sexta-feira, 25 de julho de 2014

Em 4 anos, Aecio Neves fica 305% mais rico e Dilma, 64%

Os dois candidatos que lideram a corrida eleitoral, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), tiveram expansão significativa de seus patrimônios nos últimos quatro anos, de acordo com declarações de bens apresentadas ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto os bens da presidente aumentaram 64%, saindo de R$ 1,07 milhão para R$ 1,75 milhão, os do senador tucano aumentaram 305%, indo de R$ 617,9 mil para R$ 2,5 milhões. A inflação acumulada desde maio de 2010 é de 27,3%. (O Globo)

Imagem: Reprodução / O Globo

— Os políticos são os grandes inimigos da sociedade, não vejo o porquê mudar de opinião com relação a isso. Eles se apropriaram do Estado brasileiro, há décadas, para enriquecer, afrontar e fingir que são sérios. Vejam como o senador José Sarney reage quando contestam os caminhos pelos quais constituiu a fortuna familiar que construiu sendo um servidor público a vida inteira. Ele e seus filhos são donos de uma parte do país. Vejam como reage o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, à constatação de que a Cidade da Música custou 10 vezes mais do que estava orçado. Sabe como eles reagem? Se candidatando outra vez. A política brasileira é isso aí, ou será que ninguém está enxergando o que é! Os políticos são o que são, eles não fazem questão de mudar.

O Estado brasileiro na visão dos políticos e dos partidos, aos quais estão filiados, não representa um instrumento para mudar a realidade e ajudar a sociedade a se organizar. Nunca foi. Para os partidos e para as máfias políticas, o Estado representa apenas um duto de dinheiro. Eles não querem o poder para alterar a realidade do país, o que eles querem, através das eleições, é permanecer no poder. Porque é do aparato estatal que brotam, aos milhões, os recursos públicos que servem para alimentar essas máfias.

É só olhar o que mudou nas últimas 20 eleições no Brasil. O que mudou? Diminuiu a corrupção e a violência? Melhorou a educação e a saúde? O país viveu 10 anos de absoluta prosperidade na economia. O mundo viveu até 2008 uma década de abundância total. Aí, pergunto o seguinte: A realidade social da população brasileira melhorou na proporção, mínima, que deveria se houvesse esse desejo político? Claro, que não! Esses programas sociais do governo são migalhas da riqueza nacional. A população vive numa situação avassaladora de indigência e miséria. É só chover pra gente ver! É só entrar no hospital público pra gente ver! Cadê o médico? Cadê o remédio? Cadê a vaga na escola? Cadê o material escolar? É isso. O país não mudou como deveria ter mudado. Em 20,30 ou 40 anos melhoramos o quanto e o que? Está de bom tamanho? Claro, que não está!

A única forma de alterar essa realidade, no Brasil, não é depositando 100% das esperanças no voto que exercemos a cada 2 anos. Isto porque, as máfias político-partidárias se apropriaram do processo político-eleitoral no país, fazendo das eleições apenas momentos para legitimarem a sua sobrevivência e a sua permanência no poder. O voto no Brasil só serve pra isso e nada mais. A única forma de alterarmos essa realidade, é com o crescimento, o adensamento e a radicalização do movimento popular nas ruas. Só ele os fará mudar. Notem, não se trata de um ataque à instituição, à democracia e ao princípio da representação parlamentar. Trata-se de entender que o Estado brasileiro está fora de controle. Isso não é um discurso anarquista, mas sim, um discurso aplicado à realidade brasileira.

É preciso fazer uma quebra na lógica e no ritmo com que as coisas acontecem no Brasil. E essa ruptura só vai acontecer se o povo for às ruas como foi em junho e julho de 2013. O movimento popular precisa radicalizar, sim. E o seu alvo tem que ser o Estado e seus agentes. Por isso, defendo a invasão da Câmara de Vereadores, da Assembléia Legislativa e do Congresso Nacional. Enfim, defendo a tentativa de invasão ordeira de qualquer palácio pelo movimento popular, porque entendo que isso é legítimo e faz parte do jogo democrático.

