polícia, foram reprimidas, foram tratadas de forma abominável pela grande imprensa como a Folha de S. Paulo, o Estadão, O Globo , a Veja etc. No começo chamavam os manifestantes de vândalos. A imprensa estava trabalhando na linha da criminalização do movimento, até o momento em que alguns repórteres foram atingidos por balas de borracha disparadas pela polícia. Depois disso, a cobertura dos fatos mudou. 

Enfim, essa manifestação de massa foi o ápice de uma sequência de pequenos protestos que começaram muito mais semelhante às manifestações realizadas pela juventude da Ditadura Militar, e que eram duramente reprimidas e criminalizadas pela imprensa. É notória a semelhança desse corte histórico. Vimos no dia 17/06, o que não víamos desde a Ditadura Militar, do ponto de vista do protesto de massa e de reação de massa. Hoje você tem mais que um nome, um lema ou uma palavra de ordem. Você tem um sentimento único, e esse sentimento é o RESPEITO. O recado das ruas aos políticos foi o seguinte: - Pare de passar a mão na minha bunda! Pare de cuspir na minha cara e achar que sou otário! Pare de pegar o meu imposto e fazer o que bem estende! 

Rio leva 100 mil pessoas às ruas

Se esses políticos canalhas perceberem que esse negócio de votar a cada 4 anos para mantê-los lá na ROUBALHEIRA e na SACANAGEM, não engana mais a gente. Se eles perceberem que esse é um povo que se aproximou um pouco do chileno, do argentino, do espanhol e do francês o negócio vai mudar. O povo na rua faz a realidade nua. Quando tivermos essa identidade de propósitos, vamos ocupar as ruas. Não o tempo todo e a vida inteira por qualquer coisa, porque nós precisamos que as cidades vivam e funcionem. O que muda a realidade é o povo roncando com bafo quente no cangote da CANALHA POLÍTICA, da CANALHA GOVERNAMENTAL. No cangote do Estado e de seus agentes, da repartição pública que não atende, não respeita e atrasa. Da justiça que não funciona, das suas Excelências com suas togas e seus carros oficiais. 

Essa gente tem que sentir esse BAFO NO CANGOTE do povo mais vezes para aprender a nos respeitar. Espero que esse movimento conquiste isso.