Homem morre em frente a hospital público em greve em Laranjeiras

Vítima sofreu infarto dentro de ônibus, na porta do Instituto Nacional de Cardiologia. Aparentando cerca de 60 anos, ele agonizou por cerca de uma hora diante da unidade federal de saúde. Nesse tempo, contaram testemunhas, passageiros buscaram socorro no hospital, mas nenhum médico do instituto o atendeu. Segundo funcionários do hospital, havia médicos de plantão. De acordo com um deles, na unidade coronariana, por exemplo, eram pelo menos três plantonistas. (O Globo)

Imagem: Reprodução / O Globo

— Médico pode fazer greve? Sim, pode fazer greve. Médico tem direito de fazer greve? Tem, como qualquer outro trabalhador. A greve é justa? Sim, é justa. As reivindicações são justas? São, mas não pode deixar uma pessoa morrer na sua frente, numa unidade hospitalar que essa pessoa pagou com impostos ao longo da vida para ser atendida. Porque, aí, deixa de ser uma greve e passa a ser uma omissão criminosa.

O médico que nega socorro a um ser humano, não está agindo de acordo com a insensibilidade do governante. Ele está agindo de acordo com a maior ofensa que se pode fazer à essência da profissão que abraçou, que é a de salvar vidas. Como é que pode, alguém que abraçou esse compromisso, deixar morrer na calçada de um hospital, especializado em cardiologia, uma pessoa que estava sofrendo um infarto! Como é que pode! Até entendo que, mesmo se o socorro fosse feito de forma inadequada e precária, talvez, não o salvasse. Agora, não atender! Não temos emergência!


Notem, isso não tem nada a ver com falta de estrutura, não tem nada a ver com salário baixo, não tem nada a ver com o volume de corrupção e corporativismo no setor, não tem nada a ver com nada disso. Isso tem a ver com problema de caráter, tem a ver com problema de humanidade, tem a ver com o ato individual e pessoal de agir como um ser humano ou não agir como um ser humano. Não temos que ficar achando apenas que é um problema dos políticos o mau tratamento que recebemos dos servidores públicos. Isso é um problema do servidor e das repartições públicas também. Eles têm que nos enxergar como semelhantes e não como uma espécie dependente dos favores deles. Tem que nos enxergar como patrões e não como escória que eles atendem quando bem entendem, quando querem e da forma que querem.

— Ah, mas eu sou um bom servidor público!
— Não me refiro a um caso isolado. É claro que temos incontáveis exemplos de dedicação e vocação ao serviço público. Mas, não é esse o comportamento predominante na educação, na saúde, na segurança, na gestão da burocracia, na Receita Federal e por aí vai.

O corpo do serviço público está impregnado por esse tipo de comportamento e de conduta que a sociedade tem que combater e denunciar. Essa prática, essa forma de agir, esse menosprezo e essa covardia tomou conta do tecido estatal de uma forma que, pra você se deparar com gesto de atenção e de cuidado é algo muito raro. Não podemos aceitar, como um padrão inevitável, essa qualidade de quinta categoria que o Estado brasileiro impõe aos serviços que nos presta, isto é, quando nos presta. Infelizmente, essa é a realidade do serviço público.


Cadê o Conselho Regional de Medicina? Cadê o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro? Cadê esse antro do Ministério da Saúde? Cadê a Associação Médica Brasileira? Cadê as ilustres entidades que ficam discutindo a ética, os direitos e os deveres? Cadê? Cadê as entidades médicas numa hora dessas? Cadê?

Os hospitais públicos no Brasil não foram transformados em lixo apenas por causa da politização, da partidarização, das indicações políticas e da corrupção. Foram transformados em lixo, também, porque o corpo profissional dessas instituições, de alguma maneira, tem parte de culpa nessa história com atitudes como essa, por exemplo.


terça-feira, 8 de julho de 2014

Presidente Dilma é hostilizada durante abertura da Copa do Mundo em São Paulo

Xingamentos contra a presidente foram ouvidos em dois momentos antes da partida: após a chegada de Dilma ao estádio e após a execução do hino nacional, já a poucos minutos do início do jogo. No segundo tempo, Dilma foi xingada mais duas vezes. No ano passado, Dilma foi vaiada em rápida aparição no Estádio Nacional Mané Garrincha antes da partida entre Brasil e Japão, na estreia na Copa das Confederações. Dilma não fez discurso durante a abertura. (G1)

Imagem: Reprodução / Portal G1

— Estou convencido de que essas vaias não foram uma ofensa direta à figura institucional da presidente Dilma Rousseff, aquilo foi uma ofensa ao que ela representa como figura mais representativa da política que está sendo praticada no Brasil. Se no lugar dela pusesse qualquer um de seus rivais da corrida eleitoral, muito provavelmente, haveria uma reação hostil. Se aparecesse no telão do estádio os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, com certeza, haveria uma reação hostil também. Tenho a sensação de que as vaias foram para todo o sistema político e a quem estiver no topo da cadeia alimentar do poder.

Não estou dizendo isso para aliviar a barra da presidente e de seu governo, muito pelo contrário. Como a Dilma representa o topo da hierarquia política, as vaias foram, sim, dirigidas à ela. A ideia de que os políticos são corruptos não é uma exclusividade do governo Dilma. O fato, é que a política no Brasil e o ato de governar neste país são redutos exclusivos da corrupção generalizada em todos os partidos, não só do PT. Os governantes são coniventes, tolerantes e, quase sempre, sócios da corrupção desenfreada no país.

Portanto, não gostamos dos políticos como um todo, não importa de que legenda. Não gostamos dos governantes, não importa em que governo estejam. Não distinguimos o sério do corrupto, porque a corrupção está generalizada, pouco importa qual seja a legenda e a organização política que o governante e o seu governo representam. Ainda digo o seguinte: Governantes, a culpa é de vocês! Vocês fizeram isso da política e do ato de governar! Vocês fizeram com que a política se transformasse nessa coisa irrespirável, odiada e detestada pelo cidadão brasileiro. Agora, arquem com as consequências! É preciso que os senhores se deem conta de que, não podem continuar sendo o que são e fazendo o que fazem. A relação do Estado brasileiro e dos seus agentes com a sociedade têm que mudar.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vereadores de SP travam votação na Câmara por não terem ingressos para a abertura da Copa do Mundo

“Os ingressos não vieram em número suficiente. Não tem cabimento os líderes irem e seus liderados não irem”, afirmou o presidente da casa José Américo (PT). Ele admitiu ter recebido queixas de vereadores: “Recebi reclamações. Muita reclamação". O dia todo, porém, foi marcado por reclamações indignadas de parlamentares e assessores sem ingresso pelos corredores do Palácio Anchieta. (Estadão)

Imagem: Reprodução / Estadão

— É uma indecência! Eles não têm vergonha! Eles são muito VAGABUNDOS! A classe política brasileira é a escória da sociedade. Salvo raríssimas exceções, a média da qualidade ética, moral e comportamental dos políticos brasileiros é muito inferior à média moral da sociedade brasileira. A política no Brasil é o sorvedor da escória nacional. Esses vereadores de São Paulo são a expressão pura e acabada do que é o político brasileiro. Eles não são um ponto fora da curva, eles são a curva, estão alí para roubar, enriquecer e ficar nas tetas do Estado, usufruindo de suas mordomias e privilégios. Só servem pra isso.

Supondo que toda sociedade tivesse a média moral e ética dos políticos brasileiros, ainda sim, ela não enriquece na proporção e na velocidade que os políticos enriquecem. Ou seja, nem isso serve de consolo. Portanto, é uma mentira dizer que a classe política é a representação da média moral da sociedade brasileira. O brasileiro não é como os políticos são, eles são a escória do país.

Talvez, dentro dos presídios você encontre uma média de valores morais superior à media de valores morais predominante na política brasileira. Basta acompanhar o noticiário que você vai ver, é impressionante o que os políticos são capazes de fazer em benefício do seu grupo, dos seus sócios e dos seus financiadores. Todos estão milionários. Passaram a vida no setor público e construíram fortunas. E mais, diria até que, quanto mais pobre é a região, mais rápido as fortunas se formam. Mas o pior disso tudo é que a gente convive com isso como se fosse algo normal.

Vereadores de SP aprovam projeto que prevê feriado na abertura da Copa do Mundo

Além da confirmação do feriado na abertura da Copa, o projeto aprovado liberou a venda de bebida alcoólica nos estádios da capital, medida acordada entre Governo Federal e a Fifa por ocasião da escolha do país para sede do Mundial. (G1)

Imagem: Reprodução / Portal G1

— As casas parlamentares no Brasil são antros de indecência, de vagabundagem, de roubalheira, de empreguismo e desvios de conduta. Os inimigos reais da sociedade brasileira estão dentro do aparato do Estado. São os políticos, os governantes e os setores que eles tomaram pra si. São os privilégios que têm e seus interesses preservados dentro do Estado pelas máfias político-partidárias, que tomaram este mesmo Estado, há décadas.

A Câmara de Vereadores de São Paulo não é um ponto fora da curva, ela é a curva. Ela, assim como todas as outras espalhadas pelo país, são casas de tolerância que permitem práticas típicas daqueles ambientes que levam esse nome. Possuem regras morais e comportamentais que podem ser apresentadas dessa forma, literariamente falando. Os políticos não são o que eles dizem que são. As instituições que eles tanto defendem são conveniências de momento, valem muito quando servem e não valem nada quando não servem. Fingem que levam isso a sério e, quando querem, mostram o que verdadeiramente são.

É claro que nas casas parlamentares existem exceções. Mas as exceções não são exceções, são álibis. Isto porque, sendo uma minoria, elas legitimam a maioria caracterizada pelos desvios de conduta, já citados anteriormente. Então, na verdade, quem dá a essas casas de tolerância a chancela de serem casas legislativas é a presença de uma minoria séria e honesta nesses ambientes. Logo, não é possível generalizar, temos que relativizar. Essa desigualdade numérica de forças permite que a realidade da maioria se imponha e seja percebida como parte da democracia, quando na verdade, é apenas parte do bacanal do qual compartilham as máfias político-partidárias no país. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Deputado Domingos Brazão diz que já mandou matar durante discussão com Cidinha Campos na Alerj

“Mando matar vagabundo mesmo. Sempre mandei. Mas vagabundo. Vagabunda eu ainda não mandei matar”, teria berrado o deputado, de acordo com o relato de vários parlamentares e funcionários da Alerj. “É melhor ser puta do que ser matador e ladrão”, rebateu a deputada. (O Dia)

Imagem: Reprodução / O Dia Online

— Essa é a média moral que predomina, não só na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) mas, em todas as casas parlamentares do Brasil. Podemos dizer que, salvo raríssimas exceções, a classe política brasileira é a escória da sociedade. A qualidade ética, moral e comportamental dos políticos brasileiros é muito inferior à média moral da população brasileira. Não se assustem quando algo assim acontece, porque estamos diante da expressão pura e acabada do que é o político brasileiro. E quem acha que esse é um discurso que desqualifica a política ou o papel do político, está enganado. É um discurso que desqualifica a política praticada por essa geração, que aliás, é igual a muitas anteriores.

Particularmente, eu adoro quando figuras públicas se desentendem e se engalfinham. Sou apoiador do princípio de que, em caso de bate-boca e quebra-quebra entre eles, daria uma arma pra cada um, poria num estádio com portões abertos, ampla distribuição de sanduíche e refresco e deixava-os se matar. Que se matem!!!

O meu medo é quando eles se acertam no campo político, jurídico e financeiro. A história mostra que vossas excelências se protegem, se acumpliciam e se associam muito. E nessa parceria que fazem sempre em nome das instituições, sobra sempre para o contribuinte pagar a conta. Os políticos não são o que dizem que são. As instituições que eles tanto defendem são conveniências de momento, valem muito quando servem e não valem nada quando não servem. Fingem que levam isso a sério e quando querem, demonstram o que verdadeiramente são.

domingo, 4 de agosto de 2013

Equipe da Rede Globo é expulsa por manifestantes durante protestos contra a Copa das Confederações

Manifestantes que se concentraram na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte do Rio, hostilizaram uma equipe da TV Globo que fazia a cobertura jornalística de mais um protesto contra a realização de grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa das Confederações e Copa do Mundo. Ao avistarem o repórter Vandrey Pereira, os manifestantes começaram a gritar palavras de ordem contra a emissora.  Os jornalistas foram obrigados a se retirar, depois de um grupo de policiais escoltar a equipe da Globo. O carro da emissora, descaracterizado, ainda chegou a ser chutado por algumas pessoas.

Imagem: Reprodução / Terra Notícias

O representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, André Borges, defendeu a atitude dos manifestantes, que quase agrediram o repórter da Globo. "Eles têm o direito a se manifestar contra a mídia. A mídia mente sobre as manifestações. Ela também precisa fazer uma autocrítica, a revolta é contra o sistema", afirmou. "Eles não podem agredir, mas podem expulsar, sim", acrescentou.

— A imagem da Rede Globo é uma imagem antipatizada pela população. E não é porque a população é perversa, é inconsciente, é mal informada etc e tal. É uma bobagem a gente achar isso. A população tem a imagem da Rede Globo que foi construída pela própria Rede Globo, ao fazer coberturas jornalísticas tendenciosas a favor do governo e contra os interesses da população. É isso que acontece com uma emissora que mais apoia do que critica o Estado e seus governantes, não só no Rio de Janeiro, mas em todo país.

Ministério Público de quinta categoria isenta prefeito Cezar Schirmer (PMDB) de culpa na tragédia da boate Kiss

A boate Kiss era uma arapuca que funcionava criminosamente com autorização da prefeitura e do corpo de bombeiros. Não é possível que o prefeito de uma cidade que concedeu o alvará não responda a processo em nenhuma instância na esfera política, cível e criminal em decorrência disso. É aquela velha história, a medida em que se vai absolvendo as autoridades nessas tragédias, vai se criando um ambiente geral de impunidade que caracteriza tantos e tantos outros casos escabrosos no Brasil.

Imagem: Reprodução / Jornal O Globo

O fato é que está faltando autoridade no banco dos réus e atrás das grades. Essa justiça de quinta categoria deveria fazer com que as coisas criassem exemplos no alto escalão do processo. Fazer com que a cúpula política pague mais do que a base em crimes que produzam consequências para o cidadão. Uma prova de que isso é possível, foi o que aconteceu em Buenos Aires alguns anos atrás, onde o incêndio numa boate, que também matou muitos jovens, custou o mandato do prefeito da cidade. Foi caçado em consequência do trauma produzido pela tragédia, ou seja, o mesmo caso da boate Kiss em Santa Maria.

Alguém acha que foi especificamente o prefeito de Buenos Aires que deu o alvará fraudulento? Ou que deixou de cumprir o ritual da fiscalização? Não. Mas como ele é o chefe e cumpre a ele responder pelos atos de seus subordinados, o prefeito pagou o pato maior do ponto de vista político e cível.

Aqui no Brasil, nada aconteceu com o comandante dos bombeiros e com o prefeito de Santa Maria. Continuamos vivendo com a memória da tragédia sem ter produzido nenhuma punição aos responsáveis. Resumo da história, tratem de chorar os mortos até que essa cicatriz se feche. Infelizmente as autoridades continuam surfando nas tragédias como se não lhes dissessem respeito. O incêndio da boate Kiss deixou mais de 240 mortos em janeiro deste ano.

CADÊ A PM: Bandidos aproveitam a boa chama das manifestações e a ausência da polícia para depredar e saquear comércio no Rio

Não vou apoiar quem vai às manifestações, se valendo desse momento histórico, para roubar uma bolsa, uma televisão ou pra destruir o comércio do cara que está ralando igual a todo e qualquer trabalhador. Quem pega carona num momento como esse, em que a população está querendo mudar o paradigma, mudar o tom do diálogo com o Estado e com os agentes públicos para depredar e saquear estabelecimentos comerciais, é um criminoso que merece cadeia. Não vou embarcar nessa de criminalizar as manifestações, porque elas são movimentos populares legítimos. Não quero que a periferia do movimento como ladrões e coligações partidárias (PSTU, PSOL, PT, PMDB,...) tirem proveito da situação.


Quem rouba coisas como fizeram na Barra, quem quebra carros e vitrines de loja para roubar televisão, roupas e sapatos é uma minoria de grupos criminosos. Quem acha que ao fazer isso, ficará sob o manto da revolta popular, está enganado. Isso é ladrão, é vagabundo, é criminoso comum igual a qualquer outro que se vale das oportunidades para roubar. É o mesmo cara que rouba bicicleta na ciclovia, que mata um turista pra roubar alguma coisa, que entra no ônibus pra assaltar o trabalhador, que rouba celular em show etc e tal.

Enfim, é o mesmo tipo de vagabundo e de criminoso. Isso não tem nada a ver com revolta popular, nada a ver com política e com o ATO POLÍTICO. Esses atos são ATOS NÃO POLÍTICOS, são ATOS CRIMINAIS comuns que precisam ser tratados pela polícia com foco direto neles, e não dando porrada em todo mundo que está se manifestando. E não enchendo de bala de borracha e spray de pimenta quem está se manifestando ou se dispersando dos protestos. Não se pode criminalizar o movimento baseado num ato isolado e minoritário desses grupos criminosos. É claro que existe um oportunismo criminal nas manifestações. O pior, é que a Polícia Militar deixou a criminalidade e os ATOS DE VANDALISMO tomarem conta da situação.


Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

Ficou claro e notório que não havia policial em lugar nenhum. Onde estavam os policiais? O policiamento se omitiu completamente no que diz respeito a prevenir, reprimir e dar consequência criminal aos ATOS DE VANDALISMO e aos ATOS CRIMINOSOS.  Isso ficou evidente na ação deliberada do governador Sérgio Cabral e da polícia. A PM não agiu porque houve a determinação de agir apenas contra a manifestação política e não contra os crimes. E foram os crimes que assustaram a população, virando manchete em todos os jornais no dia seguinte. A polícia não prendeu assaltantes e nem vândalos, só prendeu manifestantes.

Ausentar-se nesse quadro não é respeitar o direito de manifestação, é omitir-se diante de circunstâncias extremas que manifestações podem abrigar em função das exceções de vândalos que quebram e saqueiam lojas. É claro que durante manifestações haverá o mesmo ladrão que existe quando não há manifestação. Quantas vezes nós vimos o vandalismo puro e simples numa noite de sábado, quando um cara quebra uma luminária do século XIX, na Glória? Quantas vezes nós vemos monumentos pichados por idiotas? Quantas vezes nós vemos ladrões roubando celulares em shows?

Então, se tem isso em períodos normais, porque não haveria de ter numa manifestação onde o processo de descontrole é absoluto? Num momento em que milhares de pessoas estão nas ruas com outro tipo de foco. É claro que haveria! E é para isso que a polícia deveria atuar objetivamente e criteriosamente. A ausência da polícia não é uma solução, é um problema. A presença de uma polícia despreparada na rua também é um problema. Agora, é impossível ter uma polícia preparada na rua? Não. 

Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

A polícia existe e não há nenhum absurdo em entender que ela atue, as melhores sociedades democráticas precisam de suas polícias. A polícia pode fazer perfeitamente um cordão de isolamento adequado que iniba a ocupação e a depredação dos prédios. A atuação policial não deve ser caracterizada pela ausência nem pelo excesso. Tem que ser caracterizada pelo profissionalismo!!! 

A ideia de que não haveria policiamento suficiente para o contingente popular já é, por si só, um absurdo. Porque a PM não é paga pelo contribuinte para fazer cálculo errado. A polícia não trabalha no IBGE, no IBOPE ou no IPEA para estimar alguma coisa, ela não tem que fazer conta. Fez a conta, deu errado, manda mais gente. A Polícia Militar é uma instituição que tem que se mobilizar de acordo com as circunstâncias, mas não se mobilizou. Assistiu e acompanhou imóvel ações de saques a comércio durante horas.  

Insisto em dizer que a tentativa de ocupação de palácios faz parte de qualquer processo de revolta popular. Em consequência disso, quebra-se uma janela, uma porta etc e tal. Esse, pode não ser o foco de uma manifestação pacífica, mas entendo que é meio inevitável impedir manifestantes de invadirem tais palácios, tais redutos políticos. 

A tentativa de invasão da Alerj, ainda que possamos recriminá-la, foi um ATO POLÍTICO. A troco de que eles invadiram a Assembléia Legislativa? Para caracterizar um ATO POLÍTICO. Isso não tem nada a ver com aquilo que todos criminalizam pesadamente, que é o saque às lojas, a depredação de patrimônio particular e de equipamentos públicos. Qual é o simbolismo revolucionário existente no ato de tirar a tampa de um bueiro? De quebrar um sinal de trânsito que no dia seguinte pode causar um acidente? De invadir uma loja para roubar? 

Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

Isso não tem nenhum componente revolucionário, não tem nenhum componente transformador. É pura sacanagem, é puro vandalismo, é puro oportunismo. Esses caras têm que ser presos. Quem promove ATOS DE VANDALISMO são marginais. É o mesmo tipo de gente que quando cai um avião, está mais preocupado em roubar alguma coisa das vítimas, do que socorrer alguém. Esse tipo de vagabundo e de criminosos existe. É uma gente ruim, uma gente má. Não é necessariamente um criminoso de alta periculosidade, mas, sim, oportunistas do crime.

Então, esse é o perfil das pessoas que estão produzindo essa onda de saques e vandalismo gratuito nas manifestações.

Com PM ausente, protesto é marcado por saques e depredações

terça-feira, 23 de julho de 2013

Equipe da Rede Globo é hostilizada por manifestantes durante protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio

A imagem da Rede Globo é uma imagem antipatizada pela população. E não é porque a população é perversa, é inconsciente, é mal informada etc e tal. É uma bobagem a gente achar isso. A população tem a imagem das Organizações Globo que foi construída pela própria Rede Globo, ao fazer coberturas jornalísticas tendenciosas a favor do governo e contra os interesses da população. É isso que acontece com uma emissora que mais apóia do que critica o Estado e seus governantes, não só no Rio de Janeiro, mas em todo país.

                                       Imagem: Reprodução / Revista Veja.com

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Jornal O Globo faz cobertura tendenciosa a favor do governo e tenta criminalizar as manifestações

O Brasil reuniu manifestantes em mais de 100 cidades que tiveram protestos expressivos com milhares e milhares de pessoas. Manifestações pacíficas, ordeiras e sem organização partidária por trás querendo se aproveitar da boa chama do povo na rua. Foram manifestações encantadoras, transformadoras e absolutamente positivas. Pois bem, aí eu pego o jornal O Globo e vejo na primeira página a manchete: "Sem controle. Em noite de conflitos, depredações e saques, Itamaraty e prefeitura do Rio são atacados". O Globo mostra o detalhe periférico do confronto envolvendo uma minoria de vândalos. É o detalhe do cara quebrando sinal de trânsito, saqueando loja, colocando fogo em carro etc. Uma ideia de que tudo que aconteceu se resumiu a isto que eles estão mostrando.


Isso é uma distorção, uma manipulação dos fatos. Querer colocar o detalhe do confronto como uma manchete. Querer colocar a ação de uma minoria de vândalos como o fato sem controle é um absurdo. "Sem controle" o que O Globo? O que está "Sem controle"? O desejo de fazer ou cobrar uma mudança de um Estado que você mais apoia do que critica? De um sistema político que você mais apoia do que critica? 

A essência da relação da grande imprensa com o sistema político brasileiro é de parceria, de cumplicidade e de mútua conivência. É até uma relação de razoável proteção e blindagem. Quando a coisa começa a ferver, na mesma hora tem o espera aí e tal. Não é bem assim e tal. Entendeu? Acho que a tentativa de criminalizar o que está acontecendo é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo.

Na soma do caldeirão que sai de controle, você tem: Os marginais que não tem nada a ver com a manifestação, mas estão lá sempre. O radical que vai para o confronto por opção política, porque ele quer invadir o prédio, ele quer invadir o palácio. O radical que vandaliza por vandalizar e que se aproxima mais do criminoso do que o cara que tem uma ideologia. É o cara que quebra uma placa, às vezes, não é nem um criminoso, mas acha que isso é um ato político.

O radical também é um agente político, você pode não gostar dele, você pode combatê-lo politicamente, pode até usar a lei pra tentar enfrentá-lo. Mas ele é um ente do jogo e do espírito político. Igual ao conservador, igual a direita e igual a esquerda. Enfim, igual em tudo. 

Para não dizer que foi incompetência profissional, vou admitir que foi por falta de competência e de olhos para enxergar o que aconteceu. Competência e olhos que não faltaram ao jornal Extra na sua edição impecável de primeira página, que veio com a seguinte manchete: "Não foi passageiro. Um dia depois de governos no país inteiro baixarem o valor das passagens, manifestantes dão demonstração de força em cem cidades e acenam que os protestos com novas reivindicações devem prosseguir". Perfeito, sensacional, uma primeira página maravilhosa.


O Extra, feito pelo mesmo grupo editorial e empresarial, estampou na primeira página o verdadeiro sentimento das manifestações com texto e imagem perfeitos. Ele publicou corretamente o que foi a notícia. O fato desta massa na rua não ter uma lista de reivindicações com princípio, meio e fim não significa que o seu grito não seja decodificável. Que seu clamor não seja compreensível e traduzível.

Ninguém está contra a democracia. Ninguém está atacando a ideia das instituições existirem. Não é por aí, não adianta a imprensa passar uma imagem esquizofrênica dos fatos com o intuito de proteger interesses promíscuos e escusos. Não é por aí. A tentativa de criminalizar o que está acontecendo é muito presente na forma como se cobre o que está acontecendo. Os jornais precisam ter mais cuidado pela forma como estão lidando com isso.

domingo, 21 de julho de 2013

Mais de 300 mil pessoas vão às ruas do Centro do Rio para exigir mais investimentos em saúde, educação, segurança e transporte

Mais um dia histórico e emblemático com milhares e milhares de pessoas que se concentraram inicialmente na Candelária e depois saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas em direção à Prefeitura do Rio. Um mar não apenas de pessoas, mas um mar de esperança. De querer um futuro melhor, de querer governos melhores, de querer políticos e parlamentares melhores. Esse mar não era apenas de seres humanos, de estudantes, de trabalhadores, de chefes de família e de idosos. Mas sim, um verdadeiro mar de cidadania demonstrado pelo Rio no dia 21/06. 


O Brasil reuniu manifestantes em mais de 100 cidades que tiveram protestos expressivos com milhares e milhares de pessoas. Manifestações pacíficas, ordeiras e sem organização partidária por trás querendo se aproveitar da boa chama do povo na rua. Foram manifestações encantadoras, transformadoras e absolutamente positivas. Graças a elas, tivemos a redução do preço das passagens de ônibus e de outros transportes em algumas cidades do país.

Os manifestantes não estão pedindo nesse clamor nada que já não exista em nações muito menos ricas que a nossa. A Argentina, o Uruguai e o Chile tem coisas que nós pedimos aqui há muito tempo e muito melhores. Não estamos pedindo nada que seja inalcançável. Estamos pedindo coisas que já estão aí no mundo, na sociedade moderna como: Escolas que eduquem nossos filhos; Hospitais que nos curem; Transporte que nos leve e que nos traga com preço que possamos pagar; Polícias que nos deem segurança; Políticos que não nos roubem etc. Será que estamos pedindo tanta coisa assim meu Deus? Será que é tão difícil perceber isso? 

Estamos pedindo um país mais sério, um Estado mais sério, agentes públicos mais sérios. Repartições que funcionem, filas que sejam menores, tempo de atendimento que seja menor. Enfim, RESPEITO. Queremos também a compreensão, por parte dos políticos, de que nós somos os patrões. São valores e conquistas que já estão consolidadas em vários países do mundo, e que nós não podemos ter. Como assim não podemos ter? Nós pagamos a maior taxa tributária do mundo. Nossas passagens de ônibus são umas das mais caras do mundo e o nosso transporte "público" é um dos piores do mundo. Por que? A troco de que? Pra dar lucro a quem?

Então, esse basta é um basta geral. Essa radicalização dos movimentos populares é por RESPEITO. É um movimento por coisas básicas e primárias que o governo e os agentes públicos têm que conceder. Os movimentos sociais querem apenas ajustes de comportamento por parte do Estado, dos governantes e de seus agentes públicos.

Aí, eu compro e comparo as edições dos jornais Extra e O Globo do dia 21/06. Ambos feitos pelo mesmo grupo editorial e empresarial. Enquanto o Extra estampa na primeira página o verdadeiro sentimento das manifestações, com texto e imagem perfeitos. O jornal O Globo mostra o detalhe periférico do confronto, envolvendo uma minoria radical de ATOS POLÍTICOS e de vândalos. Uma ideia de que tudo que aconteceu se resume a isto que eles estão mostrando. 


Lembrando que os ataques ao Itamaraty e à prefeitura do Rio são ATOS POLÍTICOS. A radicalização dos movimentos populares é um ATO POLÍTICO, você pode ser a favor ou contra, mas ela é POLÍTICA. A Revolução Francesa se deu pela radicalização do movimento popular francês. A Revolução Soviética se deu pela radicalização do movimento popular soviético. A Revolução Cubana se deu pela radicalização do movimento popular cubano. Então, a radicalização dos movimentos populares é POLÍTICA, embora não estejamos num processo revolucionário.

Estou muito orgulhoso. Este foi o momento que uma geração inteira despertou, foi para as ruas, rompeu a inércia, a acomodação, a alienação e a despolitização. Essa juventude foi mobilizada por sua própria iniciativa, seu próprio espírito de nacionalidade e civilidade. Aí, a sociedade inteira veio atrás.